3 de fev. de 2010

Paraty em foco define tema para edição de 2010.

Em reunião de pré-produção, ocorrida em 21 de janeiro, o Conselho Curador do Paraty em Foco 2010 definiu o tema da 6ª edição do festival, que acontece de 14 a 19 de setembro: “Inventários da Terra”.

mais detalhes, aqui.

Fonte: blog do Paraty em Foco.

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28 de set. de 2009

Paraty em Foco: Loretta Lux é boa de se ver.

Fala de encerramento da noite do Paraty em Foco. Loretta Lux, era super esperada. Capa do cartaz, fotos de sua autoria estampavam generosamente o material de divulgação do Paraty em Foco 2009. estrela do festival, e com comportamento idem.

É necessário um desvio aqui. A obra e o autor. O trabalho de Loretta continua diferenciado, com suas crianças meio assustadoras, meio frágeis. Retratos entre a inocência, pela pequenez e força da infância contida nos seus retratos e desconforto, pelo inevitável estranhamento que as imagens causam. Baseado em diversas referências da história da arte, como o Barroco, o manieirismo a obra de Goya, e por ai vai, Loretta tem o mérito de inovar o percurso da fotografia em um dos seus gêneros mais estabilizados: o portrait.

Meticulosíssima, a artista-fotógrafa de Dresden, Alemanha, caminha em passo armado entre a pintura, a fotografia e a tecnologia digital, artificializando o figurativo, porém mantendo o aspecto iconográfico da fotografia. O resultado é ao mesmo tempo, uma nostalgia de uma inocência utópica, ideal, não concreta e a perda do paraíso da infância.

Tudo isso pode ser percebido no seu trabalho. Vale conferir o material que a revista de arte Santa publicou sobre Loretta.

Quanto a fala, bem. A moça é reservada. Não quis ficar em Paraty, não quis dar entrevista nem ser fotografada (o que, obviamente acatamos!), entrou com um texto escrito em inglês para ser lido com um forte sotaque alemão e traduzido para português em outro texto escrito. Laudatória, racionalista, burocrática. Funcionou no melhor esquema: assista uma entrevista, ganhe uma aula de história da arte e, de brinde, saia com sono (o que, aliás, ocorreu as pencas). Foi mais de uma hora de texto, sem interação, sequer emocional. Fria, do mesmo modo como estava fria Paraty naquela noite. Ficamos até o final, na hora das perguntas e bate-papo com o público.

Perguntas. Respostas. Por escrito. Prevenida e milimetricamente planejada, Loretta não da chances ao imprevisto. Detesta surpresas, mesmos as boas. Como já imagina o que se pergunta, já tem tudo escritinho em forma de resposta. Para ser lido.... Ufff.... Chato, tudo muito chato.

Loretta tem base, coerência, fundamentação, domina os conceitos, tem um tom acadêmico (que pessoalmente gosto), sabe de história da arte, coloca tudo no lugar certinho, faz um tremendo trabalho.

É boa de ser ver. E só.

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Paraty em Foco: Ler o invisível a partir da cobertura do visível.


Fotógrafos no Poder: Mesa animada e rica de informações.

Na noite da entrevista "fotógrafos no poder" a mesma estava sendo pressionada pelo tempo, para não atrasar a performance da estrela do festival, Loretta Lux. Questões de agenda à parte, quem experienciou a fala de Orlando Britto e Lula Marques, mediada por Milton Guran e Sérgio Branco, saiu da Casa de Cultura de Paraty com a nítida impressão que o bate-papo poderia ser ainda melhor, se não tivesse sido podada pelo tempo.

Segredo da coisa? Falar de poder, mas pelo viés dos bastidores e decompondo a construção das imagens. Orlando Britto, num portfólio belíssimo e brilhantemente organizado, deixa claro qual são as suas opções de vincular o estético ao informativo da notícia. Percebe-se uma nítida vinculação entre o que Brito, veterano da coberturta dos corredores do poder de Brasília, estabelece entre o valor-notícia do que cobre e como ele fotografa.

"A fotografia tem um que de premonitório", afirma Brito. Sem dúvida, passeando pela sua apresentação tem-se um panorama da história política do Brasil, dos últimos 30 anos, bem como do nosso próprio fotojornalismo.

Valeu a importância da presença de Milton Guran na mediação. Ele próprio fotojornalista, antes de ser pesquisador e professor, falou com Brito e Lula Marques com conhecimento: de causa e das pessoas a quem se dirigia.

Quando a conversa chegou em Lula Marques, a cama feita por Orlando Brito serviu para apoioar de modo mais consistente a contemporaneidade do olhar de Lula. Na sua apresentação, a cor, a camera ágil, o enquadramento dinâmico, por vezes nervoso, dá o tom de um país em transformação, em um pulso que o fotojornalismo pode acompanhar e, de modo atento, dar o diagnóstico.

"A fotografia é uma linguagem muda" . Em algum momento da entrevista essa frase surgiu como um acrônimo, uma síntese do que foi visto naquela conversa. Surgiu como uma amostra que o que e como se vê, no caso da foto de notícia, vai encontrar seu verdadeiro significado tempos depois. É muda, porém não é silenciosa.

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Paraty em Foco: Francesco Zizola - "o fotojornalismo já nasceu morto".


Zizola entre Simonetta e o Garapa: fotografia que nasce da proximidade.



Paraty em Foco, hora de falar em Fotojornalismo com o premiado Francesco Zizola. Na entrevista com Simonetta Persichetti e o coletivo Garapa, Zizola numa demostração de respeito ao público, opta por falar em português e começa ironizando a crise do fotojornalismo "o fotojornalismo já nasceu morto", disse, se referindo a recorrência com que esse tema volta à tona no meio fotográfico de tempos em tempos.

A fala de Zizola foi também muito esclarecedora no sentido de como ele se coloca nas coberturas. Procuro sempre me envolver com as pessoas, com o assunto que abordo. Isso é particularmente sensível na exibição do material do próprio Zizola, Born Everywhere, resultado de 13 anos de reportagens sobre crianças ao redor do mundo.

"Vendo as imagens para a mídia, para pautar a questão da infancia", afimou Zizola, alertando que os grandes temas estão ai, e podem ser tratados visualmente em aliança com a cobertura dos meios. No entando, o fotógrafo italiano reafirmou "não vendo fotos em que haja sofrimento, dor ou questões polêmicas para o mercado de galerias, não gostaria de ter uma foto na parede de alguém ou de uma galeria com alguém sofrendo, não gostaria de ganhar dinheiro assim". Para este setor, o fotógrafo afirma ter uma material específico.

Houve quem criticasse a postura do romano Zizola. "Ele fotografa tudo, em qualquer lugar, sempre do mesmo jeito, estetizando"... Humm... onde será que já ouvi isso antes? 8 prêmios WPP, 4 pictures of the year dão a resposta.

Em um mundo cada vez mais permeado por diferenças e porosidades, o fotojornalismo, sempre que bem feito, sempre terá lugar.

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25 de set. de 2009

Paraty em Foco, Dia 3: Encontro rápido...

Encontro rápido com Simonetta Persichetti, em meio a fria noite que se promete. Perguntei para ela, diretora do belo filme "encontros com a fotografia", o que ela percebe como sendo o fundo comum da fotografia brasileira.

- "O documental. Não tem jeito, ele influencia vários regimes de registro. É uma bagagem que a fotografia brasileira vai carregar por muito tempo, talvez para sempre".

Profecia ou diagnóstico? Vale conferir o filme e refletir sobre o assunto.

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Paraty em Foco, Dia 2: Lost Art, fotografia como estilo de vida.


Lost Art: Dupla, casal e coletivo fotográfico.


Entrevista em tom relax, de bem com a vida, despachada. O bate-papo com a dupla do Lost Art, Ignácio Aronovitch e Loise Chin, foi tudo isso e ainda inovou: Clicio Barroso, adotou mediar a entrevista com perguntas que foram coletadas via internet em um momento prévio.

Para entrevistar um coletivo fotográfico, perguntas em coletivo...

Além do tom "fotografia como estilo de vida", onde tudo é fotografado, sendo depois, pensado editado em dupla, o debate valeu por ajudar a compreender a área porosa presente em todo coletivo fotográfico: o limite entre a ação de autoria, individualidade e o projeto em grupo.

Em meio ao que se detectou como sendo uma tendência dos coletivos à uma certa pasteurização do tratamento dos temas e da edição do material, o Lost Art escapa dessa cilada por propor uma produção bem diversa, variada e muito original.

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Paraty em dia frio.


Foto: Afonso Jr.

Sexta feira. Cais de Paraty, fim de tarde. Foto em Cinza e Rosa, Frio, muito frio.

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Paraty em foco, dia 2: fotografia pernambucana em debate


O time da fotografia pernambucana no Paraty em Foco.

Mantendo o tom "em busca da cara da fotografia brasileira" o segundo dia do Paraty em Foco abriu com a mesa temática da fotografia pernambucana. Já na abertura da mesa, Juan Esteves colocou o tom "o Paraty em Foco estava cansado do sotaque carioca e paulista" se referindo a necessidade de se diversificar o festival e permanecer atento a novas matrizes criativas espalhadas pelo país.

Isso não é pouco. Pela primeira vez na história do festival, um estado do país tem uma mesa específica e uma noite de projeções, além da ida da Arte Plural Galeria, que literalmente, montou uma "filial" durante o evento, com exposição de material de fotógrafos pernambucanos.

Na conversa: Pio Figueiroa, Alexandre Belém, Eduardo Queiroga, Luciana Cavalcanti, Rodrigo Braga e Mateus Sá. O percurso recente da FotoPE foi ilustrado, vinculando-se a ações - semana de fotografia, galerias, políticas de fomento - nomes históricos, o surgimento das primeiras agências de imagem do estado - imago, lumiar - ainda nos anos 90.

Na fala da mesa e no debate, o que surgiu como destaque em relação à fotografia pernambucana foi a articulação, lembrada por Rodrigo Braga, em um nível político, que envolve ações como a gerência e a semana da fotografia. Esse aspecto foi retomado por Alexandre Belém quando ele citou a sintonia entre fotógrafos, meios institucionais, faculdades e universidade atrelados em torno do interesse da fotografia como sendo o ambiente que compõe a cena fotográfica atual.

É interessante, todavia, mapear o tom das falas, que, sem pretender ser conclusivo, aponta para uma possível resposta: o que caracteriza a fotografia pernambucana é menos um viés estético comum, do que um movimento estabelecendo-se entre articulação, visibilidade da produção e ações em rede. Uma busca de organização em conjunto, buscando os espaços e contextos produtivos por onde possa escoar a produção da fotografia pernambucana.

É, de certo modo, uma dinâmica balanceada, entre o que se identificou no debate como sendo um "ato heróico", segundo Pio Figueroa, de se buscar uma circulação diferente de outras épocas; e um "controle da ansiedade" de se mostar a produção de modo consolidado, colocado na intervenção de Fernando Neves.

Vale apontar, ainda, que o debate, em alguns momentos, sofreu um pouco devido ao tom auto-referente, onde contextos que são assimilados localmente, e de modo dado, mereceriam uma contextualização mais precisa.

Mas o balanço é positivo: a fotografia de Pernambuco está posta no mapa da visibilidade. Agora e manter o fluxo, alias, ampliar.


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24 de set. de 2009

Paraty em foco - I


Abertura do Paraty em Foco 2009. Na agenda: a fotografia brasileira.


Quinto Paraty em foco, sem dúvida, a melhor conjuntura possível para tomar o pulso da fotografia brasileira contemporânea em um único evento, de 5 dias. De quebra, interagir com parte do que se está fazendo de importante no exterior. Noite de abertura, um tom claramente mapeou uma perspectiva do evento.

Na noite de abertura, exibição do filme inédito "Encontros com a Fotografia" dirigido e coordenado pela curadora e crítica de fotografia Simonetta Pesichetti. O filme é muito bonito e bem editado, em nenhum momento cansativo. É movido pelo mote dos 40 dos mais importantes fotógrafos brasileiros da contemporaneidade que passaram pela galeria da FNAC na última década. Foi a FNAC que patrocinou a realização do filme.

O resultado? Tem o grande mérito de fazer um panorama do que pode ser a fotografia hoje no Brasil. Numa leitura mais subjetiva, pode ser assimilado como uma busca de uma identidade fotográfica brasileira. Este percurso é feito em paralelo a definições de questão de autoria, da fotografia documental, de como o digital se incorpora à rotina de trabalho e muitas outras ponderações que simultaneamente propõem o subtexto: pode-se falar em uma cara para a fotografia nacional?

Esse foi um assunto também presente na entrevista que Simonetta fez após a exibição, com Miguel Chikaoka (Belem-PA) e Thiago Santana (Juazeiro-CE). Para Thiago Santana "é uma fotografia pulsante, em busca de espaços". Já Chikaoka atrelou essa busca de definição de uma certa fotografia à necessidade de educação e aprendizagem do visual e do olhar.



Abertura do Paraty em Foco: Simoneta Persichetti entrevista Thiago Santana e Miguel Chikaoka.


Esse tom é positivamente sintomático justamente em um festival que abre um espaço para a produção da fotografia regionalizada (principalmente a pernambucana), sobreposta ao fato de ter na abertura um filme que também se debruça sobre o assunto na escala brasileira e, por fim, tem esse tom mantido na estrevista de abertura!

Amanhã o autofoco sai a campo para verificar o que essas e outras tendências reverberam.
Durante o festival, e depois também, o AutoFoco vai ficar soltando o que viu, entrevistou e percebeu como tendências presentes nos debates e conversas.

E isso foi só o primeiro dia...

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23 de set. de 2009

No rumo a Paraty


Foto: Afonso Jr.

Na origem, o Rio de Janeiro.
no Destino, Paraty.
Na janela, por mais de duas horas, mar e montanha.
No ouvido, João Donato.

AutoFoco na estrada!

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1 de jul. de 2009

Pernambuco no Paraty em Foco

Vale conferir a generosa abertura de espaço que Clicio Barroso fez no seu blog abordando a presença da "missão" da fotógrafia pernambucana no Paraty em Foco 2009.

O texto "Pernambuco em foco" tem o mértio de situar bem o momento positivo da fotografia no estado de Pernambuco. De quebra, faz uma rápida retrospectiva, citando a importância de "seu" Alcyr, do pioneirismo da Imago nos anos 90 (valeu Breno, pela correção! tinha posto anos 80 na versão anterior do texto!!!), da Lumiar, e ilustrando as ações mais recentes, como os coletivos que estão atuando, os fotógrafos mais ativos, os cursos que estão em andamento, e claro, os blogs produzidos sobre fotografia.

Além do texto de Clicio, o interessante é perceber que a cena atual da fotografia em Pernambuco acontece em rede, com ações envolvendo galerias, fotógrafos e universidades. Sem esquecer da semana de fotografia, que necessita se consolidar definitivamente como política cultural permanente da cidade/estado no sentido de consolidar o modo interdependente e complementar das diferentes iniciativas em prol da fotografia.

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27 de jun. de 2009

Paraty em Foco 2009. Site no ar.


O mais consolidado encontro de fotografia do Brasil, o Paraty em Foco, já está com a versão 2009 em fase de aquecimento. O site da 5a. edição já está no ar, com programação, oficinas, palestras e entrevistas que irão ocorrer, em setembro, na histórica Paraty/ RJ.

Este ano Flickr, Youtube e blogs vão criar camadas de cobertura sobre o evento. O flickr já está instalado, com ensaios de convidados. No site também tem vídeos e inscrições abertas para as oficinas.

Para quem quer se interar, vale conferir. Para quem pretende ir, obrigatório.

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1 de jan. de 2009

Araquém Alacântara abre seqüência 2009 de exposições da Galeria Zoom em Paraty


Foto: Araquém Alcântara


O Fotógrafo Araquém Alcântara abre com a exposição Brasileiros a temporada 2009 de exposições da Galeria Zoom de Paraty, já no ambiente de preparação para o 5º Festival Internacional de Fotografia de Paraty, o Paraty em Foco.

De 27 de dezembro de 2008 a 8 de março de 2009, Araquém apresenta 30 fotografias que estão no livro de mesmo nome, lançado em 2004. Por sua vez, neste trabalho, o fotógrafo explora o senso de identidade nacional do homem brasileiro. Percebe-se nesta obra de Araquém um viés político, contudo, preservando o olhar contemplativo e até certo ponto vinculando homem e natureza, estabelecendo assim, uma continuidade com os temas que normalmente fotografa.

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