16 de abr de 2010

Convergência digital na fotografia em três tempos. Parte 1 - Produtos.


Foto: Todd Heister, The New York Times.

Três notícias que chegaram no mesmo dia e que podem ser entendidas como vinculadas ao mesmo pano de fundo. As profundas modificações pelas quais passa a fotografia nesse começo de século XXI.

Na verdade, não olho mais esse conjunto de fenômenos como rupturas, quebras entre o passado e o agora. Já passei dessa fase. O que ocorre, mesmo, é o surgimento esporádico e sem controle de elementos (sejam de ordem tecnológica, ou de apropriação das tecnologias, ou seja, uma cultura de uso) que aos poucos inserem mudanças graduais, que vão sendo assimiladas, ou rejeitadas, ou negociadas.

O AutoFoco hoje abre três posts para o mesmo problema: como a convergência digital atua de modo múltiplo. Seja nos produtos narrativos, nos processos de aprendizagem, no surgimento de sistemas.

É uma cultura de uso, que se desdobra, também para a fotografia.

Exemplo 1: Os produtos. Slideshows via web trazendo fotografias. Nada de novo, já é formato consolidado. Digital-web-slideshow trocam a tríade analógico-parede de galeria-exposição como víes de circulação da imagem.

Exemplo? Vale conferir esse aqui.

Haiti: de novo, novamente... Mas com bom gosto.

Em tempos de mídia convergida, nada mais oportuno, para fugir da obviedade, que investir em projetos menos repetitivos, que busquem integrar mídias e conceitos em ambiente de rede. Para o campo da fotografia, uma oxigenação bacana, que trás novos debates e discussões para a área.

Pensando em explorar algumas destas potencialidades, Todd Heisler, fotógrafo do New York Times, visitou o Hati, um mês após o violento terremoto que devastou aquele país para documentar a vida dos sobreviventes que escolheram ficar e reconstruir o país.

“Choosing to stay, Fighting to Rebuild” (este é o nome do projeto) pode ser visto no site do Times. Para acessar, clique aqui.

Nada de ousado na forma de apresentação. Continuo a pensar e a procurar algo que seja bacana pelo fato de "ser" digital. Esse slideshow ainda é transposição, cópia do modo de organização de foto em moldes analógicos. Neste exemplo gosto principalmente da idéia de fazer no timeline da narrativa, uma incorporação das miniaturas, o que alia o aspecto linear ao não linear na forma de ver o slideshow, isso no mesmo produto.

Mas o conteúdo é bom. Tá bem editado e o assunto permanece forte, mesmo 3 meses após o ocorrido, e quando o terremoto do Haiti sai, pouco-a-pouco da agenda da mídia. O produto, no caso, nasce das possibilidades mais abertas de um material desse nível e problematização poder circular e ser proposto de modo mais independente dos canais tradicionais.

Poderia ser o Ipad, ou ao menos a idéia que o Ipad traz, uma das galerias de foto em um futuro próximo?

Não sou adivinho. O futuro vem do futuro.

Post enviado por João Guilherme Peixoto e transformado por Afonso Jr.

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