30 de dez de 2008

Para inspirar a noite de ano novo...


Foto: Kirk Marshall.

A smashing magazine traz uma (bela) coletânea de fotos noturnas. Para inspirar quem vai clicar na noite de ano novo. Vale como dica.

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As imagens do ano do NY Times


Foto: Oded Baility/ Associated Press para o New York Times


No clima de restrospectivas do fotojornalismo em 2008, segue mais uma dica: a galeria das imagens do ano do New York Times. É um balanço bem abrangente de 2008 em fotos. Apesar do caráter sempre discutível presente nessas escolhas, vale a pena conferir. As galerias estão organizadas por temas e com muitas imagens. Para ver com algumas horas de reserva.

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Imagens do ano: blog do Boston Globe


foto: Alexander Hassenstein/Bongarts/Getty Images, 2008.


Uma da melhores seleções de imagens do fotojornalismo em 2008 está disponível no blog do Boston Globe, na sessão The Big Picture - News Stories in Photographs. Imperdível, referência para conferir e guardar.

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27 de dez de 2008

Rastreando e reconhecendo manipulações e falsificações nas fotos


A fotografia digital sempre é acompanhada pela sombra da falsificação da imagem. Pois bem: a revista Scientific American disponibiliza um guia prático com técnicas que permitem a identificação de alterações em fotos digitais. O ponto de partida, são as análises que os especialistas realizam para descobrir traços de alterações em fotografias. O artigo é uma complementação prática de outro sobre o mesmo assunto, publicado anteriormente.

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23 de dez de 2008

UNICEF divulga vencedor da foto do ano.



Foto: Alice Smeets.

Uma imagem de uma garota na maior favela de Porto Princípe, no Haiti, ganhou o UNICEF foto do ano. A foto de de autoria da fotógrafa de 21 anos Alice Smeets, da Bélgica.

A Foto é parte da uma série de matérias sobre como se cresce no Haiti, o país mais pobre do hemisfério ocidental. A barra lá é pesada. Metade da população tem menos de 18 anos e 40% das pessoas vivem abaixo da linha da miséria. A foto não deixa dúvidas sobre esse quadro permanentemente dramático.

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Os melhores do ano do Estadão



Foto: Jonne Roriz/ Agência Estado.



O tradicional jornal Estado de São Paulo disponibiliza em seu blog de fotografia uma seleção das melhores fotos de 2008. Chama atenção a "melhor foto do ano", feita por Jonne Roriz, durante os jogos olimpicos de Pequim, na competição em salto em distância feminino, onde ganhou a brasileira Maureen Maggi.







Além de uma descrição minunciosa de como a foto foi obtida, vale conferir também como a câmera tomou um banho de areia vindo direto da caixa de saltos, indo direto, logo em seguida, para o conserto e revisão. Boas imagens tem seu preço...

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Lançamento: CARTIER-BRESSON - O OLHAR DO SECULO


No ano do centenário de nascimento de Cartier-Bresson, vale a pena conferir o denso e preciso trabalho sobre a vida do fotógrafo realizada pelo biógrafo Pierre Assouline. O Olhar do Século foi finalmente traduzido para o português e publicado pela editora L&PM.

O livro foi construído em uma série de entrevistas entre o biógrafo e o fotógrafo, tendo como exigência, por parte de Bresson, que a entrevista não fosse uma só, e sim uma série. O material não é tão novo assim, tendo sido lançado em 2001, em francês, e em 2003, em inglês, um pouco antes da morte de Bresson, em 2004.

De qualquer forma é um documento valioso para a compreensão das concepções fotográficas e estéticas de um dos maiores mestres da fotografia do século XX. O livro vem preencher uma lacuna na bibliografia em português sobre fotografia contemporânea.

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A primeira exposição da magnum: da photokina de 1956, para o livro de 2008.



A Magnum continua a revisitar o seu valioso baú de imagens e reempacotar fotografias em forma de novos produtos. Desta vez, a primeira exposição da agência que revolucionou o fotojornalismo, é lançada/ revisitada em formato de livro.

Magnum's first trata-se da edição do material da agência exiblido publicamente pela primeira vez em 1956, na photokina de Colônia, na Alemanha. Ná época o tema da exposição era "A fotografia Humanista", idéia que permeou os primeiros anos da Magnum e que consistia no trabalho de toda uma geração de fotógrafos, que fixaram suas fotografias sobre os acontecimentos mais banais do dia a dia, o absurdo, o amor, as festas..., enfim o testemunho de um tempo com um compromentimento social e humano.

O livro reconstrói a totalidade da exposição com 83 fotos em preto e branco dos "grandes" da agência, Robert Capa, Cartier Bresson, ....

Para os interessados com dólares no cartão de crédito, o livro já está a venda na amazon.

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Adobe Lança Lightroom 2.2

Desde o seu lançamento o Lightroom tem se consolidado como uma alternativa de ganho de produtividade ao fluxo de trabalho da cadeia de produção, edição e circulação para a fotografia digital profissional.

Para os usuários do programa, a Adobe lançou recentemente o upgrade para a versão 2.2. Nesse pacote, estão incluídos os suportes para as nova cameras: Canon EOS 5D Mark II, Canon PowerShot G10, Panasonic DMC-G1, Panasonic DMC-FX150, Panasonic DMC-FZ28, Panasonic DMC-LX3 and Leica D-LUX 4.

Além disso, o programa incorpora melhorias nas ferramentas de tratamento de imagem. Mais informações, no site de Adobe.

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Camera 360 graus, em uma só foto



Giroptic é a primeira camera digital capaz de realizar uma fotografia em 360 graus de visão em um mesmo instantâneo. O design do brinquedo em nada lembra uma camera fotográfica, mas o resultado não deixa de ser interessante.

A concepção é baseada em um sensor e um sistema de rotação que captura a imagem podendo oferecer saídas em still ou animadas. com resolução de 8megapixel, o dispositivo ainda oferece a possibilidade de gerar imagens em HDR. De adicional, o sistema ainda traz acesso a internet onde as fotos podem ser enviadas para visualização.

Precinho... em torno de mil dólares!!! Ufffff.... Apenas para muito fissurados em saber o que se passa atrás, dos lados a até na frente da camera. Frente? Onde fica isso mesmo?!!

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Exactitudes, inventário de tipos.



Fotos: Ari Versluis

Diversidade cultural, globalização, códigos de vestimenta: tudo isso pode ser interpretado no trabalho do fotógrafo Ari Versluis. Inspirado pela 'fauna' diversa de Rotterdam, Holanda, ele se interessou por realizar um registro que fosse um inventário de estilo e dos tipos da cidade.

Surgiu assim o Exactitudes, que foi realizado desde 1994. O importante no projeto, segundo o autor, era a abordagem sistemática e metódica das pessoas: mesmo fundo, mesmo enquadramento, mesma luz.
O que o trabalho suscita é que além de um registro e documentação de tipos, o resultado aponta também como uma espécie de ficha antropológica. Em paralelo, é a multiplicidade de pessoas que ressalta a originalidade do trabalho, vinculando diretamente o pertencimento a um grupo, a uma comunidade e sublinhando a questão sempre polêmica entre individualidade e uniformidade, entre originalidade e pasteurização.
Vale conferir.

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A China Industrial de Burtynsky, agora na China!



Quem conhece o trabalho do fotógrafo canadense Edward Burtynsky, se surpreende com o tratamento que ele dá as paisagens modificadas pela ação do homem. De certo modo, o fotógrafo revisita a fotografia de paisagem sincronizando esse gênero ao momento contemporâneo, onde a industrialização massiva, os resíduos gerados e a modificação radical da paisagem pedem uma fotografia que problematize esse estado de coisas.

Em seu último trabalho, realizado na China, foi feito, em paralelo, um documentário sobre a sua ação documentando essa paisagem. O filme "manufacured landscapes" foi exibido na sessão Visor Plural, em Recife, em outubro de 2008. O trailler pode ser conferido abaixo.



Desde o fim do projeto, o filme e a exibicão do trabalho de Burtynsky tem rodado o mundo. A exposição é em grande formato, explorando os pormenores de cada imagem. A lógica é simples: sempre que possível, uma fotografia de uma paisagem chocante, dever ser, também, uma fotografia chocante.
Dentro de toda essa controvérsia, o interessante nesse desdobramento do trabalho de Burtynsky é que o mesmo conseguiu ser exibido na própria China. Será um sinal dos tempos? Contraditório?

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Nus. De atletas.




No ano em que a olimpíada de Pequim mostrou ao mundo corpos perfeitos de atletas, os fotógrafos ingleses Jonathan Anderson e Edwin Low, apresentam uma série de 30 nus de espostistas célebres. De Venus Williams a Thiery-Henri, a referência é da fotografia de retrato clássica, em P/B, feitas em estúdio e com um trabalho especial em obter uma imagem diferente dos atletas de alto-nível. São fotos de corpos-mais-que-perfeitos. A idéia de expor o lado menos visto das celebridades-atletas é arrecadar fundos para a pesquisa da AIDS através da fundação do cantor Elton John. A expo está na National Portrait Gallery.

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Retrospectiva William Eggleston


Foto: William Eggleston, "Memphis". 1970.

Considerado como um dos mais ativos exemplos da fotografia do cotidiano, do comum, William Eggleston ganha a sua primeira retrospectiva no Museu Whitney. Cobrindo mais de 50 anos de atividade do fotógrafo suas imagens evocam cenas banais da cultura americana. Eggleston se celebrizou por fazer coberturas usando cores berrantes e vivas, em meio a um tempo onde o fotojornalismo ainda tinha um repertório muito vinculado ao cinza, preto e branco.

A exposição tem uma boa mostra disponível no site do Whithey.

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10 de dez de 2008

Para fotógrafos fetichistas... Under My Feet


Fotografias são muitas, seus modos também, e com uma camera na mão você faz o que quiser.

Under my feet, tem uma proposta simples e bem-humorada: fotografe seus pés! A ideia é do artista plástico francês Oxillus e busca reunir um coletivo de fotógrafos fissurados em pés. Pode ser com sapato, sandália, nus, pouco importa. O resultado é que o site forma uma colcha de retalhos bem interessante.


Vale a brincadeira e o conceito, ou ainda, pra quem quiser, o fetiche! Caso queira, envie um e-mail com a foto do seu pé!

Para ver, rir, passar pros amigos, se for o caso. Idéia com pé, mas com cabeça... não sei!

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Fotografia por uma questão de gênero: Photobetty, por, para e sobre mulheres fotógrafas



Photobetty é mais que uma revista online de fotografia, trata-se verdadeiramente de uma comunidade de mulheres fotógrafas, editoras ou simplesmente apaixonadas por fotografia.

As sessões são variadas, explorando desde a condição das mulheres no mundo; histórias emblemáticas de uma foto; perfis de uma fotógrafa no ambiente profissional da fotografia e história de mulheres fotógrafas.

O site é iniciativa de Serena Stucke e Sthephanie Sinclair e, segundo as editoras do site, elas partem do princípio que a fotografia é uma força útil a uma tomada de consciência. Em ano de aniversário da declaração dos direitos humanos, é mais que oportuno.

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Imagens do ano da Reuters



Todo fim de ano agências de notícias e imagens, jornais, revistas e sites realizam a tradicional retrospectiva do melhor e do mais impactante da sua produção durante o ano.

A gigante do mundo das notícias, a agência Reuters, já está disponibilizando o seu material. O seu "Picture of the year", consegue fazer um bom panorama do estado da cobertura da agência. Lá estão as olimpíadas de Pequim, registros da campanha presidencial de Barack Obama, e claro, os intermináveis conflitos do oriente médio.

Vale conferir e ter uma idéia de como está a cobertura fotojornalística internacional de alto nível.

No vídeo abaixo, pode-se conferir as fotos de 2007. O slideshow, você confere aqui.

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Patrimônio em 360 graus


Palácio de Varsailles. Foto: Tito Dupret.


A tecnologia digital tem permitido, entre outras coisas, a profusão de imagens em panorâmicas desconcertantes, editadas de modo bastante satisfatório através de recursos como o photomerge no photoshop e de outros softwares, como, por exemplo, o autopano.

O World Heritage, (patrimônio Mundial) é um site que tira proveito dessa tecnologia para criar panorâmicas navegáveis de 360 graus de diversos locais considerados pela UNESCO como patrímônio universal. As fotos são de Tito Dupré que, durante sete anos, passou por lugares como a Catedral de Chartres, Indonésia, Israel e mais um monte de países, realizando uma documentação impressionante e imersiva de locais, por vezes, inacessíveis.

O trabalho resultou em mais de 1600 imagens, que podem ser vistas no site do projeto, mediante cadastro. É gratuito. Há ainda o recurso de imprimir uma imagem em formato de cubo, para ser montado e servir de brinquedo para crianças. A visualização pode ser em formato Quick time ou em outras alternativas de apresentação. Show de foto!

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50 tutoriais de photoshop, de graça...

A dica, novamente é do amigo Marcos Palácios.

Vale conferir a smashing magazine, que tem como lema: deixar a sua vida na web realmente mais simples. O site está disponibilizando uma série de tutoriais bem didáticos, sobre como obter efeitos em imagens digitais. Nas lições vem desde como obter imagens em HDR até como ter o resultado de cores do filme 300 de esparta! Para curtir em tempos livres (o que é isso mesmo???).

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6 de dez de 2008

Entrevista com Robbie Cooper. Fotógrafo, pesquisador e o projeto Immersion.


Foto: Robbie Cooper.

Immersion é o projeto do fotógrafo inglês e pesquisador da Universidade de Bournemouth , Robbie Cooper. Fotojornalista de carreira, Cooper teve o insight de fazer esse trabalho a partir da observação da fixação de crianças e adolescentes com telas de computador em internet cafés.

Assim nasceu a idéia do projeto. Gerando retratos, no mínimo, inusitados, que capturam as reações das crianças ao jogarem videogames com certa dose de violência, como Halo 3, Grand Theft Auto 4 e Call of Duty.

O projeto ainda está em andamento, e prevê ainda registrar reações de pessoas não somente aos videogames, mas também a notícias de TV, vídeos na internet ou a filmes que retratem situações de guerra. É um trabalho inserido também numa pesquisa acadêmica, no Centro de Mídia da Bournemouth University, na Grã-Bretanha, que ainda analisa as reações das pessoas do ponto de vista psicológico e sociológico.

É interessante observar que o trabalho de Cooper pode ser compreendido também como uma derivação de um gênero clássico da fotografia: o retrato. Em uma era de telas eletrônicas e informações digitais mediando as relações entre pessoas, pode-se compreender a singularidade do seu trabalho e o valor que ele suscita. Em entrevista para o AutoFoco, alguns dias atrás, Simonetta Perischetti, falava da necessidade de se compreender que linguagem e tecnologia não se dissociam, e que, uma estética também depende da tecnologia disponivel.

O trabalho de Cooper, nesse sentido é exemplar dessa confluência entre o ambiente social e psicológico que vivemos, um tipo específico de público, comportamento, e claro, de uma possibilidade de registro através de uma nova possibilidade de fotografar.

Não podemos deixar de observar que trata-se de uma pesquisa acadêmica, lotada em uma universidade. O que dilui a oposição fácil dos argumentos que contrapõem teoria e prática como dinâmicas inconciliáveis. Immersion, além de ser um trabalho que escapa desta cilada, propõe, de modo criativo um caminho possível onde a fotografia além das dimensões documentais e estéticas pode assumir o papel de fonte de produção de conhecimento.


Entrevista com Robbie Cooper:


AutoFoco: Quando e como você teve a idéia de começar este trabalho?

Robbie Cooper:
Estava fotografando na China e Coréia, observando crianças nos web cafés para o meu projeto Alter Ego. Vendo todas aquelas crianças sentadas em frente aos computadores me fez pensar nossa interação com as telas. Às vezes as pessoas não olhavam para nada fora da tela durante o tempo em que eu falava com elas.

AF: Que tipo de método você aplicou para ter essas fotos?

RC:
Eu usei uma abordagem similar a de Errol Morris. A imagem da tela de jogo era projetada em um vidro em frente da tela, como em um teleprompter. A câmera que usei era uma Red, eu quis usar tanto vídeo como fotos, a escolha da Red foi por conta da sua altíssima resolução.

AF: Você deu algum retorno às pessoas que fotografou no projeto?

RC:
Sim. Um bom número das crianças realmente curtiram ver o vídeo e suas imagens nas revistas. Eu acho que isso desmitifica a mídia para eles, porque eles não tinham tido contato com isso antes e, de repente, se viram nos impressos e on-line, fazendo algo tão comum como jogar um videogame. Eu estava preocupado a respeito disso e contactei professores após o projeto ter começado – mas a resposta dos garotos foi positiva.

AF: Que tipo de abordagem você evitou? Como, neste trabalho você obteve este resultado sem ser invasivo?

RC:
Se tornou um processo que eu curti muito com as crianças. Tentei não estar presente próximo à câmera, ficava no outro lado da sala olhando no monitor, dando um apoio as crianças enquanto elas esperavam, ajustando os consoles de videogame onde eles estavam jogando, conversando com as pessoas, ou fazendo outra coisa, enfim. Se a coisa começava a ficar muito estática, e as pessoas ficavam concentradas nas crianças filmadas, eu mudava as coisas. À medida que as crianças sentiam que elas podiam jogar sem outras pessoas ficarem interessadas nelas, ficava legal. Assim, muito da abordagem diz respeito a criar um ambiente. No estudo, nos faremos muitas filmagens nas casas deles, usando câmeras que não são invasivas. Eu estarei interessado em ver se há alguma diferença entre como eles se comportam neste ambiente doméstico e no espaço público.

AF: Este é um projeto de fotografia como também é uma pesquisa acadêmica. Como você equilibra esses dois caminhos?

RC:
A maioria dos trabalhos acadêmicos atuais serão feitos por um pesquisador, um psicólogo e um socilólogo. Eu estou estudando FACS (Family and Consumer Sciences, - Ciências da Família e do Consumidor) e tive a idéia do estudo, mas meu interesse primário são as imagens.

AF: Você está interessado em algum resultado estético nestas fotos?

RC:
Sim. Isso é muito importante também.
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Entrevista realizada por e-mail em 6 de dezembro de 2009.

Vídeo disponível:

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5 de dez de 2008

Fotos de cada esquina de Manhattan


Foto:Richard Howe

Esse post veio por sugestão de Marcos Palácios, amigo meu que é pesquisador da UFBA.

Richard Howe é um designer que possui uma estranha obsessão com a fotografia: seu último projeto foi trabalhar entre março e novembro de 2006 fotografando todas as esquinas de da ilha de Manhattan, em Nova Iorque. É isso mesmo, todas as 11.000 esquinas.

O nome do projeto não poderia ser outro Esquinas de Manhattan (Manhattan Street Corners), que, segundo o fotógrafo, procura ter uma visão abrangente (põe abrangente nisso!!!) da vida cotidiana ao nível da rua em Manhattan. "Fotografei sistematicamente cada uma das 11.000 esquinas (o número exato, contudo, é uma questão de definição e, em alguns casos, uma questão de julgamento)".

Como no lema do nosso blog, existem várias maneiras de fotografar, cada um tem a sua e gostamos de todas!

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4 de dez de 2008

"Não sou sequer um amador. Fotografei no Brasil, mas depois perdi a vontade".

O antropólogo Claude Levi-Strauss, 100 anos, completados em 2008, definiu como menor a sua relação com a fotografia. Pode até ser, na perspectiva do antropólogo, que revela sua relacão com a fotografia em matéria do Le Monde. Vale conferir.

No seu centenário, o público francês pode redescobrir o LEvy-Strauss fotógrafo, já que as suas fotos feitas no Brasil nos anos 1930 constituem, hoje, um valioso documento. Pena que ambos os livros, saudades de São Paulo e Saudades do Brasil, estejam esgotados, em pleno ano do centenário do antropólogo.


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Magnum vende folhas de contatos em formato de presente




A renomada agência de fotografia Magnum, encontra mais uma alternativa para reempacotar conteúdo do seu imenso banco de imagens e gerar receita, diante de um horizonte cada vez mais competitivo de bancos de imagem.

A sacada agora é vender reproduções das folhas de contato originais de alguns dos seus fotógrafos mais prestigiados. A reprodução é tal qual se encontra aquivada, ampliada para papel 40 x 50 cm.

Seis folhas de contato foram selecionadas para este lançamento: Eve Arnold e suas fotos de Marilyn Monroe; As fotos de Che Guevara feitas por René Burri; James Dean, clicado por Dennis Stock; A seqüência do templo Maiji, feita por Werner Bischoff; uma série de cachorros feita por Elliot Erwitt; e sequências de Ceroge Rodger feitas nas tribos africanas.

As folhas são luxuosamente embaladas, com proteção em caixa e folhas de acetato, com a marca em chanfro da Magnum. Presente chique e de bom gosto para o natal dos fissurados em fotografias, e para a Magnum, mais uma alternativa de fazer caixa.

Precinho do mimo: 175 libras, algo como 700,00 reais.
Ao menos uma prévia do material pode ser conferida pela internet. Na imagem abaixo, a reprodução da folha de contato das fotos de Che Guevara, feitas por Rene Burri, em 1963.

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2 de dez de 2008

The little photoshop of horrors: bizarro, bizarro, alguma diversão e estranhamento. Para ver, esquecer e nada mais



Essa vai para quem curte photoshop de gosto duvidoso. Na era das imagens sintéticas, nada mais natural que as tenhamos também no gênero trash...


O site em questão é o worth 1000, totalmente dedicado a um concurso onde concorrentes enviam montagens com objetos inanimados que comem pessoas ou coisas. Bizarro, Bizarro... algum choque e nojo podem ser despertados. O interessante é que a maioria dos autores, ao contrário do mercado "sério", não assina os "trabalhos"! Puro esculacho!!

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DPS - Digital Photo School, um curso em formato de blog, ou seria o contrário?



Essa diga veio do professor e amigo Marcos Palácios, da UFBA.

A DPS - Digital Photo School é um blog com dicas, notícias, tutoriais, material didático sobre fotografia, com uma êfase evidente no campo do digital. Vale a pena ver o material a respeito de como lidar com o segundo plano das imagens. Tudo bem didático e ilustrado. Para iniciantes interessados em se aprofundar e veteranos que queiram se reciclar. A sessão de notícias é boa.

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1 de dez de 2008

Para Nikon Maníacos: D3x



Para quem não se cansa de contar megapixels e acredita que isso faz toda a diferença na qualidade da fotografia, chegou a hora de preparar o bol$o em época de dólar caro. A Nikon, a princípio nega, mas a história do lançamento da D3x está vazando. Pra bom entendedor, pesa como jogada de marketing permissivo, jogo de esconde-mostra.

Estranhamente, fotos da camera estão em circulação. Detalhe: na própria Nikon Pro magazine.



Fontes oficiosas:
Nikon Rumors.
Nikon Watch.
Blog de Serb Rogers.

O que vem no pacote, ou melhor, oficiosamente, pode vir...

24.5 mega pixels
ISO nominal de: 100 a 1600, exapansível de 50-6400
5fps (frames por segundo) em resolução total, 7 fps em 10mega pixel em modo crop.
Não captura vídeo!!
Precinho... não se fala ainda, mas se estima algo entre US$ 7mil e 7500... Uffff...

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Entrevista: Simonetta Persichetti e o "óbvio eficiente".



Simoneta Persichetti transita pelo mundo da fotografia há mais de 25 anos. É uma das críticas com a lâmina mais afiada sobre o olhar e produção dos fotógrafos brasileiros. Defensora radical, quase militante, da necessidade de formação de repertório de quem fotografa, como sendo a saída possível contra o clichê e a repetição, ela disseca, sem se poupar de ser corrosiva e polemizadora, os caminhos para sre permanecer iventivo e inovar na linguagem. Inimiga do "óbvio eficiente" (ela explica bem isso na entrevista), acredita que a morte da fotografia não chegou com o digital e, se há crise, ela representa oportunidade e transformação para a fotografia e para quem fotografa.

Conversamos com Simonetta em um fim de uma tarde chuvosa em São Paulo, em meio a um café no conjunto nacional. As posições dela são fortes e provocativas, como convém a quem critica. Confiram, vale a pena.

Auto-foco: Em um mundo onde as imagens digitais circulam, e junto, as idéias e referências sobre essas imagens também circulam, talvez até de um modo mais rápido, que fotografia original é possível hoje?

Simonetta Persichetti:
Depende. Eu acho que a fotografia ainda é muito possível, pois se fotografa muito e se mostra pouco. É por isso que temos a impressão de vermos as mesmas coisas. A fotografia possível hoje é a fotografia construída, no sentido que é pensada e organizada como um ato de comunicação e não mais a fotografia feita por fazer. Cada vez mais vamos precisar de fotografias criadas, pensadas, trabalhadas. Trabalhadas no bom sentido, onde ela vai se destacar do "óbvio eficiente", que é o que vemos hoje.

AF: Esse conceito é bom... o "óbvio eficiente", mergulha mais nele!

SP:
Bom, Esse conceito na verdade não é meu, é do Hélio Campos Melo, que é fotojornalista diretor de Redação da revista Brasileiros. Certa vez eu estava o entrevistando quando ele falou que a imagem não perdeu sua competência, perdeu sua eficiência, porque se faz o "óbvio eficiente", ou seja, uma imagem mais pobre, sabendo que ela vai alcançar o maior número de pessoas, num universo dado. O difícil é fazer uma foto que te leve a pensar um pouco mais, refletir sobre o que está feito, que te instigue a pensar.

AF: Mas isso é um problema só da fotografia ou do campo do visual como um todo?

SP:
Do campo do visual como um todo. Agora eu não sou especialista em cinema, enfim. A fotografia está numa crise, mas crise no sentido oriental, na questão de oportunidade e transformação. A grande coisa boa é que com o digital se ajudou a dessacralizar a imagem. As pessoas tratam a imagem hoje de forma lúdica, estão se permitindo experimentar. Acredito que está surgindo uma nova forma de se enxergar, pois estamos em um momento de resignificação da imagem, do conceito do que ela é e de que é fazê-la.

AF: Já que você falou em ressignificação, nessa hipótese a imagem estaria deixando de ser indicial, de ser direta e objetiva, para se voltar a ativar princípios mais do simbólico, do subjetivo.

SP:
Acho que é o contrário. A imagem vai ficar cada vez mais indicial. Cada vez mais conotativa e menos denotativa. Vamos ter a imagem que vai me resolver o problema imediato, mas nos vamos ter cada vez mais imagens capazes de pensar num nível de elaboração cada vez mais eficiente. Nesse momento estamos felizes porque estamos nessa crise. Eu comparo este momento com o surgimento e a invenção da fotografia. Imagine para o homem do século XIX de repente se ver diante de inúmeras imagens fotografiacas que concretizaram seu mundo.,. Pense no "você aperta o botão e nós fazemos o resto" (slogan da Kodak) no fim do século XIX e que a câmera tinha 100 chapas... era quase uma digital! Mas passamos o século XX inteiro com filmes com 12, 24 e 36 chapas... Então estamos no momento de, finalmente entendermos a imagem não só como ilustração e como apoio, mas vendo-a como protagonista da história.

AF: E nesse meio de excesso de imagens, quais são as coisas boas e quais os perigos?

SP:
Perigo é o que sempre existiu, a vulgarização da imagem onde não se vê mais nada. A coisa boa é que quanto mais você faz, mais o olho fica treinado, mais se aprende a olhar, se exercita o ato de ver. Daqui a pouco, acho, as pessoas vão se cansar de fotografar tanto. Antes as pessoas na internet colocavam 200 imagens, hoje elas colocam 30, estão limpando, o cara faz a própria limpeza, e daqui a pouco vai ter 15! Eu sou bem otimista, isso é um passo. Nos Estados Unidos, no século XIX, houve uma cidade, Daguerville, para fazer os daguerreótipos, e que depois sumiu, é por que indica que em um certo momento as pessoas deixam de fotografar. Não vejo problema nas pessoas fotografarem. Para mim seria a mesma coisa se alguém dissesse: vamos parar de alfabetizar os outros porque todo mundo vai saber ler e escrever, - que horror! Acho que a imagem é uma forma de conhecimento, e se pensadores de outras áreas refletirem sobre a imagem teremos um aprofundamento. Temos agora um livro do José de Souza Martins, o "Sociologia da Imagem e da Fotografia", que é um texto fantástico e que indica que as pessoas estão começando a pensar imagem no Brasil e isso é uma coisa que vem também pelo excesso de imagem, esse é o lado bom.

AF: E nesse contexto, como ser crítico de fotografia?

SP:
Não é só nesse contexto, vem desde o início: não dá para ser crítico de fotografia se não se conhece história da fotografia e os fotógrafos. É a única maneira que se tem de perceber se alguém está citando, se referenciando em alguém ou se está plagiando! No caso saber diferenciar de quem está se valendo da possibilidade de que "ninguém conhece, ninguém sabe, e eu posso passar por bacana", de quem realmente está fazendo um trabalho, se esforçando. É isso que vale. Cansa, pois é um esforço de ver muita coisa, mas as boas coisas também não são tantas. Além disso, tem que saber que linguagem e tecnologia não se dissociam. Saber que muitas vezes uma estética também depende da tecnologia disponivel. Tem que se saber se o fotógrafo está fazendo foto ou se está brincando com o photoshop, que é o que vemos muito hoje. Tem que ter referência. Por exemplo se alguém diz que está fotografando a intimidade, o cotidiano e que isso é novo, bem... Desde o inicio da fotografia se faz isso. E só para citar um exemplo, temos a Nan Goldin que fez isso de forma excelentemente. No Brasil, só para citar outro exemplo, o Luis Humberto de Brasília, e assim vai. Essa coisa quem te dá é a história da fotografia.

AF: Então é a estética que veste o assunto, ou só é o assunto, ou são as duas coisas juntas?

SP:
São as duas coisas. Acredito que a estética é que é formadora do discurso. Depende de como o fotógrafo aborda o assunto e como ele o veste. Mas tem que se ver se é um vestir que está propondo alguma coisa ou se está plagiando algo que já foi feito. Hoje em dia eu vejo mais um receituário iconográfico, do tipo: é assim que se faz, e todo mundo faz assim, vamos seguir a receita! Eu vejo muito isso.


Entrevista concedida no Conjunto Nacional, São Paulo/SP em 18 de Novembro de 2008.

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Novas falsificações no fotojornalismo reacendem o debate sobre o que podemos confiar naquilo que vemos.



O problema de manipulação de imagens no fotojornalismo parece mesmo estar longe de ser contornado de modo eficiente. A recorrência a tecnologia digital está criando uma verdadeira sequência de casos de adulteração com uma regularidade impressionante.
Alguns dias atrás a a agência Associated Press baixou uma norma interna suspendendo o uso de fotografias fornecidas por fontes militares. Confira aqui o comunicado. A gota d'água foi a descoberta que a imagem da primeira mulher norte-americana a atingir o posto de general de quatro estrelas havia sido “tratada”.



Poucos dias depois, outra farsa se abateu sobre o diário francês Le Figaro: o editor de imagens resolveu “limpar” um anel de diamante que ornava a ministra da Justiça da França.


O jornal já fez sua mea culpa sobre a matéria, mas a questão permanece sendo: como pode-se criar delimitações sobre essa verdadeira praga que contamina o valor indicial do fotojornalismo?

Repercussões:

1 - Os casos, conjuntamente manifestaram uma resposta do Editors Weblog que problematiza bem a questão.
2 - A agência Black Star disponibiliza para download, e de graça, um livrinho (55 páginas) em que aborda e debate estas questões, tentanto colocar marcos éticos auto-regulatórios. O “Photojournalism, technology and ethics - what’s right and wrong today", não é uma solução, mas pode ajudar a encaminhar a discussão.

Antecipamos o índice aqui:
1. “ O ur Pictures Must Always Tell the Truth” (p.1)
2. The Golden Age of Photojournalism (7)
3. Altered Photographs, Staged Shots and the Era of Distrust (20)
4. Toward a 21st Century Ethical Model (40)

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World Press Photo abre chamada para o seu concurso



A World Press Photo, renomada associação de fotógrafos de imprensa abriu a chamada do seu tradicional concurso anual de trabalhos de fotógrafos profissionais e fotojornalistas. A participação no concurso World Press Photo 2009 está com as inscrições abertas até 15 de Janeiro de 2009.

As inscrições podem ser feitas através da internet e pelos correios. Detalhes do envio e de como concorrer podem ser verificados no site da WPP. Vale a pena conferir os resultados da edição 2008.

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