4 de mar de 2009

Entrevista exclusiva: Donald Miralle



Foto: Donald Miralle

Para quem trabalha com ou simplesmente tem interesse em fotografia de ação, de movimento, esse é o nome da fera. Com um currículo repleto de prêmios (2nd Place in the NFL Hall of Fame Contest 2004 and Honorable Mention in 2002 and 2004, 1st Place in the Sportsshooter Contest 2000 and 2001, Sportsshooter Photographer of the Year 2004 and 1st Place in the CPPA 2004 Golden Seal Competition, entre outros) e grandes coberturas (Jogos Olímpicos de Inverno e de Verão, O Super Bowl, a World Series, The Stanley Cup Playoffs...), Donald Miralle é um dos fotógrafos de esporte mais respeitados do mundo na atualidade. Nessa entrevista ao AF de Autofoco, ele fala sobre manipulação digital, a cobertura dos Jogos de Beijing e algumas dicas para produzir uma boa imagem. Vale a pena conferir.

AF de Autofoco - Você poderia falar um pouco sobre sua experiência nos Jogos Olímpicos de Beijing? Foi a primeira vez que você utilizou um blog para divulgar o seu trabalho? E na sua opinião, funcionou?

Donald Miralle - Esta foi uma experiência interessante para mim e para o resto do pessoal da revista Newsweek, uma vez que nunca tinhamos produzido um blog olímpico antes. No ano anterior eu tinha feito um blog bastante curto nos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro, enquanto fazia a cobertura para a Getty Images. Lá [Jogos Pan-Americanos] é como uma mini-olimpíadas, não foi como a escala do blog em Pequim, com entradas diárias e todo o trabalho girando em torno do blog. O grande detalhe sobre o trabalho em Pequim foi que o Diretor de Fotografia da Newsweek, Barnett Simonm, deixou claro para mim mesmo e para os outros dois fotógrafos envolvidos (Vincent Laforet e Mike Powell, o "Dream Team", como ele nos chamou) que ele queria que nos concentrássemos em fazer fotos diferentes e não apenas ficássemos perseguindo as mesmas histórias como o resto do fotógrafos que estavam lá. Nos foi dada liberdade criativa com o blog para mostrar o nosso trabalho e pensamentos durante as três semanas de trabalho e isso fez muito sucesso. Foi difícil chegar até a última semana para continuar a publicar diariamente, mas no final eu fiquei feliz com o resultado. E ainda mais satisfeito com o fato de tantas pessoas, fotógrafos e as pessoas que não trabalham profissionalmente com fotografia, terem confessado que gostaram muito do trabalho.

AF – Hoje, quando nós pensamos em esportes, em ação, nós associamos as imagens que nós vemos a idéia de manipulação digital. Muitos fotógrafos dizem que não tem problemas em utilizar programas para “melhorar” as suas imagens. Já outros são mais conservadores sobre o tema. Qual a sua opinião sobre isso? Você acha que programas como o Photoshop colocam a fotografia em um “outro degrau”?


DM – Com a migração da indústria para o digital já há alguns anos, a questão da manipulação digital tem sido uma questão primordial para os fotógrafos em todo o mundo. Especialmente no que diz respeito a algumas questões que envolvem fotógrafos de jornais conceituados que manipulam suas fotos de diversas maneiras, assim como fotos que são alteradas para utilização em capas de revista. Muitos fotógrafos admitem que existe uma zona de tolerância, mas alguns se perguntam como limitar esse uso. Um bom ponto, se você não quer manchar sua reputação, é o de acompanhar e respeitar as orientações apresentadas pela NPPA da "Ethics in the Age if Digital Photography" (http://www.nppa.org/). Mas só conhecendo as regras, não é suficiente, às vezes, você também tem que saber em que mercados se aplicam. Tomando como base um fotojornalista e um fotógrafo comercial, existem dois conjuntos distintos de regras, por exemplo. No fotojornalismo, você nunca deve tentar enganar ou induzir uma espectador a pensar que uma foto é algo que não é, e especificamente com o uso do Photoshop ou programas similares, que não devem retirar ou acrescentar elementos à estrutura original de uma foto. Pessoalmente, quando estou em um trabalho editorial, tenho um “padrão” de uso para o Photoshop para todas as minhas fotos – organizo os níveis, redimensiono a imagem para 300dpi e envio. Às vezes eu uso alguma outra ferramenta, mas nunca em excesso ou a um ponto onde você pode ver o uso da ferramenta escapar na foto.
Literalmente no lado oposto desse espectro está a fotografia comercial, onde as idéias são concebidas, os modelos são contratados, e tudo está organizado para uma pós-produção pessoal para obter naquela foto em olhar real e sem costura para imprimir um anúncio, cartaz ou outdoor. Aqui você tem carta branca para realmente "fazer" uma fotografia que você ou o seu cliente quer, mais do que um trabalho fotojornalístico em que aquilo é "visto como" um momento capturado pela câmera, como um observador. Se você seguir as regras, souber onde elas se aplicam e concentrar-se mais em obter as imagens, você estará fazendo a você e a seus colegas fotógrafos um grande serviço.


AF – Existe em seu trabalho algum critério específico para selecionar as imagens que você irá apresentar aos seus clientes? Qual a sua maior preocupação no momento do click?


DM – Eu tento manter um estilo gráfico e muito limpo, com uma ênfase na cor, na composição e no conteúdo. A foto tem que ter esse primeiro "wow factor" para agarrar a atenção dos espectadores; mas depois também tem de ter outro nível de conteúdo que é interessante para manter o público e mantê-los cativou. Quando estou escolhendo as fotos que irei enviar para um trabalho, eu tento ficar com imagens que são relevantes para o que o cliente está procurando, ao mesmo tempo em que também procuro aquelas que apresentam mais verdadeiramente o meu estilo. Então você tem que fazer o seu melhor para sair e capturar tudo isso!


Entrevista feita por e-mail, por João Guilherme Peixoto.

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