18 de fev de 2010

Conheça Zoriah e seu workshop dos infernos. Tire suas próprias conclusões.


Aprenda a cobrir tragédias in-loco e faça a conta do Zoriah Miller engordar.

O terremoto do Haiti começa a sair da agenda pública internacional na direta proporção em que outros assuntos ocupam o horizonte da mídia, e claro, o fotojornalismo. Mas vale à pena voltarmos a atenção para este caso.

No centro de toda celeuma sobre a ética dos fotojornalistas cobrindo o Haiti, temos um caso/ um cara que cristaliza o que podemos chamar de vampirismo da situação: Zoriah Miller.

A idéia: oferecer workshops sobre cobertura de tragédias in-loco. No caso, o Haiti. Precinho de cada aluno 4.000,00 dólares por 7 dias de curso. Sem contar, óbvio, com despesas aéreas, hospedagem, comida e suprimentos. No blog do próprio Zoriah, ele justifica:

"donating half of the money to charity and using the other half to cover my expenses and fund future projects is no more exploiting the situation and the Haitian people than the staff and assignment photographers who get paid thousands by major publications for their work".

("doar metade do dinheiro para a caridade e usar a outra metade para cobrir minhas despesas e financiar futuros projetos não é explorar a situação e o povo haitiano mais que as equipes e fotógrafos pautados que são pagos por grandes meios pelo seu trabalho" - tradução livre).

Como assim não é anti-ético? Doar metade da grana para fundos de ajuda às vítimas e ficar com a outra metade para financiar os próprios projetos? Oi, né? Justificar isso como não sendo mais ou menos grave do que os fotógrafos que vendem as imagens para publicações ao redor do mundo é, no mínimo, uma leitura equivocada da realidade, um óbvio nivelamento por baixo. A falta de noção não é só um problema brasileiro...

Perguntinhas adicionais que faria ao Zoriah:

Que outros projetos são esses que ele diz serão financiados pelas inscrições dos alunos? Que/ quem controla, efetivamente as doações, aplicação da grana? No próprio blog, o fotógrafo diz que os 50% do dinheiro serão aplicados por seus "amigos" no hospital San Joseph, em Porto Príncipe. Ah... tá! No caso das fotos do workshop serem vendidas/ negociadas, o dinheiro vai pra quem? Por fim, se algo imprevisto e desagradável, porém possivel de acontecer em situações como a do Haiti, ocorrer com um dos alunos, que responsabilidade Zoriah está disposto a assumir?

Nada disto é colocado de modo claro na porposta do workshop.

O que está havendo? O mercado encolhe? Ou temos, nitidamente, uma possibilidade de novos nichos de pedagogia aplicada ao fotojornalismo sendo deflagrados? E eu que pensava já ter visto de tudo em termos de manobras anti-éticas no fotojornalismo...

Picaretagem pura. Lamentável.

Mais dados sobre o "workshop" no Raw File.

Dica da notícia enviada pelo Guido Cavalcante.

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