11 de jul. de 2009

Samba de Bahia (sic) é macumba pra turista


Foto: Andrew Sullivan

A Bahia é um vestibular para os fotógrafos. Nacionais ou estrangeiros, o lugar se apresenta como um percurso a ser feito e explorado visualmente. Exemplos são vários. Voltaire Fraga, Pierre Verger, Walter Firmo, David Alan Harvey, Christian e Mário Cravo, só pra ficar no que a minha curta memória permite lembrar numa manhã de sábado.

Pois bem, não dando continuidade a essa nobre linhagem de fotógrafos que enquadraram a cor e atmosfera baiana, aparece na Burn o Ensaio Samba de Bahia (sic), onde Andrew Sullivan, tenta, mas não consegue. Tá tudo lá: os tipos, as cores temperadas do fim de tarde, o Pelourinho, os mercados, o samba de roda. O problema é esse: a presença dos elementos é estereotipada através da busca das identificações que comporiam - na cabeça do fotógrafo - a essência musical da Bahia. Ao invés da complexidade cultural, o folclore mumificado. Ao invés dos personagens, os clichês.

Tudo muito óbvio e literal. É interessante ver como fotografar bem não significa, necessariamente, fazer fotos boas e muito menos fazer dessa produção algo com unidade e singularidade. O perigo é cair em ciladas que tipificam e reforçam construções e imaginários sociais consolidados. Em outras palavras: ser capaz de mostrar uma Bahia sem os filtros e estratagemas culturais predispostos.

Confira. Para ver, achar bonitinho e esquecer.

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28 de mai. de 2009

Burn. Ensaios e fotografia capitaneados por David Alan Harvey


Foto: Michael Christopher Brown.
Fui verificar o que David Alan Harvey estava fazendo. O cara foi, durante anos fotógrafo da National Geographic, tendo feito ensaios belíssimos, um deles o "âme patargé" com muitas imagens de Salvador/ BA. Por acaso, fui apresentado, por uma colega fotógrafa, ao Alan Harvey quando morei na Bahia e, na época, não tinha a dimensão do trabalho dele. Mas isso é história pra outro post...

Pois bem. Localizei o blog dele, o road trip, onde indicava ter encerrado as atividades de postagem desde o ano passado, e que estaria se dedicando ao projeto Burn. A idéia é ser um jornal-espaço, para abordagens fotográficas emergentes que explorem o meio visual com ousadia e criatividade. Alan Harvey, que também é professor de fotografia, elaborou o site com a dimensão que é através dos jovens fotógrafos que os processos e linguagens da fotografia se renovam.

Pois bem. Sob curadoria de Alan Harvey, que também é da Magnum, o site é um espanto! Simples de navegar e com imagens fora-de-série. Vale conferir. Os ensaios são belíssimos. A foto que ilustra esse post é do ensaio Sakhalin de Michael Christopher Brown. No caso, trata-se de uma pequena ilha nos confins da Rússia, isolada boa parte do ano por conta do frio e do gelo e que, nem está na era do comunismo, nem representa interesse na atual era russa. Um lugar em uma especie de não-tempo histórico.

No texto de apresentação do site tem uma parte que é bem militante, mas deixa claro a postura do projeto:

burn is born from an educational imperative and to bring strong photographic essays and powerful text to not only photographers, but to anyone fascinated by a visual and literary interpretation of our complex planet. Your interpretations may be either journalistic in nature or esoteric subjective pieces. I hold all artists in high regard. With me as editor/curator you need never think “what does he want or like?” I will push you to do your thing, not mine…

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