25 de jan de 2010

São Paulo 456 anos. Uma cidade e sua gente, no Estadão.



Existe a chance criada e a oportunidade perdida. São duas variantes de como se pode agir diante do acaso, da oportunidade.

Vamos lá: idéia legal. Aniversário de São Paulo, 456 anos. O estadão cria um mote sensacional: A cidade e sua gente. 25 pessoas cujo cotidiano é entremeado pelo fluxo da cidade.

Até ai tudo bem. Mas, quando vamos conferir, o espaço para a fotografia, que é a chamada do material... cadê? É só texto. Material que poderia ter rendido muito mais fazendo/ mostrando os portraits dos mesmos personagens e suas atividades.

Isso é, ao mesmo tempo, a chance criada e a oportunidade perdida. Impossível não lembrar/ comparar com o one in 8 million do qual já falamos aqui no ano passado.

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24 de jan de 2010

Unilateralidade e dependência informativa. As agências de imagem e o Haiti

Uma das leis mais sólidas da relação entre jornais e agências de notícias/ imagens é que quanto mais dependente um veículo está dessas fontes, mais unilateral é a cobertura e, consequentemente, a construção da realidade.

Da teoria à prática. 4 exemplos. Terremoto no Haiti e o agendamento internacional do fato.







Acima: Temos capas de veículos do Brasil, Inglaterra e Canadá. Todos redundando a mesma foto.
Falta de imaginação? Acomodação? Não é tão simples assim. O jornalismo opera acionando alguns códigos no seu regime de construção. Lançar mão de fotos que sejam síntese de um fato é um desses recursos.

Os 4 exemplos acima são um exemplo disto e também uma possibilidade de entender o fotojornalismo sob as luzes da prática jornalística, além das possibilidades estéticas envolvidas na fotografia.

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NatGeo, memória e informação digital.

Idéia simples e redonda.

120 anos de National Geographic em um HD de 160gb.

Preço? Nada do outro mundo. 199 dólares.
Trata-se de um dos acervos iconográficos mais valiosos, publicado de modo contínuo há mais de um século. Obrigatório para compreender melhor a dimensão e história da revista e do fotojornalismo.

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22 de jan de 2010

Washington, 1 ano depois.

Do agendamento vive a imprensa. No atual momento de exposição monotemática sobre a tragédia do Haiti, o lens disponibiliza uma curiosa crítica.

A concepção de Luke Sharrett no micro ensaio "Same Time, Last Year" foi voltar a Washington DC um ano após a festa de posse de Obama. Evento massificado, cheio de celebridades na frente e atrás das cameras.


Fotos: Luke Sharrett

Idéia simples e contundente. A camera no mesmo local, eixo e enquadramento de um ano atrás. Há a onda, o pico, os epicentros de eventos. Mas há o cotidiano também, o comum, o banal.

Dessas duas dimensões, podemos entender mais claramente como as imagens do mundo lá fora, criam imagens mentais e representações da realidade construída.

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Rumores para 2010.

Essa dica serve para quem curte os bastidores da indústria fotográfica, ou está ligado no que vai ser lançado a fim de não perder uns cobres ao investir em pacotes tecnológicos prestes a saírem de linha.

Está no Photo Radar. É um bem-humorado top 10 dos rumores do que pode ocupar as prateleiras e websites de vendas de material de fotografia neste ano. Vale conferir. Algumas coisas são bem plausíveis.

Tipo do site bom para verificar, ao chegar em 31 de dezembro de 2010, se colou o que eles previram.

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Olhos não se compram. Wim Wenders pagando de garoto propaganda da Leica.

Lá nos meados dos anos 1970, antes de ser famoso, Wim Wenders, cineasta do então "novo cinema alemão" fez um filme chamado "O Amigo Americano". No filme, havia uma crítica a eterna tensão entre a produção artística e o mercado. Um marchant, ansioso por ver um artista emergente produzir mais, pressiona-o veementemente.

Três décadas e meia depois encontramos o mesmo Wenders exaltando as já lendárias e conhecidas qualidades embutidas em uma Leica, agora digital, no caso do filme, uma M8. Veja o filme abaixo. Tá no youtube.





Trecho do diálogo entre pintor e marchand, no filme lá dos anos 70:

- O pintor: Bem que eu gostaria de pintar e vender mais. Mas um artista não tem olhos apenas pro dinheiro e sim para ter uma visão do mundo precisa e nova.

- O marchand: Mas eu sou um homem sério. isso aqui (balançando um punhado de dólares) não lhe parece sério?

- O pintor: Tome cuidado, Olhos não se compram.

Minimamente estranho ver quem pensava assim aparecer vendendo a idéia de uma Leica como extensão do olhar.

Ou foi o mundo que mudou?

Ou foi o Marketing que cresceu?

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19 de jan de 2010

AGENDA SÃO PAULO: gUi Mohallem em workshop.




Depois de quase 3 anos de dedicando exclusivamente à sua pesquisa pessoal, gUi Mohallem volta às salas de aula para um curso no b_arco.

Durante as 8 horas do curso, os alunos vão desvendar os mistérios da luz e da fotografia a partir de experiências desenvolvidas durante os 3 anos que gUi lecionou no Instituto Criar de Tv e Cinema.

"Eu não vou te dizer que misturando vermelho com verde dá amarelo, essas coisas a gente precisa VER, vivenciar", diz Mohallem

O workshop acontecerá no dia 06 de fevereiro, no Centro Cultural b_arco.
Rua Dr. virgílio de Carvalho Pinto, 426

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Inscrições:
11 3081 6986
contato@obarco.com.br


Mais sobre Gui em:
Mais sobre ele em:

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15 de jan de 2010

Haiti, no Big Picture


Foto: Damian Dovarganes. AP.

Primeira grande tragédia da nova década. Vale conferir as chocantes imagens que o Big Picture copilou sobre os tremores de terra no Haiti. Para quem tem estômago e não tem medo de coisa feia.

Enquanto isso, o Consul do Haiti no Brasil, analisa os prós e contras do evento. Numa clara demonstração de pragmatismo diplomático. Confiram também. Segue trechinho da declaração dele:

"A desgraça de lá está sendo uma boa pra gente aqui, fica conhecido", disse o cônsul. "Acho que de, tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá f...", completa Antoine. "

É lamentável.

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Primeiro Post de 2010 - Terremoto no Haiti e imagens falsas da tragédia.

Ainda estou de férias, mas aos poucos voltando à postar...

Estava em casa, fim da tarde desta 5a. feira, quando o Telefone toca, do outro lado da linha é o jornalista Valmar Filho, do Jornal A Tarde, de Salvador/BA.

Ele queria saber minha opinião como pesquisador sobre o que tinha ocorrido.

O que tinha ocorrido?

Vamos, lá: em meio a hiper-tragédia do Haiti (que se soma às tragédias políticas, humanitárias e sociais que o mesmo país tem passado), circularam fotos de outros terremotos. A confusão, segundo o jornalista da Tarde, é que as imagens foram repassadas por agências como oriundas de celulares de pessoas que fotografaram os acontecimentos no Haiti in loco.

Em meio à avalanche de imagens, haviam fotos dos terremotos da China que foram "plantadas". Alguns órgãos de imprensa caíram na mega-pegadinha. A Tarde, inclusive. Segue abaixo reprodução da primeira página, que ilustra os escombros resultantes dos tremores do Haiti com uma foto que, na verdade, é do terremoto da China, de 2 anos atrás.


Primeira página do jornal A Tarde de Salvador. 14.01.2010.
Foto do terremoto da China, de 2008, como sendo do Haiti, de 2010.


Minha modesta opinião: Esse tipo de problema se dá dentro de um quadro complexo. Primeiro, todos tem, atualmente, uma câmera no bolso, acoplada a um celular, que também é um dispositivo de internet. Monta-se assim, o circuito: imagens digitais circulam em espaços cada vez mais amplos, com mais rapidez e facilidade.

Segundo: a cultura das redações sempre foi impulsionada de modo à ver na velocidade com que se publica um fato, um valor-notícia. Reduzir ao máximo o ciclo de publicação, sincronizando aos acontecimentos é a própria razão competitiva do jornalismo. Ao se somar essa característica da imprensa à uma rede de dados hiper capilarizada e instantânea, temos outro ingrediente: ser rápido é, por vezes, tão importante quanto ser preciso.

Terceiro: o terremoto acontece em um mês geralmente fraquíssimo de notícias: Janeiro. Isso aumenta a relevância do fato e atenua ainda mais os cuidados necessários à pratica jornalística. Em outras palavras: checar informação em mais de uma fonte, fotográfica, inclusive, é procedimento cada vez mais recomendado em tempos de redes digitais, mobilidade, tempo real, onipresença.

Quarto: Fatos que ocorrem em locais distanciados colocam órgãos de imprensa em uma posição de dependência unilateral das agências de notícias e de imagens, como a Reuters, AFP, AP, etc. Fica muito difícil conferir a veracidade.

Montado o cenário, está explicado o que ocorreu. Solução? Ampliar ainda mais a formação e competências necessárias à formação de fotógrafos e jornalistas capazes de entender a extema complexidade da formação da cadeia de notícias atual.

NOTA: Este texto está sendo publicado apenas na 6a. feira, 15 de janeiro, respeitando o jornal A Tarde, que detectou previamente no dia 14.01 o ocorrido. Por isso acreditamos que, a prioridade do relato do engano, da respectiva correção, e publicação da errata cabe ao Jornal.

ATUALIZAÇÃO EM 16 de Janeiro. >> TEXTO DA TARDE:

Foto publicada na quinta-feira, (14/01), em incontáveis jornais e sites do Brasil e do mundo para ilustrar a matéria sobre o terremoto ocorrido na última terça no Haiti é falsa. A imagem, na verdade registra um sismo ocorrido em maio de 2008, na China. O material fotográfico foi distribuído pelas agências de notícias AFP e EFE e reproduzidas em meios de comunicação em diversos países. O autor da descoberta da fraude foi o jornalista Marcelo Rech, diretor da RBS – rede de comunicação gaúcha responsável pela edição do jornal Zero Hora, que publicou a fotografia na página 3 da edição de quinta. “Desconfiei da imagem e lembrei que tinha visto a mesma foto no Dailly Telegraph, em janeiro, numa matéria sobre o terremoto na China. Coloquei ‘Earthquake (terremoto) China’ no google imagens e estava lá”, disse. Rech conta que até quinta, à noite, diversos veículos, a exemplo dos respeitáveis Washington Post e Daily News, não haviam percebido o equívoco. Inúmeros jornais estamparam a foto na capa da edição de ontem, como o Diário do Comercio (SP), Hoje em Dia (MG), Diário de Natal (PB), A Tarde (BA), Ottawa Citizen (Canadá), El Mercurio (principal jornal do Chile). Outros publicaram a mesma foto com destaque em páginas internas, como Correio (BA) e Extra (RJ). A responsável pelo setor comercial da agência de notícias AFP, Magali Gonzalez, reconheceu que houve erro no envio da fotografia. Fonte: A Tarde.

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14 de jan de 2010

Retrospectiva 2009, Expectativa 2010. Epílogo. Roberta Guimarães.

Nossa Colega, professora e fotógrafa Roberta Guimarães, mandou a sua lista de retrospectivas e expectativas. Chegou no meio das férias, meio no desejo de descanso incondicional. Aproveitamos um breve hiato no descanso e acesso a um computador ligado à rede para dar espaço às observações de Roberta.
Em tempo: os grifos são da própria Roberta. Respeitamos assim sua redação original e, Desde já, agradecendo a colaboração...


Retrospectiva:


- Destacaria o Paraty em Foco pelas diversas palestras apresentadas.

Loreta Lux, com uma verdadeira aula sobre arte. Alexandra Sanguinetti pela intimidade de suas fotos. Além dos trabalhos maravilhosos de Alexandre Sequeira, com sua fotografia altruísta,e Rodrigo Braga com sua abordagem introspectiva. Presença, também, da fotografia Pernambucana no evento, com palestras e com fotógrafos representados pela Galeria Arte Plural.


- Publicação do livro “A fotografia, entre Documento e Arte Contemporânea”, do francês André Rouillé, edição em português.


- PhotoEspanha com a exposição de Annie Leibovitz e a expô Resilência ( dez jovens autores que participaram da edição de 2009 do “Descubrimientos PHE da América Latina ) . A de Leibovitz pela retrospectiva – 1990 – 2005. E Resilência pela novidade de alguns autores no utilização multimídia.


- Avanço da fotografia Pernambucana com mais uma conquista na Fundarpe- criação da Coordenadoria de Fotografia.


- Semana da Fotografia de Recife.. Principalmente pela criação das mesas com autores pernambucanos,dando oportunidade ao público de conhecer a fotografia que se produziu e se produz no estado. Além da palestra, com o fotógrafo carioca Rogério Reis.Que, além de apresentar domínio sobre a fotografia factual, mostrou que está caminhando cada vez mais para a fotografia mais elaborada, mais criativa, com o belíssimo ensaio XIV Bis.


- A galeria Arte Plural, oferecendo cada vez mais espaço para a fotografia Pernambucana.


- Oferta da função de vídeo, de alta resolução, nos aparelhos fotográficos profissionais.


- O prêmio Esso para Arnaldo Carvalho do Jornal do Comércio.


- Exposição “Olhar e Fingir”, fotografias da coleção AUER no MAM em São Paulo.


- Desenvolvimento do meu projeto Brincantes da Mata. Juntamente com as fotógrafas Tuca Siqueira e Rose Gondim acompanhamos, durante um ano, o cotidiano de quatro personagens pertencentes a quatro manifestações culturais do Estado. O projeto se transformará em uma edição conjunta de quatro livros que iremos lançar no primeiro semestre de 2010.


Expectativa :


- Menos “lamentação” e maior participação dos fotógrafos pernambucanos nos editais de fotografia, aumentando a possibilidade de desenvolvimento dos projetos pessoais.


- Mais conquistas para a fotografia Pernambucana.


- Oferta de mais cursos técnicos e teóricos de fotografia pelas instituições públicas e privadas, em Pernambuco.


- Menos preconceito dos fotógrafos em relação á participação dos artistas, que utilizam a fotografia como matéria em seus trabalhos, nos concursos e editais de fotografia . Afinal, o importante é o resultado final, do contrário, a defesa se torna “corporativismo”.


- Essa está um pouco distante, mas,.......aí vai: redução de impostos para equipamentos fotográficos importados.

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