14 de jul. de 2010

De Hechos: Olhar chileno sobre o terremoto.



De Hechos em espanhol, a depender de como se fala, e como se escuta, estabelece o trocadilho podendo ser 'de fato' ou 'desejo'. é também o nome da Expo realizada pelo Coletivo Concepción fotografia, da cidade ao sul de Santiago, que foi varrida pelo terremoto + tsunami em fevereiro deste ano.

Encontrei a exposição em meio a fria Santiago, acontecendo no Centro Cultural da antiga estação Mapocho. Um prédio imponente que, guardada as proporções, lembra o museu D'orsay, em Paris (se bem que o D'Orsay, outra antiga estação de trens, não tem a imponência da Cordilheira dos Andes ao fundo).

O trabalho impressiona por acionar simultaneamente dois eixos: o documental, porém sem explicitudes óbvias, e o subjetivo, exercitado através de soluções como as grandes panorâmicas que cobrem o espaço de ruas inteiras destruídas com um apelo plástico que incomoda (É possivel fazer algo belo, a partir de algo absolutamente terrível?).

Há, no conjunto da mostra um recorrente apelo as fotos dos senderos (caminhos, trilhas). Uma alegoria da rota de fuga através do precário, mas também indicando o esquecimento do assunto, que progressivamente, mesmo no Chile, vai saindo da agenda.

Paralelo para o recente horizonte de eventos das cheias que abalaram Pernambuco: será que alguém está fazendo algo parecido no Recife / PE / Brasil?

Aqui, mais De Hechos.

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27 de abr. de 2010

AGENDA RECIFE: Hoje: É do Coco, é do coqueiro



Roberta Guimarães e Fred Jordão, possuem um percurso destacado na fotografia pernambucana nos últimos 20 anos. Fizeram parte de uma geração que entre outros (Breno Laprovítera, Jarbas Jr, Daniel Berinson, Gleide Selma,... páro por aqui para não cometer injustiças!!) reoxigenou o fotojornalismo dos anos 1980. Depois dessa etapa, formaram a Imago, uma agência que, ao seu tempo, formatou uma configuração interessante de trabalho, atuando de modo múltiplo em documentação, fotopublicidade, editoriais e outros gêneros da fotografia.

Passados alguns anos dessa caminhada, a Imago se reformulou, saíram alguns sócios, mas, de algum modo, o viés documental da agência, voltado para o registro dos elementos regionais de modo diferenciado, permanece.

Prova disso é o lancamento do projeto É do coco, é do coqueiro, dos fotógrafos Roberta Guimarães e Fred Jordão. O livro, tem como proposta percorrer a cadeia produtiva e cultural em torno do coqueiro, elemento indissociável da paisagem pernambucana e nordestina. O interessante é perceber como, na obviedade da presença na paisagem deste elemento, o projeto dos dois fotógrafos consegue se impor pela originalidade da proposta e pelo cuidado visual.

É um trabalho importante por uma série de motivos: documenta uma parcela da cultura atrelada a um pertencimento social e econômico, demonstra a viabilidade de se trabalhar no eixo de projetos fotógraficos documentais de longa duração, possui inserção contemporânea e delimita a "civilização do coco" sem se propor a abordar esse tema como algo exótico.

O projeto teve o financiamento do Governo do Estado de Pernambuco, através da chamada pública e concorrencial do Funcultura, o programa de leis de incentivo a cultura do Estado, mantido pela FUNDARPE - Fundação do Patrimônio Artístico de Pernambuco.

A realização é da Relicário Produções Culturais. O projeto tem ainda apoio da Gráfica Santa Marta, notabilizada pelos acabamentos impecáveis com que imprime.

Amanhã, demos o prosseguimento da cobertura trazendo as impressões sobre o livro.

SERVIçO:

É do coco, é do coqueiro.
Torre MAlakoff, pça. do Arsenal, Recife Antigo.
28 de Abril de 2010 - Quarta-feira, 19h.

Informações e detalhes: 81-3184.3180 e 81-3226.2366
relicarioproducoes@terra.com.br

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27 de mar. de 2010

Entrevista Noah Addis e o Jardim Edite


Foto: Noah Addis.

Nós já postamos aqui no site algumas notas sobre o ensaio "Sempre Jardim Edite", do fotografo norte americano Noah Adidis. Agora, em entrevista exclusiva para o AF de Autofoco, Noah fala sobre o início do seu trabalho, sobre fotografia documental e outros temas.

Sobre o entrevistado (extraido do site www.noahaddis.com):

NOAH ADDIS, formado em Fotografia pela Universidade de Drextel, na Filadélfia, tem trabalhado como fotojornalista profissional e fotógrafo documental há mais de quinze anos. Seu trabalho tem sido publicado em grandes jornais e revistas como o The New York Times, Time, Newsweek, People, E.U. News & World Report, Year's Life in Pictures e muitos outros.

Noah cobriu histórias como o crescimento do cristianismo na África e na guerra no Iraque. Ele já ganhou vários prêmios regionais e nacionais, incluindo o New Jersey Fotógrafo do Ano por três vezes. Em 2001 ele foi o vice-campeão na categoria portifólio da National Press Photographer’s Association Best of Photojournalism.


AF de Autofoco - Quando a fotografia começou a fazer parte da sua vida? Noah Addis – Quando eu era jovem, queria ter uma carreira em ciências ou engenharia. Durante o ensino médio, fiz uma viagem à Madrid e comecei a tirar fotografias de uma maneira diferente do que eu fazia antes – agora, eu estava pensando sobre a composição e a luz. Quando cheguei em casa e revelei os filmes, percebi que a câmera que eu estava usando estava quebrada e nenhum dos filmes eu tinha colocado corretamente. Nenhuma das fotos saíram, mas a experiência tinhas suscitado um interesse pela área em mim. Depois, meus pais me deram uma câmera SLR no meu aniversário e eu decidi que fazer fotografia era o que eu queria fazer na minha vida

AF – No seu site (www.noahaddis.com), nós podemos ver alguns dos seus projetos. Em “Serving the Nation”, há uma pequena descrição sobre o conceito que você usou para elaboração. Você escreveu: “I hope to bring attention to the fast-moving word outside of the Windows which otherwise migth go unnoticed”. Voce pode explicar esse conceito para nós?

NA – Eu comecei esse projeto enquanto viajava entre algumas cidades dos Estados Unidos. Trens, especialmente no nordeste dos Estados Unidos, tendem a percorrer bairros muitos interessantes e diversificados. Eu acho que muitas pessoas que viajam de trens não prestam muita atenção ao que está do lado de fora. Muitos dos trens viajam por áreas que antes eram ocupadas por indústrias, bem como por bairros operários. Agora, que a economia destas áreas tem se afastado da produção industrial, muitas das áreas industriais e antigos bairros residenciais prósperos estão desaparecendo. De certa forma os trens fornecem uma ligação interessante da história econômica dos Estados Unidos.


Foto: Noah Addis.


AF – Em “Wall Strett”, você nos mostra algumas cenas não muito comuns daquele lugar. Que tipo de história você busca nos contar?

NA – O distrito financeiro de Nova York é um lugar fascinante. Assim, muitas decisões são feitas lá que afetam a todos nós. Quando a extensão da crise financeira começou a ficar clara, em setembro de 2007, voltei minha atenção para Wall Street, para algo que aguçasse minha curiosidade.

Nessa época, eu ainda estava com o pessoal do jornal, de modo que este foi um projeto pessoal feito no meu tempo livre. Eu queria observar e fotografar a vida cotidiana daquela área. Eu não estava interessado na “news photo” – os comerciantes sobre o piso da bolsa de valores, por exemplo. Eu queria ter uma noção do lugar, da rotina diária dos trabalhadores daquele local.


Foto: Noah Addis.


AF – Fale um pouco sobre o seu trabalho “Sempre Jardim Edite”. Nós podemos dizer que você trabalha a representação de um novo modelo de êxodo urbano no Brasil?

NA – “Sempre Jardim Edite” é uma pequena parte de um projeto em andamento sobre as pessoas que vivem em comunidades de favelas urbanas em todo o mundo. Eu tenho um grande interesse em estudos urbanos, desenvolvimento e arquitetura. A teoria social tradicional acredita que a urbanização seguiria a industrialização. No entanto, muitas das megacidades no mundo, especialmente as do mundo em desenvolvimento, estão passando por um crescimento em massa da população, ao mesmo tempo em que estão experimentando uma perda de empregos na área industrial, conseqüência da estagnação da economia. Devido a agricultura mecanizada, o agronegócio em escala industrial, a guerra civil e inúmeros outros fatores, muitos cidadãos tendem a procurar oportunidades em outros centros urbanos no mundo. Fotografando os moradores das cidades contemporâneas, bem como o ambiente construído para e pelos moradores, espero adquirir uma maior compreensão das questões com que as cidades estão se deparando. O que acontece nas cidades do mundo - questões de saúde global, migração, desenvolvimento econômico, crises de refugiados e preocupações com a segurança - afetam a todos nós.


Foto: Noah Addis.


AF – Seu trabalho mistura algumas características da fotografia documental com o fotojornalismo. Para você, existe uma barreira entre esses dois conceitos? Como você enxerga essa relação?

NA – Eu não acho que deveria haver uma barreira entre o fotojornalista e o fotógrafo documental. Realmente eles são a mesma coisa, talvez com intenção e um publico um pouco diferente.

Comecei minha carreira trabalhando como fotojornalista em um grande jornal. Saí do trabalho pouco mais de um ano atrás para prosseguir com os meus próprios projetos pessoais e para fazer trabalhos “freelance”. Agora que estou trabalhando principalmente com projetos em longo prazo e com uma tendência mais autoral, acredito que provavelmente eu me encaixe mais na categoria de um artista ou um documentarista

Tento manter a integridade intelectual e a objetividade necessárias para o jornalismo quando eu faço projetos pessoais de longo prazo. A principal diferença é que, agora, estou livre para trabalhar em histórias que não estão nas manchetes e posso ter uma visão mais ampla. Acho que estou realmente tentando fornecer um contexto mais amplo para o meu trabalho.

Na verdade, acredito que aprendi a dar na carreira alguns passos atrás, literal e figurativamente falando. Eu não preciso mais me preocupar com a criação das imagens dramáticas ou aquelas que irão atrair a atenção de um leitor em uma página ocupada. Felizmente, eu também não preciso me preocupar em ilustrar idéias pré-concebidas por um escritor ou um editor. Estou tentando desenvolver um trabalho que é mais sutil e interpretativo.

Entrevista por João Guilherme Peixoto.

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6 de dez. de 2009

ENSAIO: JAKE MENDEL (BURN MAGAZINE)


Foto: Jack Mendel


Mendel traveled to the Deep South, Arizona, and New Mexico—hotbeds of stock car racing—in order to capture the raw power and gritty determination of life on the short track.

Poeira, pilotos envenenados, acidentes colossais, velocidade... Buscando a essência de um dos eventos esportivos semiprofissionais mais conhecidos e venerados nos Estados Unidos, a “Short Track” (algo como uma pista oval com menos de meia milha, semelhantes as pistas da NASCAR).


O fotografo Jake Mendel viajou por diversos estados e capturou imagens interessantes que traduzem um pouco não só da corrida, mas do dia a dia das pessoas envolvidas direta e indiretamente no evento. Vale a pena conferir. Para acessar o ensaio, clique aqui.

Jake Mendel é um fotógrafo que vivem em Santa Fé, Novo México. Ele nasceu e cresceu no Alabama (...) em 1971. Embora ele nutria uma paixão pela fotografia, ele colocou de lado para seguir uma carreira com a companhia de seu pai. Em 1997 ele deixou o negócio da família para retornar à fotografia(...). Desde então, as fotografias de Mendel foram incluídas em várias exposições coletivas no Novo México e Alabama. (texto do site do autor).

--- Engraçado, vendo este ensaio lembrei de um livro bem legal, um clássico do novo jornalismo: Radical Chique e o novo jornalismo, do Tom Wolfe. Nele, há uma reportagem chamada “o último herói americano”, um panorama legal sobre as dicotomias presente nas corridas de stock car nos Estados Unidos. Para quem não leu, vale a pena. Para comprar, clique aqui.


Post Enviado por João Guilherme Peixoto.


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7 de nov. de 2009

Edward Burtynsky e o petróleo. Entrevista na PDN.

Leitura obrigatória. A entrevista de Edward Burtynsky no site da PDN.


Foto: Edward Burtynsky.

Burtynsky é aquele tipo de fotógrafo que a gente não sabe se é da Fine Art, se é documentarista ou se é um ativista político de questões ecológicas. Notabilizado com trabalhos como o "paisagens modificadas", onde retrata o processo de mudança de paisagens na China atual, ele agora se volta para o seu novo projeto: "Petróleo".

Vale conferir a entrevista que ele deu na PDN. Mais uma vez, o agendamento do tema por Burtynsky vincula o problema do meio ambiente diretamente às consequências que voltam para a própria sociedade. Burtynsky é Lúcido. Politicamente, esteticamente e documentalmente.

Trecho:

“These landscapes represent the yin to the yang, the destruction to the creation—we create our cities, our industries and our cars and our jets, and there’s a void in the landscape where this stuff comes from, so I believe these landscapes also begin to describe the values and the desires of our societies, the things that we [do] in pursuit of survival and comfort, and their expression in the landscape.”

(Estas paisagens representam o Yin e o Yang, a destruição e a criação - nós criamos nossas cidades, nossas indústrias e nossos carros e jatos, e há uma violação na paisagem de onde essas coisas vem, assim, eu acredito que essas paisagens também começam a descrever os valores e desejos de nossas sociedades, as coisas que temos que fazer para garantirmos nossa sobrevivência e conforto, e sua expressão na paisagem. Tradução Livre).


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25 de set. de 2009

Paraty em Foco, Dia 3: Encontro rápido...

Encontro rápido com Simonetta Persichetti, em meio a fria noite que se promete. Perguntei para ela, diretora do belo filme "encontros com a fotografia", o que ela percebe como sendo o fundo comum da fotografia brasileira.

- "O documental. Não tem jeito, ele influencia vários regimes de registro. É uma bagagem que a fotografia brasileira vai carregar por muito tempo, talvez para sempre".

Profecia ou diagnóstico? Vale conferir o filme e refletir sobre o assunto.

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9 de set. de 2009

Christian Poveda é assassinado em El Salvador



A notícia apareceu no Blog do Festival de Perpignan e depois em vários blogs e sites, inclusive no Lens. Christian Poveda, fotógrafo e documentarista franco-espanhol foi assassinado em El Salvador. Seu corpo foi achado no último dia 3, no norte da cidade de San Salvador.

Autor independente do documentário e especializado em América Latina, assinou artigos em diversas publicações de prestígio, como El País, L'Observer, New York Times, Paris Match, Stern ou Time Magazine.

Atualmente registrava a vida dos Maras, gangues hiperviolentas e globalizadas, que entranham-se em vários países da américa latina. No fim deste mês, estréia a "Vida louca", um longa metragem de 90 minutos, justamente sobre os Maras (ver cartaz abaixo).



O documentarista nunca deixou de carregar sua máquina fotográfica, com a qual fez reportagens sobre o Sendero Luminoso no Peru, a queda de Ferdinand Marcos nas Filipinas, ou as touradas. O assassinato está sendo investigado e acompanhado pela imprensa internacional.

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2 de set. de 2009

VISA Pour L´image tem premiação para fotojornalismo em formato web.


VISA Pour Límage - Fotojornalismo para Web tem prêmio específico.


Com a internet e os recursos multimídia , a fotografia adquire uma nova dimensão narrativa. slideshows de reportagens, documentários, ensaios,moda, etc. cada vez mais apelam para as possibilidades de convergência entre o fotográfico e o digital, a rede, a as possibilidades de se mostrar/ contar uma história.

Numa clara percepção do sinal dos tempos que isso representa, o Visa Pour L´image, o mais consolidado festival de fotojornalismo da atualidade, inaugurou, nesta 21a edição, uma nova categoria de prêmiação: o Prêmio para Web Documentário.

Os critérios para premiação: Tema, originalidade e uso inovador das ferramentas multimédia.

Em tempos onde se prega a bobagem da morte do Fotojornalismo, o festival de Perpignan dá mostras que a prática da fotografia - notícia, se oxigena e se renova com os tempos, as tecnologias e as novas culturas de consumo de conteúdo.

Quem partrocina o prêmio é a rede de TV Francesa RFI. Nesta primeira edição, 9 documentários foram indicados entre os mais de 100 enviados e analisados por um Juri.

Vale vera página desta premiaçao e, claro, conferir e analisar os trabalhos concorrentes. Fotojornalismo do bom, com temas atuais e relevantes. Vale ir preparando material e editando para o festiv

Abaixo, a lista dos indicados, capturada diretamente da página do festival.

Bearing Witness: Five Years of the Iraq Warby Ayperi Ecer et Jassim Ahmad / Reuters with collaboration of MediaStorm
The Places We Liveby Jonas Bendiksen / Magnum Photos
Adoma, House or Home?by Thierry Caron
Words of War in Eastern Congoby Cédric Gerbehaye / Agence VU
Imprisoned Bodyby Collective Work / Le Monde Interactif
Iron Curtain Diary, 1989-2009by Beccogiallo, On/Off, PeaceReporter, Prospekt|Photographers
Listening to the Homelessby Matthieu Mondolini
Notes from Beijing: from Mao to the Olympic Gamesby Charlie Buffet / Arte Geie / Hakari Productions
Tiananmen GenerationPatrick Zachmann production Narrative


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7 de jul. de 2009

Dentro dos muros.


Com dados da Agência Brasil.

Depois que o documentário "nascidos em bordéis" deu visibilidade mundial à metodologia de produção fotográfica que se dá através do fornecimento de câmeras para pessoas e coletando o resultado que volta nos registros, a receita passou a ser aplicada e adptada em diversas escalas.

O resultado geralmente é interessante. Através desse modelo de trabalho, acontece uma resposta específica. A autorização de um corpo estranho, a câmera, que normalmente é problemática, como presença em um ambiente a ser documentado, tende a ser neutralizada através da familiaridade de quem a carrega. Em outras palavras: a fotografia pode surgir em uma escala diferenciada, segundo um regime de registro que se dá por pertencimento de quem fotografa à uma determinada realidade.

Pois bem: dessa vez a proposta vai ser direcionada para o registro de presídios e presidiários no Brasil. A realidade carcerária do nosso país vai saltar à uma visibilidade potencialmente inédita.

Presidiários de cinco estados estão participando de um projeto do Departamento Penitenciário (Depen), do Ministério da Justiça, cujo objetivo é mostrar a visão deles sobre o sistema prisional por meio de fotografia. Para isso, em cada presídio selecionado, dez presos escolhidos pelos próprios colegas receberam uma máquina fotográfica descartável e um filme de 28 poses para documentar a vida carcerária.

Mas ai, sempre tem um "mas ai" envolvendo quesões prisionais...

Mas ai... As fotos passarão por uma seleção no Depen para serem apresentadas na Feira de Conhecimento da 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública (1ª Conseg), de 27 a 30 de agosto, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

“A seleção será feita levando em conta a qualidade da foto e o conceito com que ela trabalha”, explica a coordenadora-geral do Programa de Fomento às Penas e Medidas Alternativas do Ministério da Justiça, Márcia Alencar Araújo Matos. “O que o Depen quer apresentar com essas fotos são os contrastes da realidade carcerária brasileira sob o olhar do preso e não apenas boas fotos. Por isso, escolhemos unidades que apresentam esses contrastes”. Segundo ela, isso poderá contribuir para a construção de novas diretrizes para o sistema penitenciário durante a Conferência Nacional de Segurança Pública.

Hummmm.... sei. Prefiro ver os resultados e conferir o produto final.

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