26 de mai. de 2009

Capa da Veja. Veja que bizarro!!!

A tranqueira foi cometida na capa da Veja desta semana.
Foi assunto na internet em TODAS as listas de discussão de fotografia.
Assunto da semana e candidata nacional ao photoshop disasters... Piada pronta para mesa de bar e de maníacos por photoshop.



Confiram e tirem suas conclusões sobre a perna direita da modelo.
Nota: A chamada da édição é sobre dieta... Ai fica a pergunta: A revista abre 42 páginas de espaço para o assunto e paga um vacilo desse na foto de capa? Bronca pro editor de fotografia da revista ou pro editor geral? Tsc, tsc... Lamentável!

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9 de jun. de 2009

E a Veja conseguiu... Entrou para o Photoshop Disasters

Como tínhamos antecipado neste blog, duas semanas atrás, tá lá no photoshop disasters, mais uma contribuição brazuca ao photoshop of horrors:



A VEJA conseguiu!

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28 de out. de 2009

Como fugir de uma roubada... passos de 1 a 10

Saiu no blog fotocolagem, não resistimos e reproduzimos aqui. É uma versão adaptada para o português do "painter creativity" um guia anti-roubada para designers. O roteiro mostra que, o rosário de golpes é transnacional e globalizado.

De cara, já é material para-didático para se proteger do "excesso de boa fé" que reina no mercado, nas nem sempre e claras relações entre clientes e fotógrafos. Leia e, se for o caso, se identifique com algum momento da sua vida profissional.


1) “Faça esse trabalho barato (ou de graça) e no próximo pagaremos melhor”

Nenhum profissional que se preze daria seu trabalho de mãos beijadas na esperança de cobrar mais caro mais tarde. Você consegue imaginar o que um advogado diria se você dissesse “me defenda de graça dessa vez que na próxima vez que eu precisar de um advogado eu te chamo e pago melhor”. Ele com certeza riria da sua cara.


2) “Nós nunca pagamos 1 centavo antes de ver o produto final”
Essa é uma pegadinha. A partir do momento que você foi contratado para fazer o trabalho você DEVE pedir uma entrada. O motivo é simples, você está trabalhando desde o momento que se dispõe a fazer a reunião de briefing. Talvez um cliente mais inexperiente queira pagar após ver alguns esboços. Cabe a você aceitar ou não.


3) “Esse trabalho será ótimo para seu portfolio! Depois desse você vai conseguir muitos outros”
Essa é uma das mais típicas. E costuma fazer vítimas principalmente entre jovens que ainda estão estudando. Para não cair nessa, basta pensar “quanto o seu cliente vai faturar com o seu trabalho?”. Além disso, não esqueça que, mesmo que ele indique seu trabalho para outras empresas, com certeza ele dirá quanto custou (ou se foi de graça) e imagine o que os próximos irão querer?


4) Olhando para seus estudos e rascunhos: “Veja, não temos muita certeza se queremos seu trabalho. Deixe esses estudos comigo e vou falar com meu sócio/investidor/mulher, etc e depois te dou uma resposta”
Não dou 5 minutos para ele ligar para outros fotógrafos com seus estudos e conceitos criados na mão barganhando melhores preços. Quando você ligar de novo ele dirá que seu trabalho está muito acima do mercado, blá blá blá, e que Fulano Fotógrafo vai fazer o trabalho. Mas como eles conseguiram outro fotógrafo mais barato? Lógico, você já passou o conceito todo criado! Economizou horas para o fotógrafo que vai pegar o trabalho. Então, enquanto você não entrar em acordo com seu cliente NUNCA DEIXE NADA CRIATIVO no escritório dele!


5) “Veja, o job não foi cancelado, somente adiado. Deixe a conta aberta e continuaremos dentro de um mês ou dois”
Provavelmente não. Seria um erro você não faturar o que foi feito até o momento esperando que o trabalho continue depois. Ligue em dois meses e você verá que alguém estará trabalhando no job. E adivinhe! Eles nem ao menos sabem quem você é… e o dinheiro do início do trabalho, lógico, já era!


6) “CONTRATO?? Nós não precisamos assinar contratos! Não estamos entre amigos?”
Sim, estamos. Até que alguma coisa dê errada ou ocorra um mal-entendido, e você se transforme no meu maior inimigo e eu sou o seu “fotógrafo estúpido”, aí o contrato é essencial! Simples assim! Ao menos que você não ligue em não ser pago. Qualquer profissional usa um contrato para definir como será o trabalho e você deve fazê-lo também!


7) “Envie-me a conta depois que o material for pra gráfica”
Por que esperar por esse deadline irrelevante? Você é honesto, não? Por que você deveria ficar preso a esse deadline? Uma vez entregue o trabalho, fature! Essa desculpa possivelmente é uma tática para atrasar o pagamento. Assim o material vai pra gráfica, precisa de alterações intermináveis e, adivinhe, ele arranja outra pessoa pra fazer as alterações necessárias, o material vai pra gráfica e você nem fica sabendo!


8 ) "O último fotógrafo fez esse job por R$ XX"
Isso é irrelevante. Se o último fotógrafo era tão bom por que ele te chamou? E quanto o outro cobrava não significa nada pra você. Pessoas que cobram muito pouco pelo seu tempo acabam fadadas ao insucesso (por auto-destruição financeira). Faça um preço justo, ofereça no máximo 5% de desconto e não abra mão disso.


9) “Nosso orçamento para esse job é de XX reais”
Interessante, não? Um cara sai para comprar um carro e sabe exatamente quanto ele vai gastar antes mesmo de fazer uma pesquisa. Uma quantia de trabalho custa uma quantia de dinheiro. Se seu cliente tem menos dinheiro e ainda assim você quer pegar o trabalho, dedique menos horas a ele. Deixe isso bem claro ao seu cliente, que você dedicará menos tempo que o estimado para finalizar o trabalho porque ele não pode pagar por mais horas. A escolha é sua.


10) “Estamos com problemas financeiros. Passe o trabalho para nós e, quando estivermos em melhor situação, te pagamos.”
Claro, mas pode contar que, quando o dinheiro chegar, você estará bem lá no final da lista de pagamentos. Se alguém chega ao ponto de admitir que está com problemas financeiros então provavelmente o problema é bem maior do que parece. Além disso, você por acaso é um banco para fazer empréstimos? Se você quer arriscar, pelo menos peça dinheiro adicional pelo tempo de espera. Um banco faz isso, não faz? Por que provavelmente esse é o motivo deles quererem atrasar seu pagamento, ter 6 meses de dinheiro “emprestado” sem ter que pagar juros, o que não aconteceria se ele tivesse que emprestar do banco. Não jogue dinheiro fora!

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9 de nov. de 2008

- Máscara Subaquática com camera digital

O verão, pelas bandas do hemisfério sul, está chegando e como 3/4 do planeta é água, a geringonça abaixo vem unir o gosto pela fotografia com a oportunidade de se ir à praia.




A liquidimage convergiu uma máscara sumarina com uma camera. O resultado é esse ai abaixo.






Tem dois modelos: um de 3.1 megapixel e outro com 5.0, mega, que suportam até 5 metros de profundidade. Grava vídeo, aceita cartões de memória padrão SD e funciona com 2 plilhas AAA. Não tem flash, nem zoom. Foco mínimo 1,2 metros.

As vantagens óbvias: não ter que carregar uma camera subaquática ou uma caixa-estanque; a extrema simplicidade de uso e o preço (veja abaixo). As limitações, também óbvias, são: não poder conferir instantaneamente as imagens (um vício-praga, que a fotografia digital implementou); não ter um visor que indique claramente o campo de enquadramento que a camera está captando.
Mas, a solução parece adequada a quem curte fotografia subaquática sem complicação.
Preços (nos EUA: 70,00 doláres, a de 3.1 mega pixel, e 90,00 dólares a de 5.0 megapixels.)

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13 de fev. de 2010

20 anos de Photoshop



10 de fevereiro de 1990 é a data de lançamento do photoshop 1.0.

Em 20 anos, certamente, foi o software que mais sintetizou a forma cultural que a fotografia assumiu a partir do momento em que dialoga com a tecnologia digital.

Exagerando um pouco, mudou não só a fotografia, mas a percepção que podemos ter do mundo através da mediação das imagens.

Cult: Para descontrair acompanhe o Blog Photoshop Disasters.
Para rir: veja as meladas mais ridiculas do Photosho em 2009 no BuzzFeed.



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2 de jun. de 2010

Tunick ataca de novo.

Primavera em Manchester, Reino Unido. Spencer Tunick ataca de novo. Como sempre, muita gente nua, ideais eco-corretos e performance transformada em fotografia. Ou seria o contrário?



Veja matéria da BBC e tire suas conclusões.

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1 de ago. de 2010

Como destruir sua camera.

É rápido e sem violência.

1 - Vá a uma festa, evento, show, etc., onde tenha projeção de Lasers.
2 - Se distraia, fique desatento, ou seja desavisado, mal informado.
3 - Ponha sua camera no Live View (modo de visualização direta) ou no modo de vídeo.
4 - Fique no eixo frontal do Laser.
5 - Espere o laser passar pela camera.
6 - Pronto! Você acabou de detonar a peça mais cara do seu equipamento.
7 - Reserve uma boa grana para trocar o sensor, ou a camera. Dependendo do dano, o conserto é inviável.

Veja o vídeo abaixo, feito durante a parada Gay de Madrid que ilustra o exato momento em que o sensor de uma Canon 5D mark II foi fritado pelo laser.

How to break your 5D in a second from Agua on Vimeo.

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27 de jun. de 2010

Magnum e Reporters sans frontières no Iphone


Magnum no Iphone. Baixe o aplicativo,
veja as fotos e dê grana para ajudar a Magnum.


O tele-tudo da Apple, o Iphone, tem se notabilizado pelos aplicativos desenvolvidos para ele. Tem de tudo: receitas, previsão do tempo, bússola, download de música.

Agora, numa junção da Magnum Photos com a Reporters sans frontières (RSF), foi desenvolvido um um aplicativo da Magnum para o smartphone. O novo álbum da RSF em colaboração com a agência é o motivo para a estréia. Ao preço de 3 euros o aplicativo dá acesso as imagens da RSF e a histórias que vão sendo alimentadas semanalmente, ao preço de 0,79 euros.

A renomada agência já vem experimentando, através do magnum in motion, há alguns anos a reformatação de seu conteúdo de imagens para plataformas baseadas na web e para Ipod. A experiência parece ter dado certo e agora se expande para plataformas pagas e também na lógica do consumo móvel de conteúdo.

Em tempo de convergência de mídias, a fotografia busca seus canais de onipresença midiática.

Em tempos de crise, a Magnum tenta ganhar no mercado dos produtos culturais o que está perdendo no mercado de informação jornalística.

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14 de abr. de 2010

DSLR Conceitual.

Responda rápido: por que uma camera digital lembra, em sua forma, tanto os modelos analógicos?

Uma máxima do design é que a forma segue a função. Uma camera 35mm tinha sua razão de ser em função do transporte de deslocamento do filme, da justaposição das objetivas e dos sistemas de medição de luz, focalização, etc.

Por que, então, as DLSR's atuais lembram tanto as SLR's? Por que além da função, os dispositivos dizem muito do que são pela familiaridade.

Até que... Olhando o blog The Coolist, nos deparamos com a concepção do Designer Eric Fong, que apresenta uma DSLR, com lentes intercambiávis, mas um formato inusitado. Veja abaixo.


A idéia de Fong é que o formato da câmera pode mudar de acordo com a função demandada. Os manetes podem ser alternados (maravilha pros canhotos), agupados em um só, formando uma munhequeira, e estabelecendo um controle físico maior sobre a câmera. Afinal, estamos manuseando um objeto pensado para ser usado pelas mãos, e não o contrário, onde mãos tem que segurar uma caixa.

No começo do século XX, os automóveis eram chamados "carruagens sem cavalos". Uma metáfora, sem dúvida, para ajudar na compreensão, da época, do que poderia ser aquele veículo.
Hoje, nem de longe se pode pensar em um automóvel como um prolongamento ou aperfeiçoamento de uma carruagem.

A idéia é que o Conceito de DSLR pode ir se moldando, se libertando da imagem de metáfora que ainda o inspira. A Nova DSLR de Fong, ainda é protótipo, pode ser que o design e proposta dela não pegue. Mas, daqui a 10 anos, as DSLR's serão bastante diferentes do que temos hoje.



A razão? Estarão sendo projetadas para fotógrafos que estão, agora, nascendo e crescendo em meio a games, celulares, plataformas móveis de conteúdo, etc. Isso mudará a fotografia, pois cada câmera fotografa de um jeito que dialoga com cada tempo e a cultura que se molda ao redor. Isso não tem freio ou indústria que segure, isso é uma dinâmica que vem da apropriação social que as pessoas fazem dos aparelhos.

Estou curioso pra ver isso!!!

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20 de fev. de 2010

Para ver o WPP 2010 em alta resolução


Foto: Stefano de Luiggi.

Se você ainda não viu, veja as fotos premiadas do WPP em resolução alta,ideal para tela cheia. Tá no site do Lens Culture. Se tiver tempo, passeie pelo resto do site. É bom.

conferir .

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9 de nov. de 2008

Agência Noor - Entrevista com Stanley Greene



Em meio a têndência pessimista que aponta para o fim do fotojornalismo, vale à pena conferir o site da agência Noor. Fundada no ano passado, reúne um time de primeira de egressos de outras agências, como a Magnum, Vu, AFP, Reuters. A maioria dos fotógrafos já tem livros publicados no formato de grandes reportagens. A idéia é de uma “agência sem fronteiras” , como fala Stanley Greene, um de seus fundadores. A ênfase do trabalho da Noor é direcionada ao fotojornalismo de reportagem, de envolvimento e aprofundamento nos temas.


Na entrevista que fiz por e-mail com Greene, ele respondeu:


AutoFoco: O que significa Noor? Por que esse nome?
Stanley Greene: Noor significa luz, na luz e, em qualquer coisa de novo. Escolhemos um nome que interpele as pessoas, que as faça pensar: O que é isto?


AF: Como nasceu a Noor?
SG: É uma longa história. Começou há três anos quando Kadir van Lohuizen e eu tivemos a idéia em Nova Orleans. Nós teríamos que reunir os amigos dentro da comunidade de fotógrafos que conhecíamos. A idéia era trabalhar em coisas novas, A exposição coletiva “Katrina”: um desastre não natural, se transformou em um projeto comum e foi formidável por nos sinalizar a possibilidade de um trabalho coletivo.


AF: Vocês acreditam que não podiam mais fazer o que queriam nas suas agências precedentes?
SG: Eu vim da Vu, que estava em uma direção que não era mais aquilo que eu queria. Christian Cajoulle, o fundador da Vu, em 1991, também saiu por por não se identificar mais com a direção da agência. Portanto eu gosto de trabalhar com as pessoas da Vu, mas nada dura para sempre e comecei a trabalhar na criação de uma nova agência por acreditar que isso é a solução. Saímos das nossas agências sem conflitos, todos nos disserem até logo e boa sorte.


AF: Que papel específico Noor vai ocupar?
SG: Estimulamos as pessoas a se posicionarem sobre as questões. Outrora, se podia fazer uma reportagem de revista de vinte páginas. Hoje, todas as políticas editoriais são administrativas, de gente que não conhece nada de fotografia e o que ela diz. Eles não querem fotos, apenas imagens para ilustrar um papel. Veja o que é publicado hoje: imagens retrabalhadas no photoshop, fotos sem sentido. Elas não nos dão mais tempo. Na Noor, vamos combater essa tendência, dar mais profundidade.


AF: Vocês desejam trabalhar em conjunto, adotar uma produção coletiva?
SG: Sim. A referência é a agência Magnum do seu início, lá nos anos 1950. Os fotógrafos trabalham em colaboração. Noor é formada por indivíduos e suas qualidades próprias, nós vamos agir em temas que agrupem esse sentido.

AF: E o financiamento? O dinheiro? Como manter esse modelo?
SG: Nenhum de nos é rico, mas a questão principal neste momento não é fazer dinheiro. Isso seria um erro grosseiro. Se você faz uma reportagem em Darfur, por exemplo, não é isso que vai fazer você ficar rico, é triste, mas é assim mesmo. Certamente não pensamos em termos de dólares, de quanto essa foto vai me reder, mas em termos de: qual será o impacto desta foto no mundo, nas pessoas?

AF: Você acha que a criação da Noor pode trazer um exemplo para outros fotógrafos?
SG: Cada um deve seguir seu próprio caminho. Mas acredito em pequenas estruturas que funcionam. Contact Press, Tendance Floue, entre outras reinvestem nos valores de independência, de autonomia e se provam como estruturas viáveis e que sobrevivem. As grandes agências como Getty e Corbis são como supermercados em detrimento das pessoas, dos criadores originais. Eu diria aos jovens fotógrafos: Unam suas forças! Tentem criar algo que seja diferente!

Entrevista realizada por e-mail em 4 de novembro de 2008.

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22 de jan. de 2010

Olhos não se compram. Wim Wenders pagando de garoto propaganda da Leica.

Lá nos meados dos anos 1970, antes de ser famoso, Wim Wenders, cineasta do então "novo cinema alemão" fez um filme chamado "O Amigo Americano". No filme, havia uma crítica a eterna tensão entre a produção artística e o mercado. Um marchant, ansioso por ver um artista emergente produzir mais, pressiona-o veementemente.

Três décadas e meia depois encontramos o mesmo Wenders exaltando as já lendárias e conhecidas qualidades embutidas em uma Leica, agora digital, no caso do filme, uma M8. Veja o filme abaixo. Tá no youtube.





Trecho do diálogo entre pintor e marchand, no filme lá dos anos 70:

- O pintor: Bem que eu gostaria de pintar e vender mais. Mas um artista não tem olhos apenas pro dinheiro e sim para ter uma visão do mundo precisa e nova.

- O marchand: Mas eu sou um homem sério. isso aqui (balançando um punhado de dólares) não lhe parece sério?

- O pintor: Tome cuidado, Olhos não se compram.

Minimamente estranho ver quem pensava assim aparecer vendendo a idéia de uma Leica como extensão do olhar.

Ou foi o mundo que mudou?

Ou foi o Marketing que cresceu?

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8 de ago. de 2009

Black Star e os garotos da cola: Tema ignorado ou pauta requentada?



A dica veio do colega Eduardo Queiroga.

O site a agência de fotojornalismo Black Star, estampa, na página destinada a ilustrar os acontecimentos e/ ou coberturas de atualidade, uma reportagem sobre os "Glue Kids", garotos da cola, numa tradução livre; cheira-cola, numa tradução corrente.

A reportagem foi feita em Recife, pelo fotó-repórter Tyrone Turner. A propósito, Recife está se tornando notória por representações visuais atreladas à problemáticas sociais. Neste ano, no prêmio de 2009 do WPP, uma foto de Eraldo Peres - veja no fim do post - mostrando um cadáver na favela do coque foi premiada na categoria "Daily Life" (vida cotidiana).

A questão que esse tipo de material fotojornalístico suscita transcende os próprios fatos. Até que ponto, a Black Star, uma agência de renome, ao agendar uma cobertura sobre os "Glue Kids" não está repetindo uma pauta exaustivamente exercitada desde os anos 1980?

Chover no molhado neste caso, nos faz pensar no outro lado da moeda: se não há incômodo ou sensação de novidade com esse fato, o que ocorre? Já há uma insensibilização generalizada diante desses valores-notícia visuais? Ou, noutra hipótese, a nossa violência é diferente da agendada internacionalmente e se coloca como um modelo exótico, uma macumba pra turista, souvenir macabro do modo brasileiro de ser violento?

Nenhuma dessas imagens, nem de Tyrone, nem de Eraldo, é muito novidade para quem habita Recife. Além disso, fotos de cobertura de assuntos semelhantes, muito mais impactantes, já foram feitas e habitam os jornais da cidade. Algumas delas, inclusive, participaram do mesmo WPP deste ano, sem serem premiadas ou mencionadas.

Mas isso é assunto para outro post...

Pensem, reflitam e postem comentários aqui!


Foto: Eraldo Peres.

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1 de ago. de 2010

Capa da TIME. Controverso? Apelativo? Propaganda?


Foto: Jodi Bieber para TIME.


Capa da Time desta semana. A imagem é forte. A revista garante que consultou psicólogos para avaliar os possíveis impactos que a imagem possa ter junto ao público. Todavia, o mais interessante é tentar decifrar em que eixo de intenção essa imagem foi escolhida para ser capa.

No caso, o retrato é de Aisha, jovem afegã de 18 anos que teve nariz e orelhas mutiladas por não se alinhar ao código de conduta do Talibã. Ainda segundo a TIME a garota concordou em posar no sentido de demonstrar para o mundo a ameaça da volta do regime fundamentalista.

Exemplo interessantíssimo de fotojornalismo comparado. Onde se sobrepõem dinâmicas de propaganda de guerra, documentação e jornalismo incorporado e política editorial controversa.

Veja o vídeo narrado pela fotógrafa Jodi Biber, sobre como a foto foi produzida.


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12 de set. de 2009

Morre Willy Ronis, aos 99 anos.


Foto: Willy Ronis.

Com dados da agência AFP.

Morreu hoje em Paris, o Fótógrafo francês, Willy Ronis. Contemporâneo de Bresson e Doisneau,Sua produção remonta aos anos 1930, na revista "Miradas".

Seus primeiros trabalhos sobre os movimentos sociais, principalmente as greves da fábrica Citroën, são co-fundadores do estilo de cobertura que se convencionou chamar de fotografia humanista.

Depois da Segunda Guerra, Ronis participou no renascimento da imprensa ilustrada e, em 1946, fez parte da primeira equipe da agência Rapho. Ganhou em Prêmio Nadar (1981).

Veja fotos de Willy Ronis.

Abaixo, matéria da TV francesa sobre a morte de Ronis, com uma pequena contextualização da sua importância para a história da fotografia.

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23 de abr. de 2009

AGENDA RECIFE: AESO promove o primeiro colóquio de fotografia

O evento acontece em maio e reúne especialistas na área; a inscrição é gratuita

As Faculdades Integradas Barros Melo (Aeso) promovem o Primeiro Colóquio de Fotografia, sob a coordenação de Geórgia Quintas, Coordenadora do bacharelado em Fotografia da instituição.

O evento acontece nos dias 5, 6 e 7 de maio, das 11 às 13h. As inscrições estão abertas para o público em geral e a entrada é gratuita.

A proposta do evento é analisar as possibilidades fotográficas (veja a programação abaixo). Mais informações no site da AESO.

Programação - Primeiro Colóquio de Fotografia

Quando: de 5 a 7 de maio, das 11h às 13h
Local: Cine-Teatro da Aeso

» 5 de maio

Mesao redonda: 'A rotina do Fotojornalismo – A dinâmica e os meandros da imagem informativa'

Mediador: Prof. Eduardo Queiroga
Palestrantes:
- Alcione Ferreira (repórter fotográfico do Diário de Pernambuco)
- Marcos Michael (repórter fotográfico do Jornal do Commercio)

» 6 de maio

Mesao redonda: 'Moda e Publicidade – Mercado e Criação'

Mediador: Profª. Roberta Guimarães.
Palestrantes:
- Carlos Cajueiro (Fotógrafo de moda)
- Chico Barros (Fotógrafo de publicidade – Sala de Foto)

» 7 de maio

Mesao redonda: 'Agência Fotográfica e Fotografia Independente – Formas e possibilidades de atuação editorial'

Mediador: Prof. Mateus Sá.
Palestrantes:
- Geyson Magno (Fotógrafo – Algaroba Agência Fotográfica)
- Leo Caldas (Fotógrafo – Titular Agência Fotográfica)

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30 de mar. de 2009

Por que Fotografia? # 2

Por que Fotografia? # 2. Roberta Guimarães.

Fotógrafa pernambucana, trabalhou como fotojornalista e fundou, juntamente com 4 outros fotógrafos, no final dos anos 1980, a agência Imago fotografias. Possui no currículo várias exposições e livros. Atualmente ensina no bacharelado em fotografia da AESO.

AF. Quando você se interessou por fotografia?

Roberta - Quando iniciei o curso de jornalismo. No primeiro ano descobri que queria seguir com imagens e não com textos. Antes de iniciar a disciplina de fotojornalismo eu já fazia minhas saídas fotográficas. Lembro que uma das primeiras foi um acampamento de sem-terra na Praça da República, em frente ao Palácio do Governo.

AF. Pra quem está começando, o que você diria?

Roberta - Leia muito. Veja imagens( fotografia e cinema). E fundamentalmente fotografe.

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16 de jun. de 2009

Para quem é fetichista em câmeras retrô: Olympus Pen, agora digital



Quem tem mais de 35 anos seguramente tem a Olympus pen habitando algum lugar da memória. Lançada em 1959, essa camera infestou os anos 1960 e 1970. Super compacta para os padrões de então, a Pen foi projetada pelo renomado designer japonês Yoshihisa Maitani.

O designer tinha como princípio a idéia que a fotografia era para registrar memórias, o que importava mesmo era o poder da mente em visualizar imagens. O equipamento deveria ser o mais simples e, ao mesmo tempo, preciso e confiável. Rapidamente, a Pen representou uma combinação única de simplicidade, estilo, performance e baixo custo.

Usava filme 35mm e tinha a peculiaridade de "dobrar" a quantidade de exposições. O segredo? Usava apenas a metade de cada quadro do filme, recompondo o na vertical. Assim, cada rolo de filme de 36 fotos era capaz de 72 registros. Na época do filme, a olympus Pen já sinalizava a possibilidade de tirar centenas de fotos em um fim-de-semana, algo comum nas digitais de hoje. Isso era conseguido com a ajuda e engenhosidade permitida pela boa optica de sua lente 30mm f.1:2,8 (veja como era o registro no negativo no exemplo abaixo). Fora isso, operava totalmente sem baterias. A medição de luz era automática e a eletricidade para fazer isso era obtida da própria luz existente através da enorme fotocélula que ficava ao redor da objetiva. A pen era um ovo de colombo!



Bem, recuperando a aura de cult que a camera tem, a Olympus resolveu repaginar e lançar um modelo diretamente inspirado na antiga Pen. A E-P1, "digital pen", (ver foto abaixo), que foi lançada hoje, vem com lente intercambiável, 14-40mm, corpo em metal, resulução de 12,3mpixel, grava video em HD (1280x720), captura em RAW e uma gama de iso de 100 a 6400. Um bom pacote para uma compacta. Mais informações aqui.

Bem, se vai pegar na mesma proporção cult da sua "tia mais velha" - e durar - é outra coisa. Tenho amigos que possuem Pens de 20, 30 anos funcionando perfeitamente. Algo quase inimaginável na era de cameras descartáveis que temos hoje. Pensar que a antiga Pen funcionava sem baterias e, consequentemente sem carregador, sem cabinhos, sem cartões de memória, e além disso, fazia um monte de foto de modo simples e barato, nos faz pensar o que é, de fato, o conceito de tecnologia avançada.

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11 de nov. de 2008

Calendário Lavazza 2009, por Annie Leibovitz.




2008 ainda não se foi, mas a marca de cafés italiana Lavazza já imprimiu e liberou o seu calendário para 2009. O teor é a produção em tons extravagantes e luxuosos. O nome para clicar: Annie Leibovitz, que explorou os temas gastronômicos, históricos e imaginários ligados à Itália.
Para ver todas as imagens do calendário Lavazza 2009 clique aqui
Para conferir o Making of, veja o vídeo abaixo.

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6 de mai. de 2009

Fotografia Falada: Alcyr Lacerda e meio século de fotografias

O AutoFoco inaugura sua sessão de entrevistas. Fotografia falada. Para começar - bem - trazemos uma conversa com Alcyr Lacerda, feita em 2007, quando ele tinha 80 anos. Por motivos absolutamente injustificáveis demoramos um monte para disponibilizar no blog. Agora, reparamos essa lacuna.


Alcyr Lacerda, breve Perfil: Nascido em São Lourenço da Mata, PE, 1927.

Ele é o decano da fotografia pernambucana. No ano em que completou 80 anos de vida, mais de 60 no percurso com a fotografia, Alcyr Lacerda conversou com o AutoFoco. Em frente as suas lentes, passou mais da metade do século XX. Autodidata. Começou com uma Rolleiflex. Emprestada. Em 1957 abre a ACÊ Filmes. No mesmo ano começa a trabalhar com fotografia científica na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco. Colabora como freelance para o Jornal do Comércio, Diário de Pernambuco, O Estado de S. Paulo e revistas como Fatos e Fotos, O Cruzeiro, Veja e Placar. Em 1963 começa a trabalhar como fotojornalista na sucursal da Manchete no Recife. Em 1963 e 1964 realizou reportagens fotográficas sobre a seca, o golpe militar e a prisão do governador Arraes.

Nos anos setenta a ACÊ filmes chega a contar com 25 fotógrafos em seu quadro de funcionários e documentaram parte da história da sociedade pernambucana. Na década de 80 presidiu por duas vezes a Associação dos Repórteres-Fotográficos e Cinematográficos de Pernambuco. É membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco. Em 2001 e 2002, com a exposição Tamandaré, Pescadores de Almas e de Peixes, mostra as fotografias dedicadas a esta praia ao longo de 50 anos.



Em 2004 foi organizada a exposição dedicada ao autor na Torre Malakoff onde foi inaugurada a sala Alcir Lacerda destinada às exposições fotográficas. Tem material depositado de modo permanente na coleção pirelli de fotografia.

"Seu Alcyr", como é chamado, é uma enciclopédia. Mas também acompanha a fotografia atual. Em 2007, ele deu o depoimento abaixo. É uma aula múltipla. De fotografia, de história, de dicas - preciosas - para quem está na profissão, de vida.

Entrevista concedida em 23 de novembro de 2007, no Centro de Artes da UFPE.

AutoFoco: Em mais de 50 anos de fotografia,com mais da metade do século xx fotografando,olhando para as suas fotografias e olhando para esse período, quais são as principais diferenças que o senhor sente, que o senhor percebe em relação à fotografia, o que ela era antes e o que é hoje?

Alcyr Lacerda – A diferença maior é que hoje você não usa um filme convencional numa máquina convencional. Muita gente sabe fotografar com a digital mas não sabe pegar em uma máquina convencional com filme. Muita gente não sabe o que é profundidade de foco, não sabe fazer o ângulo certo da fotografia. Por que você bate uma fotografia na digital e você diz “gostei não”, ai apaga, não é? E no negativo, você precisa ter mais atenção, por que, vamos dizer, se eu for fazer uma foto sua e você fechar os olhos, é tão rápido que não dá nem pra ver, mas com a prática, você sabe se alguém fechou os olhos. Com a digital, não: você apaga e faz outra foto.
Então, muita coisa que vocês, na digital, aprendem, e no meu caso já é mais difícil para mim, mas para você manipular um filme é muita mais difícil que usar a digital. Até criança faz fotografia com a digital. A gente saia para fazer um trabalho, enquanto não revelava os filmes, a ansiedade era muito grande. Então quando a gente ia fotografar, tinha toda calma, as vezes repetia aquela foto porque sentia que ela não tinha ficado boa, problemas de iluminação... Tinha vez que eu esperava mais de duas horas esperando que o sol baixasse por que eu queria pegar a sombra daquilo que eu estava fotografando no chão, entendeu?

AF – o senhor acha que com a fotografia de hoje, que com essas facilidades do digital, o fotografo aprende menos, que é pior para ele... Que avaliação o senhor faz disso?

Alcyr Lacerda – Eu não acho que seja ruim para o fotógrafo. Mas acho que banalizou a fotografia. Hoje todo mundo é fotografo. Se você tem uma sensibilidade boa de um ângulo, você vai dominar sua máquina, você vai fazer fotos espetaculares. Agora, também você não sabe a durabilidade hoje em dia dessas fotos coloridas. Se aparecer umas pintazinhas no cd... Você não vai deixar todas as suas imagens no computador, ninguém sabe a durabilidade de um cd, que é uma negocio muito novo, não é? Meu pensamento é mais isso... As vezes a gente vai para um casamento fotografar, a gente leva digital. Depois do casamento a gente descarrega no computador e grava as imagens brutas. E ninguém sabe se vai entrar um vírus no computador e acabar com o casamento da moça?

Cd quebra, cai no chão, arranha. Eu não gosto porque eu não sei até onde vai o arquivo, a duração deles. Tem negativo de 45 anos... O computador vai agüentar todas as imagens? São essas coisas? Eu guardo os negativos com maior carinho até hoje. Hoje eu ganho mais dinheiro nas fotos antigas de cinqüenta, sessenta e setenta de que eu indo fotografar agora. Por quê? Vou dar uma idéia a vocês. Há cinco anos, eu cobro trinta reais em uma foto 24x3ocm, um álbum com quarenta fotos custa 1.350,00 reais. Há cinco anos que é esse preço. E hoje você não pode deixar muito diferente disso não. Hoje já tem fotografo que entrega até o cd para você imprimir as fotos. Quer dizer, banalizou os negócios.

AF – Pelo que eu estou sentindo já nessa conversa que a gente esta tendo aqui, já dá pra perceber que na sua vida profissional você já fez social, fotojornalismo, fez documentação... Me diga agora: o que o senhor não fez na fotografia?

Alcyr Lacerda – em fotografia eu já fiz tudo (risos)!! Por exemplo, eu já passei na Amazônia vinte e cinco dias dentro da mata, e essa foi a pior reportagem que eu fiz - pior não, a mais difícil. Tinha que passar uma coisa no rosto para espantar um negocio lá que dava febre amarela...

AF – isso foi uma reportagem para a Revista Manchete, não foi?

Alcyr Lacerda – Sim. E eles encontraram lá pedras preciosas. Passei oito dias lá. tinha de tudo: criminoso, ladrão... Todo mundo fugia para lá. Uma outra reportagem foi também sobre pedra preciosa no Piauí, uma denuncia que fizeram: um americano tinha um campo de pouso de avião cercado por arame farpado... Fomos eu e Ivanildo Sampaio, foi uma das primeiras reportagens dele... A gente chamava ele de foca (risos). Então, nós fomos para uma casa de uma família bem pobrezinha de lá e vimos pedras preciosas, que eles vendiam aos americanos. Eu lembro que passei cinco dias na mata até chegar na cerca. A gente levou até alicate pra não levar choque! Em um dia eu peguei uma teleobjetiva, uma 500mm. Depois, ficamos esperando o avião pousar. Eu fiz as fotos do avião chegando, vi aqueles caras lá botando umas coisas dentro do avião... Nós fizemos essa reportagem e ela nunca saiu na manchete... Porque alguém deve ter... Vocês sabem, né?

AF - Como foi a cobertura da deposição do governador Miguel Arraes pelos militares?

Alcyr Lacerda – Complicado. Ele já tinha prisão decretada, mas estava dentro do palácio do governo. Durante o dia eu não saia da praça em frente ao palácio, tentando entrar e e não conseguia. Quando eu fazia aquelas fotos de fora, com a polícia correndo, botando o povo pra fora... Os militares vinham e tomaram uns filmes meus durante umas três vezes. Me ameaçamvam de prisão, essas coisas. Mas eu tinha que fotografar Miguel Arraes sendo deposto.

Mas ai escureceu... e veio uma caravana de coronel, sargento, turma a paisana... E ai eu estava sentado mesmo na frente deles... Aproveitei para entrar no palácio, lá eu conhecia tudo, o elevador, as escadas...eu fiquei debaixo da escada... Quando eu cheguei lá, já tinha um fotógrafo, Sanderval Loreira, que trabalhava lá no palácio. Ai foi quando eu ouvi o pessoal subindo a escada. Paulo guerra dizendo assim: tem que forçar a barra! Ele tem que renunciar!

Ouvíamos a voz de Arraes falando, aquele rouco bem forte: eu não renuncio não! Vocês podem me botar para fora! Eu fui eleito pelo voto do povo! Quando foi meia noite e pouca, ele saiu preso. Se ele renunciasse, ele saia até solto, mas ele não quis. Consegui fotografar ele num fusca, que saiu correndo. Quando eu vi o wolks, lá atrás, apareceu à cabeça dele... Eu fui fazendo as fotos, mas quando chegou no portão, trocaram ele de carro. Então eu corri para o jornal do commercio, revelei os filmes. Depois fui ao aeroporto por que a manchete estava esperando essa foto, entreguei tudo para um passageiro e o pessoal tava já esperando ele lá. E a foto foi publicada. Foi bem difícil.

Depois disso tudinho, chegaram um sargento, um tenente e um soldado á na ACÊ filmes e tomaram uma parte do meu acervo, né? Uma parte eu já tinha deixado na minha casa na Caxangá, e depois eu doei a Fundação Joaquim Nabuco.

AF – Essa foto de Arraes estava nesse arquivo?

Alcyr Lacerda – A parte do carro tava. Mas a outra parte que foi para a manchete, não.

AF – E Esse material hoje em dia, o senhor sabe onde está ?

Alcyr Lacerda – não... Não sei lhe dizer. Mas nessa época houve outras matérias importantes. Gregório bezerra foi um exemplo disso. Esse foi um dos presos mais valentes que eu já vi na minha vida. Ele dizia assim: "eu tenho vergonha do exercito brasileiro!!! Na cara do general, numa época daquela? Ele estava preso lá no forte das cinco pontas. Eu pensava: o general vai matar esse homem. Ele era corajoso.

AF – Vendo o que se faz hoje, o que o senhor sente falta na cobertura do fotojornalismo?

Alcyr Lacerda – Hoje os fotógrafos tão tudo no mesmo lugar... Antigamente a busca pelo furo era mais intensa. O fotografo precisa também procurar um lugar que deixe ele mais protegido, para pegar alguma coisa que o outro não fez.

AF – E o que é preciso para fazer um bom retrato?

Alcyr Lacerda – Sensibilidade com as coisas. Eu dava um curso de fotografia lá na AC filmes e eu me lembro bem de uma coisa: uma vez nós fomos a Gaibu e o pessoal descia do ônibus já batendo foto de tudo. As vezes eles perdiam detalhes como uma florzinha em uma pedra, ou as pegadas na areia. Depois, meus alunos perguntavam: como é o senhor viu isso? E eu sempre dizia: o fotógrafo tem que aprender a ver.

AF – Quem o senhor considera como influência direta para o seu trabalho? Quem marca a obra de seu Alcyr Lacerda na hora de produzir o seu trabalho?
Alcyr Lacerda – fotografia é oportunidade. Se você fizer uma viagem para algum interior, preocupe-se em saber como o povo vive, como ele planta, como ele se alimenta... Nesses lugares tem tudo para você fotografar, centenas de assuntos. Você tem que pensar em coisa bonita, diferente. As vezes é a mesma foto, mas o ângulo é completamente diferente.

A PROMESSA NÃO CUMPRIDA.

Alcyr Lacerda - Tem uma história curiosa: eu fiz uma promessa e não cumpri. Eu tinha um amigo que morava em Camaragibe e ele pediu para eu fazer uma fotografia do pai dele que morreu. Antigamente tinha esse tipo de foto, a família reunida por trás do caixão. E eu sem prática nenhuma... Fomos eu e um amigo meu. Chegou lá tava todo mundo na sala. Ai eu formei eles lá e mandei eles olharem para a máquina. Quando fui bater, eu notei que tinha um negocio nas minhas pernas. Era o defunto que tinha caído do caixão e tinha vindo pra minhas pernas. Fui uma confusão danada e eu tive que fugir correndo de lá! E eu tinha prometido nesse dia, então, nunca mais fotografar defunto! Agora o mais engraçado é que um dos meus trabalhos, depois, foi fotografar defunto na faculdade de medicina todo dia! Dissecação de cadáver...

AF – Fez de tudo...

Alcyr Lacerda – Em fotografia eu fiz tudo! Menos um trabalho que era vigiar a mulher dos outros. Tinha fotógrafo que fazia, mas eu nunca fiz.

AF – Olhando para o seu material, nós percebemos que o senhor tem uma preferência pelo preto e branco. Porque?

Alcyr Lacerda – Eu comecei com preto e branco. Eu tenho muita saudade do laboratório preto e branco. A gente ficava naquela expectativa pelo negativo, diferente do digital. Hoje o negócio está banalizado.

AF – Mas o senhor tem alguma mágoa da fotografia?

Alcyr Lacerda – Eu devo tudo o que eu tenho a fotografia. Não posso ter mágoas dela. Para não dizer tudo, uma vez eu ganhei no bicho (risos). Tirei no milhar, na cabeça! Deu pra comprar enxoval para os meninos, para trocar o carro!

Eu queria dizer para essa juventude que as coisas têm que ser feitas com carinho. Não como alguns mercenários... Eu mesmo ainda hoje faço casamento de bisneto de casal que há 60 anos eu tinha fotografado. Já passei muita coisa na fotografia. Não posso pedir muita coisa a Deus não, nem ganhar na mega sena (risos)! A fotografia já meu deu tudo!

Confira site feito em homenagem a Alcyr Lacerda. Muito mais material, fotos, depoimentos.

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