18 de abr. de 2010

SAPE. África chique.


Foto: Héctor Mediavilla.

SAPE é a Sigla para Societé de Ambianceurs et Persones Elegantes. (Algo como: Sociedade dos atmosferistas e pessoas elegantes) Fica baseada em Brazzaville, na república do Congo. Trata-se de um clube de homens que capricham pra valer na vestimenta.

Vale conferir o ensaio de Héctor Mediávilla sobre os sapeurs, os descolados da SAPE. Até que enfim um ensaio sobre a África que não é sobre fome, guerra, safaris, ecologia ou tribos perdidas.

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20 de fev. de 2010

Sessão de domingo: Making of do Calendário Pirelli 2010.

O calendário Pirelli sai todo ano e já tem um histórico próprio que o posiciona como um clássico esperado ano a ano por onde passam as beldades do mundo fashion.

Todo mundo sabe que as fotos do calendário 2010 foram feitas por Terry Richardson, em Trancoso na Bahia em junho de 2009 e contou com a presença das modelos: Miranda Kerr, Catherine McNeil, Abbey Lee Kershaw, Eniko Mihalik, Marloes Horst, Lily Cole, Daisy Lowe, Rosie Huntington-Whiteley, Georgina Stojiljkovic, Gracie Carvalho e Ana Beatriz Barros.

O que todo mundo não sabe, é como foram as sessões. No vídeo abaixo dá pra ter uma idéia. Evidentemente, deve ter sido editado com muito cuidado.



Antes de ver o vídeo do making of achava o Terry Richardson meio picareta, um cafetão da fotografia. Depois de ver fiquei com certeza.

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7 de out. de 2009

Irving Penn. 1921 - 2009.


Irving Penn em 1951.

Morreu hoje, aos 92 anos de idade, em sua casa em Nova Iorque, o fotógrafo Irving Penn. Não é exagero afirmar que Penn está para a fotografia de moda, como Robert Capa está para o fotojornalismo. É uma referência absoluta, divisora de águas da maneira de se tratar a moda visualmente.

O estilo de Penn era claro, limpo e minimalista. Essa economia de recursos, vamos falar assim, no entanto criou uma linha de admiração graças a uma - longuíssima - colaboração entre Penn e a revista Vogue, que remonta aos anos 1940. Mas o fotógrafo não jogava só na moda. Retratos memoráveis de personalidades, still-life e trabalhos de cunho etnográficos também compõem seu valioso portfolio.

Sua longa carreira na vogue atravessou décadas e tendências, ao passo que Penn manteve a sua identidade e estilo. Nada de movimentação, de borrados, de movimentos esdrúxulos. Contida e elegante, porém dirigida e com pouca intenção espontânea, a fotografia de Penn tinha uma pegada calma, mesmo quando fotografava os motoqueiros do Hells Angels, clicados por Penn em 1967.

Neste estilo soube alçar o trabalho editorial de moda para os espaços das paredes das galerias e museus especializados em fine-art. Foi ao mesmo tempo um desbravador e um formalista rigoroso. Capaz de através das fotos iconizar todo um repertório visual da moda, dos costumes e de personagens do século XX.

Vale a pena conferir a excelente cobertura dada pelo NY Times. Em tom de restrospectiva e não perdendo nenhuma chance de dizer por que, onde e como Penn foi importante.

Abaixo, um slide-show com alguns de seus trabalhos mais memoráveis.




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26 de ago. de 2009

O Polêmico Bailey e a fotografia de moda contemporânea...

Descontextualizada, essa sentença nada mais seria que uma afirmação perdida, sem conexão direta com o mundo da fotografia. Mas quando a atribuímos ao controverso e polemico David Bailey, a coisa muda de tom... Em entrevista ao jornal britânico “The Times”, Bailey afirmou que não aguenta mais o estilo de modelos que se procura hoje em dia, que parecem "andróides" ou manequins de vitrine.

Ainda de acordo com o fotógrafo, dificilmente hoje conseguimos atrelar uma foto a quem a produz, visto que conceitos como personalidade e autoria estariam ficando de lado no momento do click. "Antes se podia distinguir uma mulher fotografada por Helmut Newton, por Cecil Beaton ou por quem fosse. Uma mulher fotografada por Bailey tem um ar muito diferente. É uma mulher de carne e osso, uma mulher sexual", comenta.

Declaração (no mínimo) polemica. O espaço está aberto para discussão. Quem se arrisca?

Link para a matéria, aqui.

Post enviado por João Guilherme Peixoto.

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6 de ago. de 2009

Workshop de moda com Vitor Shalom em Recife



Nos días 29 e 30 deste mes o fotógrafo brasileiro radicado em Milão Vitor Shalom ministra aulas sobre fotografía de moda.

Nos dois dias de workshop serão trabalhados temas como setup de luz, mercado de moda, desconstrução do olhar comercial, produção de editorial em estúdio, direção, iluminação, enquadramento e composição.


As aulas acontecem no estúdio de fotografia Stud1um, na Rua Horizonte, 41, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife e é promovido pelos fotógrafos pernambucanos Gustavo Penteado e Renata Célia. O investimento é de R$ 450,00

Para conhecer um pouco mais sobre esse renomado fotógrafo de moda, clique aqui e conheça o site (muito bem organizado, diga-se de passagem!)

Mais informações:

Gustavo Penteado: (81) 9282-2241
E-mail: gustavopenteado@hotmail.com

Renata Celia: (81) 9959-1118
E-mail: renatacelia@hotmail.com

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2 de jul. de 2009

Gisele Bundchen, por Paulo Vainer, é capa da PHOTO


PHOTO de Julho: Gisele, por Paulo Vainer.


Gisele Bundchen em capa de revista é um fenômeno onipresente. Na edição de Junho da PHOTO, edição francesa, lá está ela de novo. É a terceira vez em oito meses que Gisele emplaca capas da PHOTO. (Foi o nosso primeiro post, em novembro, e também foi capa da versão americana da PHOTO de novembro-dezembro de 2008).

Como sempre: bela e bem produzida. A foto da capa e as do miolo da revista são, todas, de campanhas das sandálias ipanema, feitas de 2003 a 2009. O mote das campanhas sempre vinculam Gisele à uma certa identidade visual com elementos da natureza e/ou voltados para a uma abordagem ecológica com tons de Brasil.

O resto da edição é totalmente direcionada no eixo ecológico. Compoem ainda: matérias sobre o filme HOME de Yann Arthus-Bertrand, sobre poluição e questão do lixo em fotos que impressionam.

Quando a revista aportar em bancas e livrarias brasileiras, vale conferir. São 8 páginas cheias com fotos de Gisele. Até ai, nada de novidade para a já badalada carreira da modelo. Mas o legal é o destaque dado a Paulo Vainer, Autor dos clicks feitos entre 2003 e 2009. Tem um entrevista de duas páginas dando voz ao fotógrafo e várias dicas sobre o making de algumas fotos.

Por que é importante?
1 - Por abrir espaço para um fotógrafo brasileiro - já consolidado por aqui - em um contexto internacional, ampliando a visibilidade do que se produz aqui;
2 - Por mostrar um estilo de foto de moda ligado à realidade publicitária brasileira e vinculado ao tema da ecologia que, como foi feito, foge das abordagens estereótipadas;
3 - Porque a última vez que a PHOTO abriu tanto espaço para um brasileiro foi com Sebastião Salgado, e faz tempo...
4 - Porque Gisele continua impecável!

Em tempo: As fotos são belíssimas, com tratamento de pós-produção e edição digital primorosos.

Será que alguém vai olhar para as sandálias que Gisele calça nas fotografias?

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20 de mai. de 2009

Avedon, no ICP com iniciativa do New Yor Times


Vídeo-retrospectiva de Avedon, no NYTimes.

Quem estiver passando por Nova Iorque ou puder dar uma "esticada" (simples, né??!!) até lá e, se nisso tudo, dar valor a fotografia de beleza, vale conferir, no ICP (International Center of Photography), a iniciativa do New York Times (de novo, eles! cabe perguntar se isso é uma nova estratégia do jornal em função da fotografia) de realizar a exposição “Avedon Retrospective”.

A mostra está por lá até 6 de setembro. Mas na internet, o jornal montou um bom especial de apresentação da expo. Quem conferir, ao vivo ou via web, vai se deparar com uma longa viagem através da fotografia de moda de Avedon. A mostra documenta o percurso de Avedon de 1944 até 2000, 56 anos de carreira onde se percebe, ao mesmo tempo, a história do fotógrafo, parte da história da moda e também da fotografia de moda.

Vale a pena conferir e se informar. Avedon não era apenas um Gênio da fotografia. Era um criador de padrões, estilos, e abordagens inconfundíveis em relação aos modelos e a compreensão visual da moda. Foi muito imitado ao redor do mundo. O que, de certo modo, serve de elogio.

Enquanto isso, fiquem com a vídeo-retrospectiva no próprio site do New York Times.

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7 de mai. de 2009

Agenda Brasília: Workshop com Bob Wolfenson.


Giselle Bundchen, por Bob Wolfenson.


Com dados do site Finíssimo

No próximo dia 23 a Apoio 3 Comunicação recebe em Brasília o top fotógrafo Bob Wolfenson, um dos mais importantes nomes da fotografia de moda do país, vencedor do prêmio Moda Brasil.
O workshop é voltado para profissionais de comunicação, estudantes e curiosos que queiram saber mais sobre o case de sucesso de Wolfenson e suas técnicas de fotografia. O evento marca a inauguração do novo estúdio de TV da Apoio 3 no Lago Norte.

Serviço

Workshop com Bob Wolfenson
Dia: 23 de maio de 2009
Horário: 9h às 17h
Local: Estúdio Apoio 3 Comunicação
(SHIN – CA 2, Bl.B, Lj 1 – Ed. Monumental, Lago Norte, Brasília-DF)
Inscrições: (61) 3043-8104
Valor: R$ 700 (Visa, Mastercard ou depósito bancário)
Infos: (61) 3043-8129

Post enviado por João Guilherme Peixoto.

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24 de abr. de 2009

Pioneiro da fotografia de moda no Brasil, Otto Stupakoff morre aos 73 anos



Morreu, aos 73 anos, na madrugada da última quarta (22/4), o fotógrafo Otto Stupakoff. Pioneiro da fotografia de moda no Brasil, Stupakoff vivia num flat no bairro do Itaim, em São Paulo, onde teria passado mal. A causa da morte ainda é desconhecida.

O artista, famoso internacionalmente desde os anos 60, realizou ensaios para revistas de moda como a americana Harper's Bazaar, a francesa Elle (cujas fotos viraram acervo do MOMA de Nova York) e a Vogue Paris. Na última revista, uma das publicações mais importantes e influentes de moda do mundo, foi responsável pelas capas a partir de 1972.

Em 2005, em comemoração aos 50 anos de carreira de Stupakoff, o São Paulo Fashion Week realizou uma exposição retrospectiva da obra do artista no prédio da Bienal. Recentemente, o AutoFoco deu nota sobre a aquisição, pelo Instituto Moreira Salles, do acervo de Stupakoff, que também gerou exposição.

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Segunda Atualização, em 24 de abril:

Segue abaixo repercussões sobre a morte de Otto Stupakoff que circularam na internet.

Clicio:

Estou triste… Otto foi o pai da fotografia de moda no Brasil, e um exemplo para todos nós. Eu sempre fui fã!

JUST OTTO
Otto Stupakoff era sinônimo para respeito e profissionalismo. Para quem ainda não o conhecia, fica uma homenagem ao nosso estilo: imagens e web!

Siga os enlaces da Clix.

Leia entrevista com o fotógrafo Otto Stupakoff, homenageado em mostra no SP Fashion Week
UOL: Em seus retratos que fez de grandes celebridades, você sempre buscou humanizá-las?
Stupakoff: Não sempre. Quando fazia retratos em grandes formatos, eles são por naturezas fixos, formais. Mas há retratos muito soltos. Eu sempre lia muito sobre a pessoa que ia fotografar, havia um preparo. Com exceção do Jack Nicholson, que foi muito grosseiro (N.R.: o ator, reclamou, por exemplo, do local escolhido para as fotos _a rua_ e a sessão durou apenas dois cliques), todas as pessoas foram extremamente cordiais comigo.
O meu tipo de fotografia era o de passar o dia inteiro com a pessoa, às vezes mais de um dia, por exemplo, com a alteza real Grace de Mônaco (Grace Kelly) e sua filha Stephanie. Eu fotografei Sophia Loren quatro ou cinco vezes, havia um pouco mais de intimidade, cheguei a passar a noite em seu bangalô, mas nunca tive a ilusão de que era amigo dessas celebridades.

Fotosite
BIOGRAFIA
Otto queria o mundo e, em meados dos anos 60, foi para Nova York com mil dólares no bolso e duas Leicas. Havia queimado seu acervo gigante, salvando apenas umas 30 fotos que viraram seu portfólio. Em terra estrangeira, Stupakoff batalhou até cavar seu lugar entre os principais fotógrafos do seu tempo. Dividiu várias páginas de revista com Richard Avedon, Diane Arbus, Helmut Newton e Irving Penn.
… “longa e bela vida ao Otto!”.


A boa fotografia está de luto …
Jorge Diehl

Coleção Pirelli/Masp de Fotografia
Em 1965 mudou-se para Nova Iorque, Estados Unidos, onde fotografou para agências de publicidade e diversas revistas, como Harper’s Bazaar, Life, Esquire e Look. Foi professor de fotografia na Parson´s School of Design, Nova Iorque (1966).


Tchau, Otto
…Que sua marca humanista na super-encenada fotografia de moda deixe discípulos.
Siga os enlaces.

Morre o fotógrafo Otto Stupakoff
Sua fotografia diurna e viril foi publicada nas maiores revistas do planeta e exposta em conceituadas galerias: parte dela está no acervo permanente do MoMA, em Nova York. As fotos aqui publicadas foram feitas para o livro Rioerótico, jamais publicado no Brasil. Otto vive, atualmente, em um flat de São Paulo, onde discursou para a reportagem.

PARA OTTO STUPAKOFF, UM FOTÓGRAFO FOTOGRAFA COM A MENTE E O CORAÇÃO,
NÃO COM A CÂMERA, QUE É INCAPAZ DE VER

…E foi pelos retratos que comecei, depois de uma espera de cinco anos em Nova York, quase morrendo de fome, coisa que pouco brasileiro tem vontade de fazer.
…Quando eles viram que eu sabia fotografar moda, veio o segundo trabalho, que era a Tina Sinatra. Nós tivemos uma paixonite aguda um pelo outro, na praia, na cabeceira do aeroporto de Los Angeles, com os aviões passando por cima da gente. Nós emendamos isso na casa dela, à noite. Foi um romance de três dias.

…Acabei descobrindo o que eu já sabia: que fotografia não é uma arte que se pode ensinar, é o acumulo de elementos que formam o fotógrafo como ser humano. Quanto melhor ser humano ele for (por natureza ou porque se desenvolveu), melhor fotógrafo. Leia, inspire-se na arquitetura, no cinema, na pintura. E, sobretudo, desenhe, porque eu não acredito que é possível ser fotógrafo sem desenhar. Você não fotografa com câmera. Câmera é um objeto que você utiliza para registrar aquilo que você quer dizer. E tanto faz: a descartável é tão boa quanto aquela que você acha que, quando tiver, sua fotografia vai melhorar. Não vai melhorar nada! A gente fotografa com a nossa mente, com o nosso coração, não com o aparelho. Uma câmera é incapaz de ver.”

“longa e bela vida ao Otto!”

Pictura está triste!

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4 de mar. de 2009

Enquanto isso, em Milão...Vogue: 80 anos de fotografia de moda.


Cartaz da exposição/ Retrospectiva da Vogue em Milão

Com dados do Público, de Portugal.

Cem das melhores fotografias de moda publicadas pela versão americana da revista "Vogue" nos últimos 80 anos compõem a exposição que, a partir de amanhã, pode ser vista no Palazzo della Regione de Milão, por ocasião da Semana da Moda que está a decorrer na cidade.

A exposição Extreme Beauty é uma análise fotográfica do papel da beleza na sociedade e da forma como, ao longo destes anos, os padrões e a percepção da beleza se alteraram. Annie Leibovitz, Steven Klein, Irving Penn ou Helmut Newton são alguns dos fotógrafos que terão trabalhos expostos nas paredes do Palazzo della Regione.

O percurso da exposição, da autoria do arquitecto e director artístico Jean Nouvel, foi planeado para que cada fotografia tivesse direito a uma sala individual. Nouvel explica, citado pelo diário espanhol "El País", que o objectivo é permitir que os visitantes contemplem as imagens “profunda e tranquilamente, da forma mais respeitosa e pessoal”.

A selecção das imagens de Extreme Beauty foi feita por Wintour e por uma vasta equipa de curadores. A exposição está em Milão até 10 de Maio.

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15 de fev. de 2009

Saul Leiter e a sensação das cores


Foto: Saul Leiter

O AutoFoco dá espaço a mais um Colaborador: Camilo Soares, fotógrafo de cinema, professor da UFPE e a partir de agora, co-blogueiro do AutoFoco! O texto abaixo é parte de um ensaio que Camilo escreveu para a revista Continente Multicultural sobre Saul Leiter, fotógrafo conhecido por seu trabalho publicitário e de moda, que, aos 85 anos alcança prestígio no meio artístico internacional.

“Talvez eu não tivesse a personalidade para ser um artista conhecido”. Assim o fotógrafo Saul Leiter ensaia uma justificativa sobre o quase ineditismo de seu trabalho pessoal durante décadas. Acha até engraçado ter respaldo internacional hoje, aos 85 anos, somando duas grandes exposições em Paris somente em 2008, na Fundação Henri Cartier-Bresson, e na galeria Camera Obscura. Leiter, que fez toda a sua carreira na fotografia de moda, não estava acostumado com a bajulação do mundo das artes. Entretanto, seus clichês coloridos capturados entre 1948 e 1963 causam, hoje, turbulências em olhares desavisados e por muito acostumados com o equilíbrio clássico da fotografia em preto-e-branco da época. Os enquadramentos inusitados e a força expressiva de seus tons compensam hoje o esquecimento histórico, elevando o fotógrafo, para alguns críticos, a um lugar entre os grandes mestres dessa expressão.

Não é que a ambição artística faltava para esse norte-americano de Pittsburgh, filho de um rabino célebre, visto que deixou os estudos de teologia, que seguia com brilho, para tentar a carreira de pintor em Nova York. Logo se enturmou com a segunda geração dos expressionistas-abstratos, e sob influência do pintor Richard Poussette-Dart, obteve uma primeira máquina fotográfica Leica, passando a flanar nas ruas da grande metrópole atrás de momentos fugidios.

Começou com o preto-e-branco, influenciado por uma exposição de Cartier-Bresson que lhe revelara que fotografia poderia ser arte, até que decidiu comprar um rolo de película em cores para ver o que dava e gostou do que deu. Gostou muito. Mesmo sendo a fotografia em cores considerada indigna de pretensões artísticas na época, Leiter decidiu mergulhar de cabeça nessa pesquisa estética, em busca da imagem efêmera de uma cidade em mutação, como numa mulher adivinhada nos tantos espelhos arranhados sob um muro de bar. Ela cruza a calçada, evanescente qual passante de Baudelaire, surgida em “Um raio... então a noite! – Fugitiva beleza cujo olhar me fez repentinamente renascer, não mais te verei antes da eternidade?”.

Uma certa melancolia poética desbota sua palheta de tons fortes e densos; cores, no entanto, que transcendem a inexorabilidade de seu espaço, desprendendo-se do tempo no que se deixam, como na linha famosa de Pena Filho, “entrar no acaso e amar o transitório”. Não à-toa busca lascas de sensações apontando sua lente em direção de velhos espelhos, vidraças embaçadas, frestas de portas: “Tenho um grande respeito pela desordem, pelo inacabado”, confessa o próprio fotógrafo para a curadora Agnès Sire, da exposição na Fundação Henri Cartier-Bresson.

Sempre apegado à pintura, que nunca abandonou, Leiter também aplica na fotografia suas influências pictóricas, Pierre Bonnard e Édouard Vuillard como referências mais marcantes. São pintores da escola Nabis, movimento francês do final do século 19, que utilizou cores vivas e puras para se libertar da obrigação imitativa da pintura e criar lógica e simbologia próprias à sua arte. Além do delicado trabalho com as cores primárias, o fotógrafo também bebe da fonte de Bonnard e Vuillard quanto à composição do espaço, influenciada pelas estampas japonesas, com figuras cortadas por enquadramentos, abrindo as portas para o subjetivismo do não visto.

Leiter não hesita em deixar a figura humana fora de seu quadro, quando, por exemplo, o que lhe interessa é o vermelho do guarda-chuva no meio da neve. Trabalha assim o vazio, também caro à estética oriental. Põe com delicadeza um semáforo verde no meio de uma cidade descolorida pela neve. São tais enquadramentos frustrantes que, segundo Pascal Bonitzer, introduzem na imagem um suspense não narrativo. O vazio, o fora de quadro, o achatamento do sujeito favorecem uma situação estritamente espacial de impor uma percepção múltipla de tempo, o que nos afasta de uma leitura puramente factual. Leiter possui também uma visível preferência por enquadramentos verticais, que no formato 35mm obrigam a uma leitura estreita, em profundidade, em detrimento de uma leitura lateral (horizontal) de ordem narrativa.

Leia a matéria na íntegra na edição 98 da Revista Continente Multicultural.

Enviado por Camilo Soares.

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