7 de abr de 2010

Associações de fotógrafos processam Google por digitalizar imagens

Um dos traços marcantes da cultura da convergência é a batalha travada no terreno dos direitos autorais. A lógica é simples: o campo tecnológico muda, permitindo um modelo de circulação de dados e informações além do alcance das concepções legais e jurídicas vigentes. Em outras palavras: a velocidade de se gerar problemas no campo da mídia, e também na fotografia, é maior que a de pensar soluções.

Os precedentes não são novos e já existem desde o século XVII quando leis de copyright foram desenvolvidas a fim de preservar o direito de cópia e circulação dos livros, numa época em que pirataria editorial era mais regra que exceção. Daí para criar noções de propriedade intelectual foi um percurso quase inevitável. Na verdade, a noção de autor e autoria moderna nasceu a partir da tecnologia impressa. Elisabeth Eisenstein e Perter Burke explicam isso bem melhor que eu.

Alguma semelhança com problemas de hoje? Todas. Na verdade, trata-se, no pano de fundo, de um choque de concepções. É o que Jenkins, no seu livro, cultura da convergência, vai falar de colisão entre concepções de mídia, e consequentemente, de como se vê o mercado e também, as questoes de propriedade intelectual.

Nesse choque, a coisa sobrou pro Google! Vejam a matéria do IDG NOW!

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Associações profissionais de fotógrafos nos EUA anunciaram ter entrado nesta quarta-feira (7/4) com um processo contra o Google, pela publicação na web de imagens protegidas por direito de autor.

Na ação de classe, as entidades American Society of Media Photographers (ASMP), Graphic Artists Guild, Picture Archive Council of America, North American Nature Photography Association, Professional Photographers of America, além de um grupo de fotógrafos e ilustradores, acusam o Google de digitalizar ilegalmente milhões de livros e outras publicações que contêm imagens protegidas por lei, e mostrá-los ao público sem respeitar os direitos de seus criadores.

Segundo a ASMP, o processo foi aberto depois que a Justiça norte-americana negou seu pedido de participar de outra ação de classe em curso, que questiona o projeto Google Library. Ela foi aberta por representantes dos escritores e que tem indenização avaliada em 125 milhões de dólares.

Em comunicado, o conselheiro geral da ASMP Victor Perlman disse que "buscamos justiça e pagamento justo para artistas visuais cujos trabalhos aparecem em 12 milhões de livros e de outras publicações que o Google digitalizou ilegalmente até agora".

Em 2005, o Google foi processado por um grupo de editoras norte-americanas e por sindicatos de autores, que apresentaram queixa semelhante. Um acordo entre o Google e os reclamantes foi assinado em 2008, mas um pedido de revisão foi apresentado em 2009. A Justiça ainda não se pronunciou sobre a validade deste acordo.

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Retorno. O problema na verdade, não é o Google. Ele é a janela por onde se vê uma questão muito maior: a situação de xeque em que se situa uma noção nascida no meio da cultura editorial clássica que começa a ser minada por um modelo de circulação e disponibilidade de imagens que é ponto a ponto, não é mais totalmente massivo, é descentralizado e incerto. Mas que o público acena e está a fim que se torne hegemônico: o acesso a tudo, de modo rápido, em qualquer plataforma online.

Não se pode culpar a janela pela existência da paisagem. Os tempos mudam, e com eles, a cultura da mídia e visual que os cerca e é também cercada pelo momento. Esse problema é de todos os produtos do campo da mídia. A música, ou melhor, a indústria do disco implodiu na última década e o horizonte para quem produz som já tem um ajuste completamente diferente.

Mas fotografia é outro caso. Vale, a título de complementação, dar uma olhada em um texto (Pulga na cauda longa) que Clício Barroso publicou no seu blog. É uma reflexão precisa sobre outro sintoma que está surgindo: os DVD's com milhoões de imagens em modo de royalty-free.

Remédios? Soluções? Não tenho nenhuma. Prefiro acreditar que a fotografia é um fenômeno capaz de assimilar todas essas alterações, pois isso é a sua própria história de arranjos e diálogos com as inovações do campo tecnológico. Ela se ajustou ao mercado de revistas, a competição com a televisão, tira resultantes (positivas e negativas) do diálogo com a internet. Só pra citar alguns exemplos, por que isso aqui não é tese, é blog!

Disso, certamente emergerá um modelo. (Creative commons???!!!)

Mas as coisas estão em trânsito, a resposta, está sendo soprada nos ventos da mudança (...the answer is blowing in the wind...).

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1 Comentários:

Às dom mai 02, 09:58:00 AM 2010 , Blogger clicio disse...

EXCELENTE artigo, Afonso!
Gostei muito e vou divulgar.
Abraços,
Clicio

 

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