
Sebastião Salgado "Faz um ano que eu fotografo com câmera digital".Já tinhamos dado uma
nota meio surpresa, meio incerta, desde março. Rolaram alguns comentários em rodas e listas de discussão. Mas ontem, na
gazeta online, entre outras coisas, Sebastião Salgado se assume na era digital. Usando uma Canon EOS1 Mark III. De uma vez só, diz que digital é melhor, deixa as Leica de lado e enche a bola da Canon!
Abaixo, está parte da entrevista em que ele fala da mudança para o digital. Mas vale também verificar a totalidade da entrevista, que foi realizada por Vitor Lopes.
O que fez você passar a usar tecnologia digital?O mundo depois do 11 de Setembro virou um drama para os fotógrafos. Nós usávamos filmes e tínhamos os raios-x nos aeroportos. Eu vinha de Sumatra no ano passado, no mês de abril. Passamos por sete controles de aeroportos com 600 rolos de filme. Tive problemas em vários deles. Não adiantava mostrar para eles as cartas da Kodak, dos governos... Eu reaprendi a fotografia. A digital me facilitou a vida. Estou usando uma Canon EOS-1Ds Mark III, que é fabulosa.
É um susto para muita gente ver você falando que a digital é melhor... É melhor mesmo. Os químicos não existem mais. Tive que fazer os bons químicos até um ano e pouco atrás. Para conseguirmos papel para as cópias de leitura, tínhamos que trazer de Tóquio! Os filmes foram caindo de qualidade. E a qualidade que eu tinha em um 35mm anos atrás eu não tenho mais no médio formato agora.
Com a popularização das digitais, mudou a relação da sociedade com a imagem? Nada. Absolutamente nada. O número de fotógrafos não aumentou, não melhorou e não piorou. Você só mudou a base, exclusivamente a base. O problema é de sensibilidade e identificação com a profissão, de saber se é fotógrafo ou não.
A câmera digital altera a questão da memória? Acho que não. A fotografia, na realidade, é a memória da sociedade. São cortes representativos, são momentos que você faz da sociedade. É a verdadeira linguagem universal. A maneira de escrever cada um tem a sua, com uma vantagem para a fotografia. Ela não precisa de tradução. É realmente uma linguagem fabulosa.
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