23 de mai. de 2009

Um trabalho de 39 anos sobre um mesmo lugar: O Louvre.


Foto: Alécio Neves.

Quanto tempo é possível tocar um projeto na fotografia? Temos exemplos variados. Sebastião Salgado fotografa durante 7, 8 anos o mesmo tema. Na outra ponta do processo, há trabalhos feitos em fins de semana isolados.

Porém, o trabalho sobre o Louvre, de brasileiro Alécio de Andrade, ultrapassa toda essa escala. Durante 39 anos ele fotografou o Louvre, gerando um acervo de 12 mil imagens. Parte desse material está em exposição Em São Paulo, no Instituto Moreira Salles.

Louvre é o museu onde se encontram a Monalisa, a Vitória de Samotrácia e a vênus de Milo. E é lá também onde Alécio passeou por quase 39 anos, a partir de 1964. Morou em Paris deste anos a té a sua morte, em 2003.

A mostra de Aécio integra a programação do Ano da França no Brasil.


Serviço:
Onde: Rua Piaui, 844, 1° andar, Higienópolis.
Quando: de 24 de abril a 21 de junho de 2009.

Marcadores: , , , , ,

24 de abr. de 2009

Pioneiro da fotografia de moda no Brasil, Otto Stupakoff morre aos 73 anos



Morreu, aos 73 anos, na madrugada da última quarta (22/4), o fotógrafo Otto Stupakoff. Pioneiro da fotografia de moda no Brasil, Stupakoff vivia num flat no bairro do Itaim, em São Paulo, onde teria passado mal. A causa da morte ainda é desconhecida.

O artista, famoso internacionalmente desde os anos 60, realizou ensaios para revistas de moda como a americana Harper's Bazaar, a francesa Elle (cujas fotos viraram acervo do MOMA de Nova York) e a Vogue Paris. Na última revista, uma das publicações mais importantes e influentes de moda do mundo, foi responsável pelas capas a partir de 1972.

Em 2005, em comemoração aos 50 anos de carreira de Stupakoff, o São Paulo Fashion Week realizou uma exposição retrospectiva da obra do artista no prédio da Bienal. Recentemente, o AutoFoco deu nota sobre a aquisição, pelo Instituto Moreira Salles, do acervo de Stupakoff, que também gerou exposição.

-----
Segunda Atualização, em 24 de abril:

Segue abaixo repercussões sobre a morte de Otto Stupakoff que circularam na internet.

Clicio:

Estou triste… Otto foi o pai da fotografia de moda no Brasil, e um exemplo para todos nós. Eu sempre fui fã!

JUST OTTO
Otto Stupakoff era sinônimo para respeito e profissionalismo. Para quem ainda não o conhecia, fica uma homenagem ao nosso estilo: imagens e web!

Siga os enlaces da Clix.

Leia entrevista com o fotógrafo Otto Stupakoff, homenageado em mostra no SP Fashion Week
UOL: Em seus retratos que fez de grandes celebridades, você sempre buscou humanizá-las?
Stupakoff: Não sempre. Quando fazia retratos em grandes formatos, eles são por naturezas fixos, formais. Mas há retratos muito soltos. Eu sempre lia muito sobre a pessoa que ia fotografar, havia um preparo. Com exceção do Jack Nicholson, que foi muito grosseiro (N.R.: o ator, reclamou, por exemplo, do local escolhido para as fotos _a rua_ e a sessão durou apenas dois cliques), todas as pessoas foram extremamente cordiais comigo.
O meu tipo de fotografia era o de passar o dia inteiro com a pessoa, às vezes mais de um dia, por exemplo, com a alteza real Grace de Mônaco (Grace Kelly) e sua filha Stephanie. Eu fotografei Sophia Loren quatro ou cinco vezes, havia um pouco mais de intimidade, cheguei a passar a noite em seu bangalô, mas nunca tive a ilusão de que era amigo dessas celebridades.

Fotosite
BIOGRAFIA
Otto queria o mundo e, em meados dos anos 60, foi para Nova York com mil dólares no bolso e duas Leicas. Havia queimado seu acervo gigante, salvando apenas umas 30 fotos que viraram seu portfólio. Em terra estrangeira, Stupakoff batalhou até cavar seu lugar entre os principais fotógrafos do seu tempo. Dividiu várias páginas de revista com Richard Avedon, Diane Arbus, Helmut Newton e Irving Penn.
… “longa e bela vida ao Otto!”.


A boa fotografia está de luto …
Jorge Diehl

Coleção Pirelli/Masp de Fotografia
Em 1965 mudou-se para Nova Iorque, Estados Unidos, onde fotografou para agências de publicidade e diversas revistas, como Harper’s Bazaar, Life, Esquire e Look. Foi professor de fotografia na Parson´s School of Design, Nova Iorque (1966).


Tchau, Otto
…Que sua marca humanista na super-encenada fotografia de moda deixe discípulos.
Siga os enlaces.

Morre o fotógrafo Otto Stupakoff
Sua fotografia diurna e viril foi publicada nas maiores revistas do planeta e exposta em conceituadas galerias: parte dela está no acervo permanente do MoMA, em Nova York. As fotos aqui publicadas foram feitas para o livro Rioerótico, jamais publicado no Brasil. Otto vive, atualmente, em um flat de São Paulo, onde discursou para a reportagem.

PARA OTTO STUPAKOFF, UM FOTÓGRAFO FOTOGRAFA COM A MENTE E O CORAÇÃO,
NÃO COM A CÂMERA, QUE É INCAPAZ DE VER

…E foi pelos retratos que comecei, depois de uma espera de cinco anos em Nova York, quase morrendo de fome, coisa que pouco brasileiro tem vontade de fazer.
…Quando eles viram que eu sabia fotografar moda, veio o segundo trabalho, que era a Tina Sinatra. Nós tivemos uma paixonite aguda um pelo outro, na praia, na cabeceira do aeroporto de Los Angeles, com os aviões passando por cima da gente. Nós emendamos isso na casa dela, à noite. Foi um romance de três dias.

…Acabei descobrindo o que eu já sabia: que fotografia não é uma arte que se pode ensinar, é o acumulo de elementos que formam o fotógrafo como ser humano. Quanto melhor ser humano ele for (por natureza ou porque se desenvolveu), melhor fotógrafo. Leia, inspire-se na arquitetura, no cinema, na pintura. E, sobretudo, desenhe, porque eu não acredito que é possível ser fotógrafo sem desenhar. Você não fotografa com câmera. Câmera é um objeto que você utiliza para registrar aquilo que você quer dizer. E tanto faz: a descartável é tão boa quanto aquela que você acha que, quando tiver, sua fotografia vai melhorar. Não vai melhorar nada! A gente fotografa com a nossa mente, com o nosso coração, não com o aparelho. Uma câmera é incapaz de ver.”

“longa e bela vida ao Otto!”

Pictura está triste!

Marcadores: , , ,

22 de mar. de 2009

IMS adquire 16 mil fotos de Otto Stupakoff


Foto: Otto Stupakoff.

Para quem não conhece, Otto Stupakoff é um dos fotógrafos de moda do Brasil mais bem sucedido e com renome lá fora. Com esse retrospecto, o Instituto Moreira Salles - IMS - adquiriu o conjunto de 16 mil imagens de Otto clicadas entre 1955 e 2005. Esse material será digitalizado e catalogado num processo previsto para durar 30 meses.

Porém ,quem quiser ter uma idéia do que se trata e do valor dessas imagens, 65 delas podem ser conferidas na exposição que fica em cartaz até o dia 19 de abril, no IMS - Rio de Janeiro.

No portfólio de Otto há fotografias de Jack Nicholson, Truman Capote, Grace Kelly, Richard Nixon, (Otto morou décadas no EUA) Tom Jobim, Jorge Amado, Oscar Niemeyer e Éder Jofre.

O que Otto acha do acervo ter sido adquirido? "Está em boas mãos. Assim a obra perdura e é respeitada. No Brasil a falta de Cultura sobre a fotografia é um absurdo - como arte é totalmente desconhecida".

Ficam as fotos, a exposição. Também ficam a lição e o exemplo.

Instituto Moreira Salles.
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea, Rio de Janeiro.

Marcadores: , , , , ,

2 de mar. de 2009

Livro do fotógrafo José Medeiros sobre o Candomblé é relançado


Foto: José Medeiros.

Em 1951, o repórter Arlindo Silva e o fotógrafo José Medeiros foram escalados para vir a Salvador realizar uma tarefa que não seria das mais fáceis: fotografar a iniciação das filhas-de-santo no candomblé. O objetivo era produzir uma reportagem especial para a revista O Cruzeiro, à época a publicação de maior prestígio do país.
Na ocasião, o fotógrafo e etnólogo francês Pierre Verger, que tinha chegado à Bahia havia três anos e iniciava suas pesquisas na cidade, se manifestou temeroso de que o trabalho reforçasse o preconceito que a religião afro sofria na sociedade. Seu conterrâneo, o sociólogo Roger Bastide, outro estudioso das religiõesafro-brasileiras, também engrossou as críticas, mas eximiu o fotógrafo da responsabilidade.
Medeiros continuou o trabalho e, em 1957, lançou o livro Candomblé, ampliando para 52 o número de fotografias. Desta vez,cuidou ele mesmo do texto. É justamente este livro que o Instituto Moreira Salles traz de volta às livrarias. A publicação inclui todas as imagens, além das imagens sem corte, captadas diretamente dos negativos, um conjunto de outras 13 fotografias de Medeiros sobre candomblé e a reprodução, em tamanho menor, das páginas da publicação original.
Natural do Piauí, o fotógrafo José Medeiros mudou-se para o Rio de Janeiro em 1939. No ano seguinte, já integrava a equipe da revista O Cruzeiro, importante veículo de renovação do jornalismo brasileiro. Ele atuou por 15 anos na publicação, para a qual fez reportagens na Europa, nos Estados Unidos e na África.
Medeiros se notabilizou pelo registro de várias facetas da vida brasileira. Foi ele, por exemplo, quem fez os primeiros registros de contatos com os índios realizados pelos irmãos Villas-Boas no Xingu e na Serra do Roncador. Quando deixou a revista, o fotógrafo participou da fundação da agência fotográfica Image, pioneira do país.
Detentora de todo o acervo fotográfico de Medeiros - que tem um total de 20 mil negativos - o Instituto Moreira Salles começou a apresentar as preciosidades ao público. Além do livro Candomblé, a instituição inaugurou em sua sede, em São Paulo, uma exposição com registros dele feitos entre as décadas de 1940 e 1970.



Autor: José Medeiros
Editora: Instituto Moreira Salles
Preço: R$ 56 (112 páginas)
Vendas pela Internet: http://www.ims.com.br/

Marcadores: , , , , ,