29 de jun de 2009

Quanto subjetivo pode ser um trabalho de documentação?


"Tinaya". Foto: Josh Leher.

A linha rígida que divide o campo da documentação e o da fotografia expressiva, ou de arte, frequentemente é borrado nos seus limites. Mas poucos trabalhos que misturam essas barreiras atingem uma compreensão tão ambígua como o que foi realizado por Josh Leher.

‘Becoming Visible’ é um ensaio sobre desabrigados, (os homeless da América) e adolescentes transgêneros. A idéia é dar visibilidade a uma realidade pouco percebida. Até este ponto, esses elementos são pontos clássicos trabalhados em qualquer esforço de fotografia documental que se preze.

O interessante nessa história, é que, ‘Becoming Visible’ dialoga com a temporalidade do registro. É uma realidade atual, porém retratada com uma técnica criada em 1840, o cianotipo. O fotógrafo Josh Leher adotou esta técnica de impressão de imagem, de modo a fornecer uma imagem que não fosse estereotipada, por tratar de um assunto sempre controverso, seja sob o ponto de vista cultural como social.

Ao optar pelo cianotipo, Leher tenta vincular o processo de documentação dos homeless e dos transsexuais de um modo extremamente diferenciado, que além de cumprir o papel informativo, aborda a questão com uma pegada estética incomum e interessantíssima. Para um assunto diferenciado e de delicada abordagem, uma técnica idem.


Josh Leher trabalhando numa impressão em cianotipo.


O belíssimo resultado é de obtenção complexa. As chapas para gerar o cianotipo foram feitas a partir de fotografias em grande formato, capturadas em positivo 4x5 polegadas e trabalhadas no laboratório de fotografia do ICP. O cianotipo requer enormes quantidades de luz para ser sensibilizado, levando, por vezes, horas. No artigo que acompanha a galeria virtual no Lens, o processo é descrito com mais detalhes.

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28 de jun de 2009

Festival de Fotojornalismo de Perpignan-2009, site já está no ar.



O festival de Perpignan, cidade medieval, capital da Catalunha francesa, encrustada entre França e Espanha, está para o fotojornalismo como o festival de Cannes está para o cinema. Sem exageros.

Pois bem: uma prévia da 21a. edição do VISA pour L'Image, como o festival se chama, que sempre acontece em setembro, já está online. Vale conferir. O site oficial já tem várias galerias com gente do primeiro time, como Abbas, Walter Astrada e Steve McCurry.

Durante seus 20 anos de existência o festival tem sido uma importante âncora de referência sobre as transformações éticas, estéticas e técnicas que condicionam o fotojornalismo. Além das premiações, o festival se apóia em uma tripla dinâmica de eventos: Exposições, projeções e encontros, mesas-redondas, colóquios.

O encontro promete ser agitado. Até lá, vale conferir o site.

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De onde vem a expressão olha o passarinho?

Fonte: Ari Riboldi, no livro O Bode Expiatório, que ilustra o aparecimento de expressões curiosas.

No fim do século XIX, o tempo para expor a imagem era muito mais demorado. No existia nem mesmo a noção de click, do instante. como há hoje. A norma era ficar minutos, sem se mexer, para poder executar o registro.

Para reter por mais tempo a atenção das pessoas, especialmente das crianças, os fotógrafos costumavam colocar uma gaiola com um passarinho em local acima da máquina e dizer a famosa frase.

Desde então até hoje, restou apenas a frase, espécie de cacoete do ato de fotografar: olha o passarinho!

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27 de jun de 2009

Dia do pinhole 2009: galeria está online.


Foto: Benny Persson. Técnica Pinhole sobre filme HP5 da ilford.
F: 173 de abertura, 1/2 segundo de exposição.


Dois meses atrás, aqui no AutoFoco, demos a nota do dia internacional da fotografia pinhole. Pois bem, a coisa aconteceu e ao redor do mundo milhares de adeptos da técnica fizeram suas experiências.

O resultado pode ser conferido. Algumas fotos realmente surpreendem pelo alto grau de definição e perfeccionismo. Noutras prevalece o tom criativo e experimental. Para conferir e ir se animando para o dia da foto pinhole do ano que vem, marcado para 25 de abril de 2010.

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Barbeiro. 95 anos. Ainda trabalhando.


Foto: Alex Almeida.


Pedro Coutinho é barbeiro, tem 95 anos, é lúcido, trabalha todos os dias, menos nos domingos - dia do qual não gosta. Tem esposa e faz, em média, seis cabelos por dia.

Vale conferir o "olho mágico" que o UOL fez com ele. É um bom audiovisual feito com um simples pessoa estranha. As fotos são de Alex Almeida, em um ensaio todo em preto e branco. Gota d'água decente em meio a um fotojornalismo pasteurizado.

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LabFoto UFPE e Grupo F1 promovem curso de fotografia em Grande Formato




A fotografia em grande formato (FGF) é um excelente caminho para aprofundar os fundamentos da fotografia. Pensando nisso, o LabFoto - UFPE e o Grupo F1 promovem um curso introdutório à fotografia de grande formato. Com aulas teóricas – apresentando um pouco da história da FGF, a câmera, o modo de operação, os ajustes – e práticas – envolvendo exercícios e saídas para execução de trabalhos. O curso, coordenado pelo professor da UFPE José Afonso Jr., será ministrado por Joanna Calazans, com formação em fotografia pelo Ithaca College, em Nova Iorque.

As aulas terão o seguinte cronograma:

no dia 03.07 - 18:00 - aula teórica.
no dia 04.07 - 9:00 - Aula prática, no campus da UFPE.
no dia 11.07 - 9:00 - Aula prática, no campus da UFPE.
no dia 18.07 - 9:00 - Aula prática, saída para exercícios em local a definir.

O curso será realizado nas dependências do LabFoto da UFPE - Centro de Artes e Comunicação, Campus UFPE Recife, cidade Universitária.

As pré-inscrições podem ser feitas no telefone (81) 2126.8960.
As inscrições serão efetivadas na primeira aula. O investimento é de 350,00 reais, que inclui material didático e materiais técnicos necessários, e pode ser pago em duas vezes (na primeira e última aula). Associados Fototech tem desconto de 15%.

Será emitido certificado para quem tiver frequência mínima de 75% da carga horária.

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AGENDA São Paulo: Foto Cine Clube Bandeirante - 70 Anos


Foto Cine Clube Bandeirante - 70 Anos de fotografias

Um dos mais importantes movimentos para a consolidação da fotografia moderna no Brasil teve seu berço no Foto Cine Clube Bandeirante. Não é exagero. Funcionando desde 1939, o foto clube foi importantíssimo no fortalecimento da fotografia enquanto uma atividade artística.

No fotoclube, nesses 70 anos, teve de tudo: pictorialismo, no início, imitando as pinturas do século XIX; depois modernista, no que se chamou de Escola Paulista, permeado por ousadias nas experimentações: texturas, geometria, contraluz e montagens.

A curadoria é de Iatã Cannabrava e Monica Caldiron, reúne 124 imagens de mais de 40 fotógrafos.

Serviço:
CCSP - piso Flávio de Carvalho, Rua Vergueiro, 1.000, Liberdade, região central, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3397-4002.
Até 30/8. Ter. a sex.: 10h às 20h. Sáb. e dom.: 10h às 18h.
Grátis.

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Prêmio Porto Seguro cria categoria para fotos feitas com celulares

Saiu no estadão.

Um dos mais respeitados prêmios fotográficos do Brasil, O Prêmio Porto Seguro, este ano acatou o apelo e abriu uma categoria especial para imagens feitas com celulares, que concorrerão à premiação de R$ 18 mil dentro da seção Pesquisas Contemporâneas. A dificuldade era pensar a melhor maneira de receber essas imagens e mostrá-las, diz Cildo Oliveira, idealizador e curador-geral da premiação.

As inscrições para essa 9ª edição do prêmio terminaram no sábado. A seleção de todos os trabalhos inscritos (mais de 800) por uma comissão julgadora e por Tadeu Chiarelli, curador convidado da premiação deste ano, ocorrerá já na próxima semana. Pelo regulamento, os participantes poderiam inscrever apenas uma obra feita com celular - e mandada via e-mail. Essa opção pelo recebimento eletrônico está ligada à própria linguagem e técnica da mídia dessas obras.

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Firmware "hacker" amplia funcionalidades da Canon EOS5 mark II


Eos 5D. De mark II a "Mark Free".

Saiu no Geek.

Desde que chegou ao mercado, a câmera fotográfica SLR Canon EOS 5D Mark II tem atraído a atenção de cineastas amadores. Entretanto, veio com alguns bugs e limitações. Nada que um grupo de nerds não resolvesse com uma pirataria do firmware, o software que controla a opercionabilidade da camera.

A idéia do projeto “Magic Lantern”,é criar um firmware alternativo, que transforma sua EOS 5D Mark II em uma “EOS 5D Mark Free”, livre das limitações impostas pelo fabricante. Os bugs corrigidos são: um problema de ruído de áudio, a adição de medidores de nível de áudio na tela, monitoramento do áudio através da saída A/V, indicadores de superexposição de áreas da cena e marcas de corte na tela para facilitar o enquadramento de cenas em 16:9, 2.35:1 e 4:3, entre outros recursos.

O AutoFoco não se responsabiliza por quem for fazer essa atualização. Achamos arriscado e recomendamos fortemente se informar o mais possível sobre essa "alternativa" de atualização.

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Paraty em Foco 2009. Site no ar.


O mais consolidado encontro de fotografia do Brasil, o Paraty em Foco, já está com a versão 2009 em fase de aquecimento. O site da 5a. edição já está no ar, com programação, oficinas, palestras e entrevistas que irão ocorrer, em setembro, na histórica Paraty/ RJ.

Este ano Flickr, Youtube e blogs vão criar camadas de cobertura sobre o evento. O flickr já está instalado, com ensaios de convidados. No site também tem vídeos e inscrições abertas para as oficinas.

Para quem quer se interar, vale conferir. Para quem pretende ir, obrigatório.

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Evento de escala mundial: galerias sobre quem vela por Jackson


Foto: Adi Weds. EPA para o Lens/NY Times.

A morte de Michael Jackson está na segunda etapa da cobertura midiática: depois do choque, o velório público. O evento é mundial. De Berlin à Índia. De Estolcomo a Toronto. Os jornais e sites começam a elaborar galerias. O AutoFoco acompanha.

El Mundo. Para quem é craque em infográficos, o jornal espanhol deixou a desejar - por enquanto - na apresentação das fotos.

O Boston Globe ainda não preparou um Big Picture sobre o assunto. Enquanto isso faz um "ao redor do mundo".

O UOL está com uma coletânea de agências. É aquela coisa: mostra o que se vê em todo canto.
Melhor do dia:

O lens do New York Times. Investiu mais na qualidade e no inusitado. O times, ainda dispõe duas galerias: o velório globalizado e um de memória da carreira, sacado do banco de imagens.

Enquanto estiver na agenda, a morte de Jackson renderá. Entendam "render" na mais ampla compreensão do termo.

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26 de jun de 2009

Jornal Extra, do Rio de Janeiro: a melhor capa.



A dica foi passada pelo Clicio através da lista Fototech. A capa do diário carioca Extra, do grupo O Globo, foi considerada pelo PDN (Photo District News), como a melhor primeira página - em todo o mundo - sobre a morte de Michael Jackson. O site destaca que a capa enfatiza não uma imagem do artista, e sim que ele se foi.

Vale ainda conferir a impressionante capacidade de agendamento do fato, em centenas de primeiras páginas ao redor do mundo. O Newseum traz a coletânea do que foram as capas hoje. Jackson está em quase todas. A capa do Extra também recebeu destaque no Guardian, periódico inglês.

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25 de jun de 2009

Especiais em multimídia e a morte de Michael Jackson



Se tudo na vida de Michael Jackson era cercado pela mídia e lógica do espetáculo, na sua morte a lógica não será diferente. Mesmo poucas horas após o anúncio do seu falecimento, já constam em sites de alguns jornais online, galerias virtuais fazendo uma retrospectiva da vida/ morte do cantor.

Até agora, (apenas cinco horas do anúncio oficial) nada de muito inusitado ou excepcionalmente criativo. Mas, certamente, ao crescer o volume de imagens sobre o evento, a complexidade do mesmo e as formas de apresentação e exploração visual também devem aparecer. O AutoFoco vai ficar de olho e postar aqui os experimentos mais interessantes.

Por enquanto, da imprensa americana, linkamos a galeria do New York Times, do Chicago Tribune e da CNN.

Na europa, o LeMonde, o Liberation e o El Pais, também entraram com portfolios da vida e obra do cantor. Tudo muito igual, feito no calor da surpresa do acontecimento e provavelmente com imagens de arquivo. O El Mundo, espanhol, que já tem tradição em apresentar conteúdo em formato multimídia, caprichou um pouco mais e fez uma galeria mais eficiente.

Aqui pelo Brasil, o UOL fez um timeline bem pobrezinho, reduzindo fotos a ilustrações. Deve pintar com coisa mais caprichada nas próximas horas.

Tá tudo ainda muito em função da carreira do cantor, que, foi recheada de escândalos e imagens. O evento da morte de Jackson repete a lógica da morte de outros astros pop: viva rápido, morra cedo, deixe um cadáver bonito. Desta vez, com a massiva cobertura via internet, a dimensão de um grande evento, como a morte de outros astros pop, como Elvis, Janis, Hendrix, Lennon e Bob Marley, deverá ser mais ampliada. Como tudo, aliás, relacionado a vida de Jackson.

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História do Jazz digitalizada


Foto: Herman Leonard Photography/AP


Quem é fã com certeza vai se animar com a notícia: após faturar uma premiação do Grammy equivalente a 34 mil reais, o fotógrafo Herman Leonard resolveu dar inicio a um projeto que visa digitalizar sua produção que já ultrapassa cinco décadas. Para quem não conhece a fera, Leonard é responsável por retratar grande nomes do Jazz durante todo o século XX. Miles Davis, Dexter Gordon, Billie Holiday, Duke Elington... Esses são alguns dos grandes nomes do jazz que já foram clicados por Herman. Sereno e sempre a postos, o fotógrafo não só produziu grandes imagens da cena jazzística mundial como consegui tornar-se amigo e confidente de algumas das celebridades.

Ainda não se sabe se o acervo será disponibilizado na Internet ou mesmo se já tem uma previsão para ser finalizado. No aguardo...

Post enviado por: João Guilherme Peixoto.

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23 de jun de 2009

Big Picture: 3 galerias sobre os conflitos no Irã.


Foto: SHAUN CURRY/AFP/Getty Images.

Com dez dias após as eleições a situação dos tumultos no Irã permanece sem um fechamento conclusivo. A característica desses eventos tem sido a (tentativa) do controle da mídia pelo governo iraniano e as informações que tem vazado através da rede, principalmente pelo twitter e fotoblogs.

O fato tem agendado a mídia internacional de modo bastante agudo e diferentemente do Brasil, onde jornais, televisão e portais na internet não tem dado a devida dimensão do fato.

Para conferir uma boa cobertura sobre estes acontecimentos, tanto no Irã como nos protestos ao redor do mundo,há no Big Picture, 3 galerias dando cobertura a uma situação causada, em boa parte, pelo anacronismo de se ter, em pleno século XXI, um estado regulado pela teocracia.

Vale a pena conferir as galerias (1, 2, 3).

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Mesa de Luz: blog de fotografia do FestFotoPOA


Mesa de Luz online. do FestFotoPOA.

Está no ar o Mesa de Luz®, o novo Blog do FestFotoPoA - Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre, criado para dar mais espaço e visibilidade a produção fotográfica contemporânea através da apresentações em modelos multimedia e audiovisuais.

Acompanhem. Tem coisa nova e boa por lá.

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O fim de uma era: Kodachrome dá adeus após 74 anos


Foto: Steve McCurry, para National Geographic, feita com Kodachrome.

Com dados da Reuters

Cores saturadas, precisão de registro, tradição entre fotógrafos, uma paleta de cores a ser trabalhada. Tudo isso remete ao Kodachrome. Ou remetia. A partir de ontem, a Kodak comunicou que o Kodachrome, vai ser parte do passado. Motivo: a intensa competição gerada pelas câmeras digitais.

"A Kodak anuncia hoje que vai aposentar o filme Kodachrome colorido este ano, concluindo sua história de 74 anos como ícone da fotografia", afirmou a empresa em comunicado. Trata-se do fim de uma história iniciada em 1935, e que se transformou no primeiro filme de consumo massivo em cores a ter obtido sucesso. Atualmente, o Kodachrome representa menos de 1 por cento das vendas totais de filmes fotográficos da companhia. A empresa disse que apenas um laboratório ainda estava processando o filme nos Estados Unidos dentro do padrão Kodak, o processo K-14.

Quem ainda tiver kodachrome para clicar, se apresse. O fornecimento do serviço de processamento se dará até 31 de dezembro de 2010, no último laboratório capaz de garantir a resposta de cores do filme através do processo K-14. O AutoFoco coloca abaixo o endereço:

Dwayne's Photo Service
415 S. 32nd Street
Parsons, KS 67357
U.S.A.

(620) 421-3940
1-800-522-3940
Fax: (620) 421-3174

Mas isso não significa o fim do filme como um todo. Recentemente a kodak anunciou 2 novos filmes. O Ektar 100, de grão superfino (o que é isso???)negativo em cores, e o Ektarchrome 100. Hoje é possível baixar plugins e presets que simulam, a partir de uma foto digital, a saturação do kodachrome. Mas fotografar com Kodachome era uma exercício. Com baixa latitude de exposição, o filme exigia um rigor de interpretação da luz e de fotometria que não toleravam grandes erros. Ter um senso de cores, de pré-visualização dos resultados, saber que ele sempre entregava a foto com uma pequena invasão de magenta... É parte do folclore do filme, mas é também parte da aula que se tinha ao trabalhar-se com o Kodachrome.

Com esse filme foram captadas imagens importantíssimas da história da fotografia, como, por exemplo, a foto da menina afegã, capturada por Steve McCurry. Aqui, você acessa uma galeria-portfolio da própria Kodak feitas com imagens captadas em Kodachrome. Show de cores. Impressionante para uma tecnologia de 74 anos. Fico aqui imaginando o impacto que o filme deve ter causado no seu lançamento, no longínquo 1935...

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19 de jun de 2009

AGENDA RECIFE: Mwangole - Gente de Angola de autoria de Ségio Guerra..



Vale conferir: Mwangole, Gente de Angola. No Museu da Abolição, Recife. As fotos são de Sérgio Guerra. A expo é boa, as fotos, de um colorido ativo sem ser berrante. Legal. A dica foi do colega e fotógrafo J.
Até 28 de agosto. Ruim é o horário: Que coincide com o a semana de trabalho e o horário comercial... Como adquirir repertório quando se está trabalhando? Fica a sugestão que o museu em questão abra nos fins de semana.

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18 de jun de 2009

ACQUINE - Para julgar se a foto é boa ou não...


ACQUINE: Curadores e editores de fotografia, professores também: tremei-vos! A qualidade da imagem agora pode ser determinada por software!

Para quem é fotógrafo parece piada. Mas algo plenamente plausível dentro dos delírios tecnológicos paridos pelos engenheiros de softwares. Eis que surge o ACQUINE (AesthetiC QUality INference Engine, Algo como: Máquina de Inferência de Qualidade Estética, numa tradução livre) e foi desenvolvido por uma equipe da Penn State University. Chega de achômetro! A ferramenta traz como proposta determinar de modo automático - pasmem - o valor estético de uma foto!! Isso já existe e é público desde abril. A novidade tem circulado nas listas de discussão de fotografia, como a fotoclic e a fototech. É a partir de lá que nos motivamos para escrever este post.

A picaretagem da idéia consiste em algumas distorções.

A primeira, mais óbvia, reduzir a compreensão estética a regras de composição e a um conjunto de algoritmos, algo que o criador desta criatura binária, James Z. Wang, explica em um artigo mal assombradísimo, em inglês. Não se trata de fazer uma crítica a uma abordagem matemática da imagem fotográfica e suas interações estéticas, algo que é possível e pode dar resultados interessantes numa perspectiva mais ampla de interação entre arte e tecnologia, por exemplo.

Segundo: É justamente o contrário: reduzir o caráter multiplo de significação da imagem, a famosa polissemia, em termos semióticos, a uma chancelamento de qualidade que se dá de modo automatizado e numa compreensão limitadíssima do que é a estética.

Terceiro, preservando os pontos acima, é qualificar a qualidade da imagem apenas pelo valor estético atrelado à composição e aos elementos visuais. E os aspectos subjetivos, culturais, documentais e distintivos entre uma imagem e outra, como ficariam nisso? Exemplo prático: as fotos tremidas de Robert Capa do desembarque aliado na Normandia, capturadas na ação da batalha há 65 anos, passariam no teste? São imagens com ou sem qualidade?

O AutoFoco pagou pra ver. Fez um upload da foto de Robert Capa. O resultado, como vocês podem conferir abaixo, foi desastroso: a foto teve uma "nota" de 3,6 em 100. Se o Acquine deu essa nota pro Capa, numa das fotos mais importantes da história do fotojornalismo, imagine pras minhas fotos! Que medo!!! Tô fora!!!




Por outro lado, o prosaico prato de camarões e a simpática faixada de uma casa tiraram notaços, como se pode ver abaixo.



Resumo da ópera: A fotografia é multipla. Ela não é só efeito estético. É fenômeno de memória, de conexão da nossa vida com o mundo e a cultura que nos cerca. É experiência humana e pertencimento social. A engenharia de software precisa enxergar isso e se dedicar à aquilo que já faz muito bem: desenvolver plataformas mais palpáveis, como os lightrooms, photoshops e congêneres.

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16 de jun de 2009

Para quem é fetichista em câmeras retrô: Olympus Pen, agora digital



Quem tem mais de 35 anos seguramente tem a Olympus pen habitando algum lugar da memória. Lançada em 1959, essa camera infestou os anos 1960 e 1970. Super compacta para os padrões de então, a Pen foi projetada pelo renomado designer japonês Yoshihisa Maitani.

O designer tinha como princípio a idéia que a fotografia era para registrar memórias, o que importava mesmo era o poder da mente em visualizar imagens. O equipamento deveria ser o mais simples e, ao mesmo tempo, preciso e confiável. Rapidamente, a Pen representou uma combinação única de simplicidade, estilo, performance e baixo custo.

Usava filme 35mm e tinha a peculiaridade de "dobrar" a quantidade de exposições. O segredo? Usava apenas a metade de cada quadro do filme, recompondo o na vertical. Assim, cada rolo de filme de 36 fotos era capaz de 72 registros. Na época do filme, a olympus Pen já sinalizava a possibilidade de tirar centenas de fotos em um fim-de-semana, algo comum nas digitais de hoje. Isso era conseguido com a ajuda e engenhosidade permitida pela boa optica de sua lente 30mm f.1:2,8 (veja como era o registro no negativo no exemplo abaixo). Fora isso, operava totalmente sem baterias. A medição de luz era automática e a eletricidade para fazer isso era obtida da própria luz existente através da enorme fotocélula que ficava ao redor da objetiva. A pen era um ovo de colombo!



Bem, recuperando a aura de cult que a camera tem, a Olympus resolveu repaginar e lançar um modelo diretamente inspirado na antiga Pen. A E-P1, "digital pen", (ver foto abaixo), que foi lançada hoje, vem com lente intercambiável, 14-40mm, corpo em metal, resulução de 12,3mpixel, grava video em HD (1280x720), captura em RAW e uma gama de iso de 100 a 6400. Um bom pacote para uma compacta. Mais informações aqui.

Bem, se vai pegar na mesma proporção cult da sua "tia mais velha" - e durar - é outra coisa. Tenho amigos que possuem Pens de 20, 30 anos funcionando perfeitamente. Algo quase inimaginável na era de cameras descartáveis que temos hoje. Pensar que a antiga Pen funcionava sem baterias e, consequentemente sem carregador, sem cabinhos, sem cartões de memória, e além disso, fazia um monte de foto de modo simples e barato, nos faz pensar o que é, de fato, o conceito de tecnologia avançada.

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10 de jun de 2009

Big Picture: Praça da paz celestial 20 anos depois


Foto: Arthur Tsang/ Reuters. 1989.



Foto: David Gray/ Reuters. 2009.

O dia 4 de junho de 1989 foi especialmente trágico na história. Há 20 anos acontecia o massacre da praça Tiananmen, ou da paz celestial. Quem tem mais de 35 anos, é capaz de lembrar claramente que o evento foi resultante de uma série de protestos dos estudantes contra o governo exigindo mais transparência e democracia. Na noite do dia 4, houve a ação militar que resultou em um número de mortos e feridos que, até hoje, não se sabe ao certo, devido ao forte controle da mídia e de informação que existe na China.

O Big Picture, do Boston Globe, fez uma interessante galeria (relembrando Tiananmen) recuperando fotos de 1989 e avançando na história 20 anos, revisitando o lugar. Como nas fotos acima: a primeira, uma das imagens mais marcantes do século XX e, o mesmo lugar, onde 20 anos depois, está tomado por um congestionamento.

Conferir o ensaio é perceber a mudança do fotojornalismo, sob o ponto de vista estético, tecnológico e da postura de reportagem nessas duas décadas, e também perceber que a China nunca mais foi - ou será - a mesma.

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Vos Photos, do Liberation. Fotoblog de primeira


Vos Photos: fotoblog do Liberation. Foto, Clémentine Schneidermann: Photo aux tomates.


Fotoblogs organizados por jornais não são necessariamente um primor de estética ou de imagens diferenciadas. Mas, no caso do Vos Photos (suas fotos) do jornal francês liberation, é uma luminosa exceção.

A participação é aberta, e o material enviado é selecionado pela editoria de imagens do jornal. Os direitos autorais são reservados, apenas sendo a foto permitida de ser exibida no fotoblog, mas sem comercialização. Vale conferir as galerias temáticas. Tem muita coisa criativa.

Para tentar ter uma foto no Vos Photos, deve-se enviar (apenas uma foto por email) a imagem para: vosphotos@liberation.fr

Cada foto deve ser acompanhada de um título, do nome ou pseudônimo do autor. Pode-se enviar opcionalmente uma legenda, com dewcrição complemetar do local, dados técnicos, inspiração do autor...

O formato deverá ter 800 pixels no lado maior. Mas, antes que me esqueça: todo o palavrório descritivo, em francês...

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Nova Iorque, em 360 graus.


Foto: Oleg Gaponyuk & Andrei Zubets.

A dica foi do amigo Marcos Palacios.

Para quem curte fotografia imersiva, em 360 graus ou equivalentes, vale conferir o experimento Aerial virtual tour of New York (Tour aéreo virtual de Nova Iorque). O trabalho é de Oleg Gaponyuk e Andrei Zubets. Há vários pontos de Manhattan que foram capturados através de voô de helicópteros e renderizados em imagens de 360 graus. No site, os autores não dizem que sistema ou softwares estiveram envolvidos no trabalho. Vale conferir. Não recomendado para quem tem medo de altura!!

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9 de jun de 2009

O mestre, na sua melhor forma e em plena ação

A dica veio do amigo André Lemos.



Já conhecia esse vídeo, mas desconhecia que o mesmo estava no youtube. Trata-se de Cartier-Bresson, o olhar do século, na melhor forma, em plena ação. O vídeo é o Cartier Bresson Street Photography. No youtube ele está fracionado em três partes. Essecial para ver como Bresson trabalhava, no melhor estilo "batedor de carteiras", capturando imagens, escondendo a camera, exercendo o método do momento decisivo.

Imperdível. Invista meia hora para assistir as três partes e ter esse repertório visual agregado a sua formação sobre fotografia. Vale totalmente à pena!

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E a Veja conseguiu... Entrou para o Photoshop Disasters

Como tínhamos antecipado neste blog, duas semanas atrás, tá lá no photoshop disasters, mais uma contribuição brazuca ao photoshop of horrors:



A VEJA conseguiu!

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6 de jun de 2009

Fotografia e Memória: Coleção Francisco Rodrigues, online e de graça no portal Domínio Público


Foto: A. Ducasble. Joaquim Nabuco: bacharel em 1870, embaixador, abolicionista, escritor, deputado. Col. Francisco Rodrigues - FUNDAJ.

Uma das mais importantes coleções de fotografias históricas do Brasil está agora acessível a qualquer um com acesso à internet. O portal Domínio Público, do Governo Federal, disponibiliza boa parte da coleção Francisco Rodrigues. Originalmente a coleção está depositada na Fundação Joaquim Nabuco, em Recife.

No acervo, agora digitalizado e online, estão 4.800 fotografias que registram a aristocracia açucareira de Pernambuco de 1840 a 1920 através de um conjunto riquíssimo de técnicas que vão de suportes antigos, como a a daguerreotipia (fotografias sobre placa de metal), a ferrotipia (imagens sobre metal esmaltado fosco) e ambrotipia (imagens sobre vidro), além, é claro, das fotografias em papel. A maior parte deste acervo se constitui de retratos familiares, crianças, ocasiões comemorativas e também escravos.

A coleção Francisco Rodrigues não conta somente parte da história de Pernambuco e do Brasil, mas, através dos seus conjunto, conta também parte da história da fotografia no nosso país. A coleção foi iniciada em 1927 por Augusto Rodrigues, pai de Francisco Rodrigues, o dentista, que continuou a coleção paterna e terminou tendo seu nome como título do acervo.

A coleção foi objeto de pesquisa de doutorado da antropóloga Geórgia Quintas, que decodificou, através dessas fotografias, a iconografia da época, recuperando a memória visual desta importantíssima coleção.

Para conferir, basta acessar o portal Domínio Público, e no formulário de pesquisa básica colocar:
Tipo de Mídia> imagem.
Categoria > fotografia.
Título > francisco rodrigues

A partir daí, o portal fornece uma lista já catalogada com os nomes das pessoas nas fotos. É só ir clicando e começar uma incrível viagem pelo passado.

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5 de jun de 2009

HOME, de Yann Arthus Bertrand no Youtube. De graça e maravilhoso!



Programa obrigatório para acompanhar o fim de semana. Clicar no link e assistir HOME, o documentário de Yann - a terra vista do céu - Arthus Bertrand. O filme está na íntegra no YouTube. Mas atenção: só até 14 de junho. Com versões em inglês, francês, alemão e espanhol é um belíssimo exercício de mostrar o meio ambiente e suas alterações.

imperdível - obrigatório - maravilhoso!

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O melhor do fotojornalismo brasileiro, em breve, em livro.




Publicações sistemáticas sobre o fotojornalismo brasileiro são raridades. Para sanar um pouco essa deficiência, a Editora Europa apresenta o livro “O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro – Edição 2009”.

O livro reúne um apanhado das melhores imagens em fotojornalismo realizadas ao longo de 2008. A coordenação é de Juan Esteves, fotógrafo e crítico de fotografia e colaborador da Revista Fotografe Melhoe.

O importante é perceber um livro como uma exceção ao mercado editorial atrelado ao fotojornalismo e não somente como um anuário. Serve também para referenciar de modo histórico o momento do fotojornalismo feito no Brasil atualmente.

O livro estará a venda a partir do dia 20 de junho de 2009. Mas há uma pré-venda no site da Editora Europa. Preço? R$ 79,90. No site.

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4 de jun de 2009

AGENDA RECIFE: Oficina com Cristiano Mascaro na Arte Plural Galeria


Foto: Rua da Aurora, Recife. Por Cristiano Mascaro.


Cristiano Mascaro, é seguramente um dos mais importantes fotógrafos de arquitetura do País. Nos últimos 10 anos tem reunido uma produção bibliográfica significativa sobre o assunto. No próximo fim de semana, Mascaro vem ao Recife para uma oficina sobre o tema.

O curso será no sábado (6), durante todo o dia, e no domingo (7), pela manhã. As inscrições devem ser feitas na Arte Plural Galeria, onde acontecerá a oficina. O horário de atendimento é das 13h às 19h. A inscrição também pode ser feita por telefone, através do (81) 3424-4431.

A oficina será dividida em dois módulos. No primeiro momento, a aula será teórica, sobre o livro "O Patrimônio Construído", do próprio Mascaro, que revela um conjunto de cerca de 500 imagens das 100 mais belas edificações tombadas pelo IPHAN no Brasil.

O segundo módulo será constituído de exercício prático. A partir de discussões sobre o livro, os alunos deverão realizar um ensaio fotográfico tendo como pano de fundo o patrimônio histórico e arquitetônico do Recife e seus arredores.

O investimento é de R$ 330, a vista. Integrantes da Associação de Fotógrafos Fototech tem 15% de desconto.

Arte Plural Galeria
Rua da Moeda, 140 - Bairro do Recife.
Fone: 3424.4431.

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3 de jun de 2009

AGENDA CURITIBA: A Paris de Wlater Firmo, no Carrefour.


Foto: Walter Firmo.

Com dados do Bem Paraná.

Entre 5 e 25 de junho, quem é ou está em Curitiba, poderá conferir Paris pela perspectiva de Wlater Firmo. A mostra Paris Parada Sobre Imagens, estará aberta o público na Galeria Comercial do Carrefour Champagnat.

São quinze fotografias, no formato 0,80 m x 1,00 m, - tiradas entre 1983 e 2007. Durante esse período, o fotógrafo já esteve na capital francesa por várias vezes, mas em 1999 viveu lá por seis meses consecutivos, o que lhe permitiu um outro olhar sobre a cidade.

"Fagueiro como um pinto no lixo, vivi a reconhecê-la e verificá-la em seus cantos, ruas, avenidas, becos e artérias sem saídas, no afã em descobri-la na sua integridade pessoal e psicológica, isto é, verificando seus habitantes e sua paisagem", diz Firmo.

A Mostra é itinerante e faz parte da programação da rede para o Ano da França no Brasil.

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Fotos inéditas de Marilyn Monroe são descobertas e estão on-line


Foto: Ed Clark/Time & Life Pictures/Getty Images. Agosto de 1950.

A dica veio do blog jornalismo e internet.

Um clássico, ou um mito tem sua força justamente no fato de poder ser sempre revisitado. No caso, Marilyn Monroe é tudo isso e pertence a iconografia do século XX.

A revista Life, no processo de busca dos acervos para digitalização das fotografias, encontrou um material inédito, por mais de 50 anos referente a atriz. Marilyn, que, fosse viva, teria completado 83 anos na última 2a feira, pode ser vista aqui, antes da fama.

Esse tipo de "descoberta" vai ser um fenômeno cada vez mais comum. Com a consolidação das tecnologias de digitalização, os acervos esquecidos em caixas e porões estão sendo sistematizados, organizados e servido de documentação e fonte de pesquisa iconográfica.

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2 de jun de 2009

Fotografia pra gente grande...


Foto: Fred Conrad.

Quem já teve a oportunidade sabe muito bem o que é fotografar em grande formato. Uma elaboração muito mais cuidadosa da imagem, uma necessária visualização detalhada do que se pretende, o domínio minuncioso dos aspectos ópticos e o resultado, uma imagem de inigualável qualidade com imenso poder de captura de detalhes.

Se a fotografia digital advoga em prol da automação de processos e da velocidade de produção, o grande formato vai na direção contrária. Rapidez é legal, mas a "lentidão" do grande formato pode ser melhor ainda! É exatamente essa a perspectiva explorada no ensaio que está no blog Lens, do (de novo!!!) The New York Times. A idéia é que, justamente por ser delicado e meticuloso, o processo de fotografar em grande formato transforma a lentidão em vantagem, dando tempo para a elaboração e visualização do que se quer obter.

Mais que uma opção técnica, o grande formato tem um efeito quase pedagógico em quem fotografa. Liberar a atenção da noção de instantâneo e se concentrar no aspecto composicional da imagem é certamente a principal diferença das cameras mais leves e ágeis, como as reflex digitais.

No ensaio, o fotógrafo Fred Conrad faz toda uma descrição do seu processo criativo usando uma "formatão". Vale a pena conferir.

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