28 de set. de 2009

Paraty em Foco: Francesco Zizola - "o fotojornalismo já nasceu morto".


Zizola entre Simonetta e o Garapa: fotografia que nasce da proximidade.



Paraty em Foco, hora de falar em Fotojornalismo com o premiado Francesco Zizola. Na entrevista com Simonetta Persichetti e o coletivo Garapa, Zizola numa demostração de respeito ao público, opta por falar em português e começa ironizando a crise do fotojornalismo "o fotojornalismo já nasceu morto", disse, se referindo a recorrência com que esse tema volta à tona no meio fotográfico de tempos em tempos.

A fala de Zizola foi também muito esclarecedora no sentido de como ele se coloca nas coberturas. Procuro sempre me envolver com as pessoas, com o assunto que abordo. Isso é particularmente sensível na exibição do material do próprio Zizola, Born Everywhere, resultado de 13 anos de reportagens sobre crianças ao redor do mundo.

"Vendo as imagens para a mídia, para pautar a questão da infancia", afimou Zizola, alertando que os grandes temas estão ai, e podem ser tratados visualmente em aliança com a cobertura dos meios. No entando, o fotógrafo italiano reafirmou "não vendo fotos em que haja sofrimento, dor ou questões polêmicas para o mercado de galerias, não gostaria de ter uma foto na parede de alguém ou de uma galeria com alguém sofrendo, não gostaria de ganhar dinheiro assim". Para este setor, o fotógrafo afirma ter uma material específico.

Houve quem criticasse a postura do romano Zizola. "Ele fotografa tudo, em qualquer lugar, sempre do mesmo jeito, estetizando"... Humm... onde será que já ouvi isso antes? 8 prêmios WPP, 4 pictures of the year dão a resposta.

Em um mundo cada vez mais permeado por diferenças e porosidades, o fotojornalismo, sempre que bem feito, sempre terá lugar.

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25 de set. de 2009

Paraty em Foco, Dia 3: Encontro rápido...

Encontro rápido com Simonetta Persichetti, em meio a fria noite que se promete. Perguntei para ela, diretora do belo filme "encontros com a fotografia", o que ela percebe como sendo o fundo comum da fotografia brasileira.

- "O documental. Não tem jeito, ele influencia vários regimes de registro. É uma bagagem que a fotografia brasileira vai carregar por muito tempo, talvez para sempre".

Profecia ou diagnóstico? Vale conferir o filme e refletir sobre o assunto.

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9 de set. de 2009

Christian Poveda é assassinado em El Salvador



A notícia apareceu no Blog do Festival de Perpignan e depois em vários blogs e sites, inclusive no Lens. Christian Poveda, fotógrafo e documentarista franco-espanhol foi assassinado em El Salvador. Seu corpo foi achado no último dia 3, no norte da cidade de San Salvador.

Autor independente do documentário e especializado em América Latina, assinou artigos em diversas publicações de prestígio, como El País, L'Observer, New York Times, Paris Match, Stern ou Time Magazine.

Atualmente registrava a vida dos Maras, gangues hiperviolentas e globalizadas, que entranham-se em vários países da américa latina. No fim deste mês, estréia a "Vida louca", um longa metragem de 90 minutos, justamente sobre os Maras (ver cartaz abaixo).



O documentarista nunca deixou de carregar sua máquina fotográfica, com a qual fez reportagens sobre o Sendero Luminoso no Peru, a queda de Ferdinand Marcos nas Filipinas, ou as touradas. O assassinato está sendo investigado e acompanhado pela imprensa internacional.

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31 de mar. de 2009

Moradores de favelas lançam livro com fotografias do cotidiano



O projeto 'Viva favela' reúne 50 fotos do cotidiano de diferentes favelas. Fotografias foram expostas em galerias de Nova York.

Ao longo de oito anos, sete moradores de favelas do Rio, Niterói, na Região Metropolitana, e da Baixada Fluminense, clicaram mais de 50 mil fotos das comunidades carentes em que vivem e que frequentam. O resultado do trabalho desses correspondentes comunitários, gente que foi capacitado pela ONG Viva Rio para atuar como fotógrafos e jornalistas, é o livro “Viva Favela”.

Com cerca de 50 fotografias, as alegrias, dificuldades e o lazer dos moradores das favelas do Rio de Janeiro. O resultado repercutiu nos EUA, onde o professor Peter Lucas, membro da New York University e da The New School University, que fez um texto para o livro.

De acordo com Rubem César Fernandes, diretor executivo da ONG Viva Rio e um dos criadores do Viva Favela, o projeto tem como objetivo mostrar um olhar não estereotipado da vida nas comunidades cariocas.

O evento de lançamento da coletânea terá ainda a exposição de fotos premiadas no Open Society Institute Documentary Photography Distribution Grant, título conquistado pelo Viva Favela no Estados Unidos, em 2005 .

Confira a repercussão do trabalho na imprensa portuguesa.

Outras fotos do acervo do projeto podem ser conferidos aqui.

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28 de mar. de 2009

Big Picture: combate as drogas no México.


Foto: Jorge Dan Lopez para a Reuters.

Esse ensaio do Big Picture merece ser conferido.

Por dois motivos. O primeiro, claro, por oferecer imagens que se situam entre um limite bastante curioso: entre a cobertura policial e militar, de guerra. As imagens são fortes, mas nada que choque muito mais que a cobertura fotográfica-policial da realidade brasileira.

O outro fator interessante a ser notado é o viés da cobertura. O problema das drogas é situado, através da edição, como ligado à dinâmica da fronteira com o México e o afluxo de imigrantes ilegais. É certo que isso pode corresponder ao que acontece. Mas senti falta de, no ensaio, ser contemplado 'o outro lado' da fronteira, ou seja, os EUA e as motivações que levam ao problema do narcotráfico.

Isso mostra que, tratando-se de fotojornalismo, o enquadramento do assunto em relação ao contexto assume uma importância imensa. Além, claro, da qualidade plástica e estética das fotos e do processo de edicão. Fica o exemplo de um material que sofre pela perspectiva unilateral de como foi construído, o que não deixa de ser um problema ético.

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24 de mar. de 2009

Fotografia e memória em debate no Maranhão.

Está acontecendo em São Luis - Com o objetivo de discutir a fotografia no Maranhão, até a quinta-feira, na Faculdade de Arquitetura (Praia Grande), o ciclo de debates Fotografia e Memória: história e políticas públicas no Maranhão. Serão palestras, mesas-redondas, oficinas e conferências cuja finalidade é elaborar propostas para o desenvolvimento tanto da fotografia, quanto do audiovisual no estado.

Para abrir o evento, o professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Alexandre Corrêa, irá proferir a conferência A Fotografia na Preservação da Memória Sociocultural, às 19h.

Amanhã, terão início as oficinas Técnicas de Preservação de Acervos Fotográficos, ministrada por Francisco Ottoni das 8h às 10h; e Fotografia e Cultura Popular: experiência de um reencontro, com Murilo Santos, das 14h às 16h.

A seguir, das 17h às 19h, acontecerá a mesa-redonda História da Fotografia e Fotografia na História: Representação e Memória Fotográfica do Patrimônio Cultural com Alexandre Corrêa (UFMA), Kátia Bogea (Iphan), Ananias Martins (Uema-Secma); Frederico Burnett (Fau/Uema), José Reinaldo Martins (UFMA) e Jeovah França (Secma). Este último ministrará também a palestra O Museu da Imagem e do Som do Maranhão: proposta de trabalho, das 10h30 às 12h.

No último dia do evento, o professor Eugênio Sávio (PUC/MG) coordenará a oficina Fotojornalismo e Memória, que acontece das 8h às 10h. Depois será montada a mesa-redonda Fotografia Contemporânea no Maranhão: Fotojornalismo, Publicidade e Trabalho Autoral, com os fotógrafos Edgar Rocha, Brawne Meireles, Airton Vale e os professores Eugenio Sávio, Francisco Armond (Fau/Uema) e Adalberto Rizzo (Secma/UFMA).

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