14 de abr. de 2010

American Soldier ganha o Pulitzer de Fotografia.


Foto: Creig Walker, American Soldier, para o Denver Post.

O Prêmio Pulitzer já está na sua 94ª edição. Não se pode chamá-lo de Oscar do jornalismo porque, na verdade, ele é mais antigo que o prêmio de cinema. É concedido pela Universidade de Columbia, internacionalmente aclamada como uma das mais importantes em ensino e pesquisa de jornalismo. Logo, o prêmio vem referendado com conceito.

São distribuidos Pulitzers para várias categorias. Nas de foto, Categoria Fotografia factual venceu a fotógrafa Mary Chind, do jornal "The Des Moines Register", que fez o registro de um resgate dramático de uma vitima das enchentes.



Foto: Mary Chind, "rescue" para o The Des Moines Register.

Na categoria Fotografia não-factual venceu Craig F. Walker do "The Denver Post", com o ensaio Ian Fischer, American Soldier. Não é um ensaio clássico, e sim um material em multimídia espalhado por 10 vídeos, 8 galerias de fotos e uma penca de extras. O material levou 27 meses, 3 repórteres, e um fotógrafopara ser produzido.

tínhamos falado do ensaio assim que ele foi publicado. Mais que nunca, vale conferir. Gol para o fotojornalismo pensado e executado em formato multimídia.

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6 de abr. de 2010

"Nunca se mente tanto: antes de uma eleição, depois de uma pescaria e durante uma guerra". - Otto V. Bismarck



O vídeo vazou do pentágono e foi parar no Wili Leaks, Youtube e rodou o mundo. Saiu do âmbito secreto militar através de fontes descontentes com o andamento da guerra no Iraque. É autêntico e ultrajante. Nele, se mostra a morte, ou melhor, assassinato, de 15 civis no bairro de New Bagdad em julho de 2007, incluindo o fotojornalista Namir Noor-Eldeen, 22, e seu assistante e motorista Saeed Chmagh, 40, ambos trabalhando para a Reuters.

A posição da Reuters tem sido de exigir do exército americano uma investigação completa do incidente. A pressão não é pouca. A Reuters é a maior agência de notícias do mundo, opera desde 1851, sendo a líder em informações financeiras e possuindo uma das maiores redes privadas de dados do mundo. O poder de cobertura da agência é enorme, e consequentemente, de também atrair ou repelir boa vontade sobre o caso. Posso afirmar isso por que na minha tese de doutorado pesquisei a Reuters.

O vídeo é auto-explicativo. Câmeras são confundidas com armas, as vítimas, todas, estavam desarmadas, pessoas foram assassinadas enquanto tentavam prestar socorro. Crianças foram feridas e enviadas a hospitais iraquianos, ao invés de serem atendidas em hospitais militares americanos. O palavreado dos soldados e oficiais envolvidos e o tom, é revoltante. Se aproxima mais do êxtase de adolescentes jogando videogame.

Vergonha para a humanidade. No aniversário de 7 anos da guerra do Iraque, os EUA mandam lembranças.

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22 de mar. de 2010

A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu


Foto: Ashley Gilbertson.

Dica do bom blog jornalismo e internet.

No anivesário de sete anos da guerra do Iraque, um ensaio documental diferenciado. Ashley Gilbertson preparou um material onde o roteiro foi visitar os quartos dos soldados mortos no Iraque e Afeganistão. Ele não mostra a guerra e sim as consequências dela. Já são cinco mil soldados mortos nestes dois conflitos que, nem de longe, nem de perto, dão sinais de acabar.

Muito triste.

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14 de mar. de 2010

Shooting War: fotojornalismo de guerra


Foto: Bagdad, por Stephanie Sinclair.

Para quem acompanha o fotojornalismo, vai aqui a dica do blog, jornalismo e internet.

Uma galeria de imagens fortes, mostrando o caos da guerra e como as pessoas lidam com isso no dia-a-dia, mesmo no cenário de conflitos. A galeria vem com o contexto de cada cena/foto.

Vale conferir.

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18 de fev. de 2010

Confira Restrepo: documentário feito por fotojornalista com pedigree.

Para por na agenda: Restrepo. A guerra vista de perto.

Tim Hetherington, vencedor do WPP de 2008, passou um ano no Afeganistão, com o jornalista Sebastian Junger, filmando para a ABC News e "Vanity Fair" o cotidiano de um pelotão no vale do Korengal.

"Restrepo" é um documentário com pedigree. Junger escreveu o "best-seller" "The Perfect Storm", que deu origem ao filme "Tempestade Perfeita", Hetherington ganhou o prémio máximo da World Press Photo pelo retrato de um soldado exausto exatamente no mesmo vale afegão.

O título do documentário, "Restrepo", é o nome do posto avançado improvisado em que 15 homens se entrincheiravam, cujo nome foi dado em honra de um paramédico morto no local. O documentário não tem legendas, narração ou brincadeiras gráficas. É cru como a guerra.

O filme ganhou o Grande Prémio do Júri de Sundance na categoria de documentário. Impossível não lebrar do filme de Christian Frei sobre James Nachtwey, war photographer, de 2001. Mas as semelhanças acabam por aqui. Lá era um filme sobre um fotógrafo de guerra. Aqui é um filme sobre a guerra, feito por um fotógrafo e um jornalista.

Conferir trailer abaixo, ou via Youtube, em HD.

Conferir site do documentário.


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16 de set. de 2009

Fotojornalismo vivo


Ian Fischer - American Soldier - Fotojornalismo na web em boa forma.

Quanto mais se fala que o fotojornalismo morreu, mais aparecem exemplos que apontam o oposto.

Ian Fischer - American Soldier, é um especial (põe especial nisso!!) editado pelo Dever Post. Guia de uso, jogo rápido:

1. Descontem o tom patriotada do conteúdo. Ok...

2. Observem a complexidade narrativa que eles criaram: 10 vídeos, 8 galerias de fotos e uma penca de extras. O material levou 27 meses (isso mesmo, você não leu errado), 3 repórteres, e um fotógrafo - Craig Walker.

3. Eles acompanharam Ian Fischer do dia 31 de maio de 2007, quando conclui a “high school” e se alista no exército; até a volta pra casa, no dia 21 de agosto de 2009.

4. E isso num jornal tipicamente secundário, de Denver, Colorado. Prova que o uso criativo dos meios faz - muito - a diferença.

5. Confiram! É uma viagem proporcionada pelo fotojornalismo. Cada vez mais, a Internet é o lugar da fotoreportagem que se renova. Os desdobramentos disso, inclusive, incidem nos formatos tradicionais. O Denver Post impresso publicou a matéria de modo sequênciado em cadernos, por três dias seguidos.

E ai, de novo a pergunta, o que está morrendo? É o fotojornalismo ou o esquema: pautinha, 3 matérias por dia, fotinha no jornal e volta pra casa?

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9 de ago. de 2009

Big Picture em dois tempos: A bomba e os raios


Nos 64 anos da bomba de Hiroshima, o Big Picture manda lembranças.



Seis de Agosto de 1945: Fim da Segunda Guerra Mundial. Como se já não bastassem as mortes, mutilações e destroços deixados por um dos conflitos mais trágicos da humanidade, o mundo, há exatos 64 anos, ainda foi obrigado a assistir um dos espetáculos mais bárbaros protagonizado pelos “experientes” cientistas norte americanos: o despejo, em plena cidade de Hiroshima, lar de aproximadamente 250 mil japoneses, da bomba atômica que, até hoje, deixam marcas não só no ambiente, mas também ainda causa distúrbios genéticos nas gerações que se formam.

No Big Bigture, muitas imagens para registrar o antes e o depois do lançamento das bombas nucleares. Tocante, vale muito a pena dar uma conferida. Para acessar, clique aqui.



Foto: Kelly Lambert/AP Photo.

Uma seleção bem bacana com algumas imagens feitas no exato momento em que descargas elétricas causadas por raios cortam o céu. Vale destacar a dificuldade em realizar as imagens: para captar o fenômeno, é necessário, além de um bom equipamento, de muita paciência e concentração. Para acessar, clique aqui.

Post Enviado por João Guilherme Peixoto.

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30 de mai. de 2009

A guerra em pijama cor-de-rosa!


Foto: David Guttenfelder, para Associated Press.

Foi veiculada na semana passada, no New York Times, e também no blog Lens, do próprio Times, é já é uma das imagens mais memoráveis de cobertura de guerra no século XXI. A cena aconteceu no Afeganistão, no vale do Korengal.

O soldado foi identificado. É Zachery Boyd, tem 19 anos e é texano. O motivo de estar vestido de pijama cor-de-rosa, sandálias de dedo, camisa vermelha, capacete, mochila e colete militar, pilotando um fuzil, é que foi arrancado do sono por colegas para uma ação contra-ofensiva. O soldado temeu, depois da foto publicada, pelo fim imediato de sua carreira militar. O Efeito, no entanto, foi exatamente o contrário, tendo recebido elogios do secretário de defesa.

Fora isso, é uma imagem que conta uma história de uma guerra pra lá de complicada, em uma dimensão esteticamente surpreendente e inesperada. Em tempos que se alega quase todo dia que o fotojornalismo está morto, exemplos assim reoxigenam a discussão.

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6 de mai. de 2009

Notícias da "maleta mexicana". Primeiras imagens começam a ser divulgadas.

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Foto: Robert Capa. Mulher e Criança em campo de refugiados na França, 1939.


Com dados do The New York Times.

Uma das maiores descobertas recentes do universo da fotografia, a "maleta mexicana" que contém negativos de Robert Capa feitos durante o período da guerra civil espanhola, vem gerando novas notícias. A partir do momento em que o ICP (Centro Internacinal de Fotografia) em Nova Iorque começou a tratar e digitalizar os negativos, novidades guardadas por 70 anos começaram a ser desveladas.


Uma das três maletas repletas de negativos inéditos de Robert Capa,Gerda Taro eDavid "Chim" Seymour.


Primera delas:
Nos 126 rolos de fotografia contendo cerca de 4300 imagens, existem também fotografias de Gerda Taro, companheira de Capa no período, que terminou morta durante a guerra civil) e de David Seymour, o Chim, co-fundador da Magnum, que não tem imagens de batalha mas documenta de forma exaustiva a vida dos espanhóis durante a guerra. Esse material de Symour é totalmente inédito e, até certo ponto, inesperado.

Os especialistas temiam que os negativos, que estiveram desaparecidos durante 70 anos, se encontrassem demasiado danificados. O processo de digitalização dos os negativos de 35 milímetros e tratamento das imagens prolongou-se por mais de um ano. O trabalho foi feito pelo ICP, com a ajuda de um especialista em conservação de fotografia da George Eastman House.

Outras revelações: No conjunto de imagens, estão retratos do escritor norte-americano Ernest Hemingway, que foi correspondente de guerra, do autor francês André Malraux (fotografado por Gerda Taro) e do poeta espanhol Federico García Lorca (fotografado por David Seymour). Mas a maioira são imagens que documentam a realidade de vida e morte da Espanha durante a Guerra.

"Isso é o mais interessante neste material", confessou Willis. "Há tantas questões por responder e tantas questões que ainda nem foram colocadas. E este material vai ajudar-nos." E concluiu: "Consideramos que esta é uma das mais importantes descobertas de trabalhos fotográficos no século XX."

No entanto, apesar das expectativas, as caixas não esclarecem um dos maiores enigmas da carreira de Capa: se ele encenou ou não a foto do soldado a cair, a sua imagem mais famosa e da qual não há negativo, apenas se conhece a prova. A mala não continha nenhuma das séries de fotografias tiradas naquela tarde de 5 de Setembro de 1936.

É esperar e ver o que vai sair dessa caixa. Alguma coisa já pode ser conferida no slideshow, inside the mexican suitcase.

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